
Mateus Roger Cruz Dudek – acadêmico do 1° semestre de Relações Internacionais da Unama
No que concerne a debates da atualidade, percebe-se uma inquietação da sociedade na questão das inteligências artificiais e principalmente ao que diz respeito ao insigne chat GPT, mecanismo esse capaz de responder desde simples perguntas a até mesmo criar artigos inteiros, formentando discussões acerca do uso dessa tecnologia e de sua legitimidade.
Disponibilizado para o público em meados de novembro de 2022 e desenvolvido pelo laboratório de pesquisa “OpenAI”, o programa que hoje conta com mais de 100 milhões de usuários diverge opiniões entre aqueles que o apoiam, vendo seus incontáveis benefícios, e aqueles que confrontam sua existência, tendo em vista seu lado negativo e de que forma a tecnologia em questão poderá configurar um problema futuro de cunho mundial. A inteligência artificial utiliza a mecânica de Generative Pre-trained Transformer (Transformador pré-treinado generativo), sendo isso a forma como a partir de uma linguagem simples usada pelo usuário, o chatbot consegue “interpretar” e gerar uma resposta (FOLETTO, 2023).
Nesse contexto, ao falar sobre as vantagens do uso dessa invenção, enxerga-se que conforme a revista Forbes (2023) afirma, com o Chat GPT é possível melhorar o serviço de atendimento a clientes, visto que diferentemente de outras inteligências artificiais, esta possui a capacidade de entender a queixa ou dúvida enviada independente da forma que é escrita, situação que nem sempre podia ser vista anteriormente com outros mecanismos de atendimento virtual, sabendo que, muitas vezes, era necessário que fossem usadas palavras chave ou opções específicas disponibilizadas. Outrossim, uma das principais características que tornam o Chat GPT uma tecnologia tão avançada é a habilidade de aprender e se desenvolver conforme é utilizado pela sociedade, configurando desta maneira um processo de constante aprimoramento, sendo esse muito bem visto pelas empresas que buscam aperfeiçoar sua qualidade e atendimento.
Entretanto, como mencionado anteriormente, a tecnologia em foco gerou debates e discussões acerca de seu uso, benefícios e malefícios. Diante dessa perspectiva, é válido entender que dentre os malefícios que as inteligências artificiais apresentaram e podem vir a apresentar novamente, destaca-se a perpetuação de estigmas e preconceitos, como pôde ser visto com a inteligência desenvolvida pela Microsoft, “Tay”, a qual após passar algum tempo coletando dados da rede social Twitter, realizou comentários racistas, sendo um deles se referir a Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, por termos racistas (HUNT, 2016). Além disso, nota-se que o racismo e preconceito destilados pelas IA não são as únicas problemáticas que devem ser enfrentadas, tendo em vista que há também a questão da substituição do homem pela máquina que vem ocorrendo de maneira evidente nos últimos tempos.
Em seu vasto estudo, Karl Marx (1994), renomado filósofo, sociólogo e economista nascido na Prússia, atual Alemanha, analisa a relação entre o trabalho morto, o capital, e o trabalho vivo, a mão de obra, afirmando que a tecnologia e o capital atuam como agentes fundamentais para a depreciação do trabalhador e elevando seu status a uma condição de superfluidade para a indústria capitalista. A máquina, ou nesse caso, o Chat GPT ou inteligência artificial, substitui o trabalhador real e humano, já que ela além de apresentar maior eficiência, é mais rentável a longo prazo. Dessa maneira, a partir de uma visão fundamentada no marxismo, afirma-se que na sociedade capitalista desenvolvida hodiernamente, o trabalhador encontra-se dominado e à mercê da tecnologia, gerando assim uma instabilidade social.
Portanto, conclui-se por fim entendendo que a era das inteligências artificiais e o Chat GPT não precisam ser temidos, mas sim regulados e controlados buscando minimizar os malefícios e impactos negativos na sociedade atual.
ARAÚJO, Wecio Pinheiro, Marx e a indústria 4.0: trabalho, tecnologia e valor na era digital. 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rk/a/kQHYDzr9wpjWSMWjhpQGnWd/ – Acesso em: 22 de junho de 2023.
FOLETTO, Leonardo, ChatGPT e a disputa pelo controle do conhecimento. 2023. Disponível em:
https://outraspalavras.net/outrasmidias/chatgpt-e-a-disputa-pelo-controle-do-conhecimento/ – Acesso em: 16 de junho de 2023.
LADIPO, Sarah, The Risks of GPT-3: What Could Possibly Go Wrong?. 2022. Disponível em: https://www.datarobot.com/blog/the-risks-of-gpt-3-what-could-possibly-go-wrong/ – Acesso em 17 de junho de 2023.
HUNT, Elle. Tay, Microsoft’s AI chatbot, gets a crash course in racism from Twitter. 2016. Disponível em: https://www.theguardian.com/technology/2016/mar/24/tay-microsofts-ai-chatbot-gets
-a-crash-course-in-racism-from-twitter – Acesso em: 18 de junho de 2023.
KANASHIRO, Marta M. ChatGPT: o que não está se debatendo. 2023. Disponível em:
https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/chatgpt-o-que-nao-esta-se-debatend o/ – Acesso em 16 de junho de 2023.
MORGAN, Blake. Pros Of ChatGPT for Customer Experience. 2023. Disponível em:
https://www.forbes.com/sites/blakemorgan/2023/04/26/pros-of-chatgpt-for-customer-experience/?sh=1fc7bb6d513f – Acesso em 17 de junho de 2023
