
Cristine Oliveira, acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais
Ficha técnica:
Ano: 2023
Diretor: Greta Gerwig
Distribuidora: Warner Bros.
Gênero: Aventura. Comédia.
Países de origem: Estados Unidos
O sucesso de bilheterias “Barbie”, acompanha a história da Barbie estereotípica, ela tem a vida perfeita na Barbieland, está sempre feliz e o mais importante, sem as preocupações do mundo real. No entanto, algo inesperado acontece, e ela passa a questionar a vida que leva e tudo ao seu redor, ocasionando em uma crise existencial.
A trama inicia mostrando a perfeição de plástico que é viver na Barbieland, uma cidade fantasiosa, sem preconceitos, machismo e que as bonecas acreditam ter solucionado todos os problemas das mulheres do mundo real, desde que foram criadas. A Barbie Estereotípica é a clássica Barbie, aquela que imaginam quando o nome Barbie é mencionado e tudo vai incrivelmente bem, até que os primeiros sinais de que algo de errado está ocorrendo começam a aparecer, os pensamentos de morte, o cabelo bagunçado, os pés retos, todos esses problemas indicam que a barreira entre a realidade e o mundo de plástico está enfraquecendo, por esse motivo, a protagonista pede ajuda para a Barbie Esquisita, a qual é a única que pode ajudá-la.
Sem muito poder de escolha, Barbie vai ao mundo real, juntamente com Ken, tentar solucionar o problema que está afetando a Barbieland. Ao se deparar com a realidade, ela se surpreende ao perceber que as bonecas não solucionaram todos os problemas do mundo e não ocupam tantos cargos de liderança, quanto em sua realidade, consequentemente, a Barbie Estereotípica não é mais uma imagem de empoderamento feminino, como ela imaginava e sim uma mulher comum que sofre as consequências de uma sociedade patriarcal. Enquanto isso, Ken, que até então se via na sombra da Barbie, passa a perceber que ele é muito mais visto e possui privilégios no mundo real, eufórico com sua descoberta ele volta para a Barbieland determinado a ensinar aos Kens, tudo que aprendeu sobre o patriarcado.
A partir das temáticas expostas no longa-metragem, é possível analisá-lo à luz da Teoria Feminista das Relações Internacionais. Segundo a teórica J. Ann Tickner (2001, p.15 apud Monte, 2013) as normas da masculinidade, influenciam na formação das identidades e consequentemente no comportamento dos Estados. A masculinidade hegemônica, termo cunhado pela teórica, define como o modelo ocidental de masculinidade, baseado em comportamentos agressivos, competitivos e de autoafirmação, equiparam-se ao comportamento estatal, em contra partida, as mulheres, historicamente, estão mais ligadas ao comunitário e não à hierarquização (Monte, 2013). Dessa forma, é possível notar a relação de cooperação entre as personagens do filme, com a abordagem de Tickner, sobre como os diferentes processos de socialização influenciam no comportamento dos indivíduos.
Em conclusão, a jornada da Barbie, no filme, atravessa questões como gênero, representatividade, feminismo, patriarcado e machismo. A trama envolve o espectador com a surrealidade da Barbieland, se utiliza da metalinguagem e do humor satírico para criticar a sociedade, sem deixar de lado o aspecto emocional e delicado de abordar temas mais sensíveis que afetam as mulheres, como também, demonstra a forma com que os homens são atingidos pela sociedade patriarcal. Por isso, a obra traz importantes reflexões para a sociedade, podendo ser analisada também por uma perspectiva Feminista das Relações Internacionais.
Referências:
MONTE, Izadora Xavier do. O debate e os debates: abordagens feministas para as relações internacionais. Revista Estudos Feministas, v. 21, p. 59-80, 2013.
