
Maria Eduarda Diniz – Acadêmica do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA
Maquiavel foi um filósofo político, escritor, historiador e diplomata florentino, nascido em maio de 1469, dentro de uma família de renome na região. Trabalhou na vida pública e política de 1498 a 1512. Profundamente apaixonado por essa vida e interessado pelos acontecimentos de seu tempo, tornou-se secretário de segunda chancelaria durante o governo de Piero Soderim, onde tratava de questões militares e realizava missões diplomáticas por países como França, Alemanha, Estados Papais e cidades italianas (naquele período, a Itália unificada ainda não existia) como Milão e Pisa.
Foi elevado a embaixador em 1502, quando trabalhou com César Bórgia, homem dominador conhecido por manter seu poder com mão firme, sendo considerado a grande inspiração de Maquiavel para escrever O Príncipe. Quando os Médici retomam Florença, em 1512, Maquiavel é exilado. Sem conseguir ficar longe da vida pública que tanto amava, escreve O Príncipe em homenagem a Lourenço II de Médici, governante de Florença. Ele volta a sua cidade sob as graças dos Médici, em 1519, no entanto, quando a república é restituída, em 1527, ele é mais uma vez exilado, por sua associação com a família Médici, e é nesse segundo exílio que ele morre, em julho de 1527.
A partir de suas observações, Maquiavel postulou, principalmente em seus livros mais famosos, quais as características que ele considerava serem as de um bom líder e necessárias para manter um governo forte. Em O Príncipe(1532), ele traz os conceitos de fortuna e virtú, as quais são importantíssimas para qualquer governante. A fortuna é traduzida muitas vezes como sorte, mas, aqui, a sorte é entendida como as circunstancias, como oportunidades, e a virtú, em tradução livre a virtude, é justamente a capacidade de aproveitar essas oportunidades da melhor forma possível.
Em outra obra sua, Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio (1531), ele aponta que um bom líder também deve estar sempre preparado para a guerra, mas não deve viver a provocá-la, pois guerra constante atrasa o desenvolvimento de uma nação, mesmo assim, o bom líder não pode se apoiar sempre na paz, porque esta é instável. Além disso, Maquiavel aponta que o poder e a moral, especialmente a moral cristã de sua época, não devem andar necessariamente juntos, pois um governante constantemente preso por questões morais é alguém facilmente levado por fraquezas, o que leva a um governo fraco.
“O desejo de conquistar é realmente muito natural e comum; e sempre que os homens conseguem satisfazê-lo são louvados, nunca censurados; mas quando não conseguem e querem satisfazê-lo de qualquer modo, é que estão em erro, e são merecedores de censura.” (MAQUIAVEL, O Príncipe, página 38, 1532)
REFERÊNCIAS
FRAZÃO, Dilva. Nicolau Maquiaveu. Disponível em: < https://www.ebiografia.com/nicolau_maquiavel/> . Acessado em 07 de março de 2019
SOUZA, Rubin Assis da Silveira. Virtù e Fortuna em Maquiavel a partir da obra ‘O Príncipe’. Revista Jus Navigandi, ano 19, n. 3986, 31 maio 2014. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/29050>. Acessado em 08 de março de 2019.
MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Penguin Companhia das Letras, 2001.
MACHIAVELLI, Nicolo. Discourses on the First Decade of Titus Livius. Gutenberg Ebook, 2004.
