Thaís Roberta da Costa Carvalho – acadêmica do 3° semestre de RI da UNAMA

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o período da Guerra Fria, pode-se observar uma acentuada presença militar norte-americana no continente ásiatico, em especial na região da Ásia-Pacifico, devido aos recursos energéticos e econômicos presentes na região.

 Intensificando no início do século XXI, por meio da nova estratégia estadunidense conhecida como “Um século americano no Pacifico”, anunciado em 2011, pela Secretaria de Estado Americano Hillary Clinton,a qual visa exercer uma grande influência nas ações militares nos países asiáticos para evitar a ascensão da China e para a manter os status quo do estado americano no sistema internacional (GASPAR, 2008).

A partir de 1945 até 1990, os Estados Unidos buscaram se estabelecer como única hegemonia no cenário internacional, atuando principalmente através da legitimação da força como método de “poder”; isto é, o uso de suas tecnologias bélicas e militares como representação de sua balança de poder. Assim, o país buscou estabelecer múltiplas alianças militares bilaterais com diversos países asiáticos, como Coréia do Sul, Taiwan, Filipinas e Japão, onde estabeleceram um sistema de segurança regional na Ásia Oriental, de modo a atender os seus interesses econômicos e políticos em uma região extremamente estratégica por meio da intensificação da presença das bases militares em países aliados e a sua Marinha nos oceanos Pacífico e Índico (PIRES, 2013). Assim, os Estados Unidos utilizam-se de uma estratégia de offshore balancer (MEARSHEIMER; WALT, 2016) para impossibilitar a formação de uma hegemonia chinesa na região.

Ao longo dos anos, os EUA vêm atuando ativamente na repressão de surgimentos de possíveis  potências regionais que confrontam a hegemonia norte-americana, de forma a contrabalancear e conter o surgimento de qualquer poder regional contrário aos seus interesses. Assim, os EUA atuavam principalmente em conflitos históricos como o combate ao comunismo no arquipélago de Taiwan e na Coreia do Sul, a Guerra do Vietnã (1955-1975), na criação de blocos e fóruns econômicos como a Associação das Nações do Sudeste Ásiatico (ASEAN, sigla em inglês)  e a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, em inglês). Todos esses envolvimentos das forças norte-americanas são uma exemplificação da estratégia adotada  pelo país em relação à ascensão da China.

Durante o governo de Barack Obama (2009-2017) foi possível analisar um período no qual houve um maior direcionamento militar e estratégico para a região Ásia-Pacífico (PIRES, 2013), visando uma planejamento de longo prazo no que diz respeito ao estabelecimento definitivo do estado norte-americano como liderança mundial. Essa aproximação estadunidense na região pacífica da Ásia tornou-se excessivamente importante para a contenção do expansionismo militar e econômico da China nos entornos de seus países vizinhos, os quais vivem em constante tensões devido à disputa de posses de arquipélagos e demarcações de águas territoriais no Mar da China Meridional. Desse modo, ao incentivar factíveis conflitos entre os países no Sudeste Asiatico, os Estados Unidos detém, temporariamente, a expansão tecnológica, industrial e bélica chinesa regionalmente.

Através de uma reinserção no cenário internacional por intermédio de uma diplomacia cooperativa entre os seus países vizinhos, a China vem atuando ativamente como uma das principais potências mundiais, participando de fóruns e instituições internacionais e regionais, de modo a expandir e fortalecer o seu mercado consumidor, ampliando ainda mais a sua influência e crescimento no sistema internacional (GASPAR, 2008). Tal ascensão chinesa possibilitou uma maior  centralidade da política externa norte-americana voltada à Ásia, de modo a cercear a influência chinesa na região que se tornou de extrema relevância estratégica e econômica para os Estados Unidos.

Além de exercícios militares realizados em conjunto com alguns países do Sudeste Asiático, os Estados Unidos da América apresentam, também, um grande número de bases militares na Ásia, sendo em sua grande maioria no Japão, Austrália, Coreia do Sul e mais recentemente nas Filipinas – que totalizam 9 bases militares apenas no país – (A REFERÊNCIA, 2023), localizadas próximas do arquipélago de Taiwan, instigando uma tensão ainda maior entre China e Estados Unidos.

Assim, a presença militar norte-americana na Ásia e as constantes tensões com a China, pode ser compreendida através da Teoria Neorrealista das Relações Internacionais, vertente esta que busca debater acerca das interações entre os Estados como atores principais do sistema internacional e o modo como esses atores buscam garantir a sua segurança internacional por meio do seu poderio militar de modo a assegurar os seus interesses no sistema anárquico (REIS, 2019).

Segundo o conceito de Realismo Ofensivo do professor de Relações Internacionais na Universidade de Chicago, John J. Mearsheimer, os Estados estão em busca constante de maximizar o seu poder de modo a garantir a sua sobrevivência no Sistema Internacional. Assim, no contexto do expansionismo militar norte-americano na Ásia, pode-se compreender que os EUA, como uma grande potência, está agindo de acordo com os seus interesses na região da Ásia-Pacifico, isto é, garantindo a manutenção do status quo de hegemonia mundial evitando que haja o crescimento de potências regionais, como a China, que coloque em risco a sua segurança nacional e os seus interesses militares e econômicos em uma região extremamente estratégica para a economia global.

Desta forma, conclui-se que a presença militar estadunidense na Ásia advém de questões econômicas, bélicas e principalmente hegemônicas, haja vista que os Estados Unidos da América buscam assegurar a sua segurança nacional e a liderança mundial mediante ao surgimento de grandes potências como a China.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHINA projeta “conflito geopolítico” devido à presença militar dos EUA nas Filipinas.  A Referência, 2023.Disponível em: https://areferencia.com/asia-e-pacifico/china-projeta-conflito-geopolitico-devido-a-presenca-militar-dos-eua-nas-filipinas/. Acesso em: 26 mai. 2023.

GASPAR, Carlos. Os Estados Unidos e a transformação da Ásia. Relações Internacionais, v. 19, p. 119-134, 2008.

LIMA, Leticia; CHIOZZO, Vitor. Pivot para a Ásia: uma análise da política externa dos EUA e seu legado. História Militar, Rio de Janeiro, Ano XI, n. 26, p. 24-36, nov. 2019.

MEARSHEIMER, John J; WALT, Stephen M. The Case for Offshore Balancing: A Superior U.S. Grand Strategy. Foreign Affairs, 2016. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/articles/united-states/2016-06-13/case-offshore-balancing . Acesso em: 26 mai. 2023.

OLIVEIRA, Amaury Porto. Política Externa. 2013. Artigo – Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais, São Paulo. Disponível em: https://ieei.unesp.br/portal/wp-content/uploads/2013/05/Politica-Externa-21-04-Amaury-Porto-Oliveira.pdf. Acesso em: 26 mai. 2023.

PIRES, Marcos Cordeiro. Desenvolvimento Pacífico Chinês frente à estratégia de um século americano no Pacífico. Brazilian Journal of International Relations, v. 2, n. 3, p. 463-462, 2013.

REIS, Isabele. Realismo Ofensivo – John J. Mearsheimer. Internacional da Amazônia, 2019. Disponível em: https://internacionaldaamazonia.com/2019/07/02/realismo-ofensivo-john-j-mearsheimer/ . Acesso em: 26 mai. 2023.