
Tiago Callejon Santos – acadêmico do 8° semestre de Relações Internacionais da Unama
No início da década de 2000, mais precisamente em 2001, o autor e economista-chefe da Goldman Snachs, Jim O’Neil, realizou um estudo no qual ele abordava novas categorias de estudo para a política internacional e para a economia internacional o qual passariam a ser integradas por alguns países emergentes que estavam ganhando relativa influência no Sistema Internacional, sobretudo nos meios políticos, econômicos e militares, o qual passaria a se chamar de BRIC’s a posteriori.
Tal nomenclatura refere-se ao grupamento de 4 países inicialmente, compostos por Brasil, Rússia, Índia e Rússia, pois este grupamento específico, conforme os estudos de O’Neil, durante o início da década de 2000, passaram a exercer um enorme peso econômico na economia mundial, com foco nos anos entre 2003 e 2007, aonde o crescimento desses 4 países representou, nesta referida época, 65% de expansão do PIB mundial, aonde, em 2003, esse grupamento representava cerca de 3% de todo o PIB mundial, e este valor aumentou para 9% no ano de 2009 (IPEA, 2014).
Devido a estes números, gradativamente este grupamento passou a se organizar efetivamente enquanto um bloco econômico-político, propriamente em 2006, e conforme tal passou a ganhar mais destaques e relevâncias no Sistema Internacional e, com o passar do tempo, passou a adotar mais membros em sua concepção, aumentando a força do bloco e a sua jurisdição.
No ano de 2011, o bloco que se chamava apenas de BRIC passa a ser os BRICS, pois a África do Sul passou a ingressar naturalmente no bloco por ocasião da 3º cúpula dos BRICS e, portanto, começou a integrar nas dinâmicas que eram próprias do bloco nas competências geopolíticas internacionais. Esse foi, de fato, um fator interessante, pois a África do Sul é um país que detém menor destaque em termos de economia, território e população quando comparado aos outros 4 membros (RIBEIRO; MORAES, 2015), o que não pareceu ser algum impeditivo para eles, pois ingressarem devidamente ao bloco e atuam notoriamente no jogo geopolítico que os BRICS propunham a aparecer.
Mas, afinal, qual a importância dos BRICS e a sua relevância hoje? Segundo Pandey (2023), os países-membros dos BRICS representam 42% de toda a população mundial existente hoje, além de serem responsáveis por aproximadamente 25% de todo o PIB mundial e por 18% do comércio global. Ademais a estes números brutos, o mesmo autor expõe que a existência dos BRICS inspira uma certa competitividade no Cenário Internacional, pois eles batem de frente com outros grupamentos internacionais formidáveis e que possuem grande retrospecto e bagagem, em determinados aspectos, ao próprio Sistema Internacional, como o G7, por exemplo.
Não é por menos que os BRICS já se tonaram responsáveis por algumas conquistas consideráveis em termos políticos e econômicos em caráter internacional, como por exemplo no seus feitos para a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, por isso comumente eles estão em destaque e vigência, o que acaba por lhes gerar como efeito o interesse de outras nações em poder ingressar ao bloco e torná-lo mais forte.
De fato, sob esta perspectiva é que no dia de 24 de Agosto de 2023 os BRICS expandiram o seu próprio bloco e passaram a integrar 6 novos países a si mesmo, sendo eles: Arábia Saudita, Argentina, Etiópia, Emirado dos Árabes Unidos, Egito e Irã (BBC, 2023), aonde passarão a serem membros efetivos em 1º de Janeiro de 2024.
Alguns analistas e cientistas políticos estipulam que essa decisão de aumentar os integrantes ao bloco se deve ao fato desses países terem por objetivo diminuir o isolamento e a dependência das nações aos EUA e à Europa, tornando os processos políticos entre os Estados mais dinâmicos. Isso se deve por alguns fatores, entre eles destaca-se o desgaste do Ocidente com as crises provenientes da guerra russo-ucraniana (BBC, 2023)
Em termos de números brutos, já se destaca mudanças significativas às constituições próprias dos BRICS, pois segundo as especulações, com a entrada destes novos membros, os BRICS compreendem 46% da população mundial e passariam a representar cerca de 36,6% do PIB mundial (MAIA, 2023), destacando a curto prazo toda a reverberação que esse bloco compreende às relações internacionais hodiernamente.
Em sentidos próprios e técnicos à própria importância dos BRICS, deve-se destacar a figura de James N. Rosenau, cientista político norte-americano, o qual foi responsável por contribuir às teorias de Relações Internacionais com a conceituação de Governança Global.
Segundo Rosenau, a Governança Global caracteriza-se pela imanente necessidade de cooperação oriunda do Sistema Internacional que não se sustenta, de maneira eficiente, apenas pela atuação dos Estados. Isto é, como o mundo globalizado possui diversas complexidades que são próprias de suas dinâmicas, outros meios de gestão organizacional são necessários para difundir a resolução de problemáticas que decorrem do Sistema Internacional, ou seja, há a necessidade de que atores estatais e não-governamentais possam intensificar e moldar esses processos.
Deste modo, a caracterização do bloco dos BRICS, segundo as referências teóricas do autor são válidas, pois se comportam como um meio político necessário no qual apenas os Estados seriam insuficientes de suprir. Portanto, sob esta perspectiva, a criação e a eventual expansão dos BRICS demonstram-se benéficos para o mundo, pois competem em benefícios a longo prazo que fomentarão novas dinâmicas e relações orgânicas entre os Estados e as suas estruturas.
Referências:
Conheça os BRICS. IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Rio de Janeiro, Brasil, 2014. Disponível em https://www.ipea.gov.br/forumbrics/pt-BR/conheca-os-brics.html
RIBEIRO, Elton Jony Jesus; MORAES, Rodrigo Fracalossi de. De BRIC a BRICS: como a África do Sul ingressou em um Clube de Gigantes. Scielo, Brasil, 2015. Disponível em https://www.scielo.br/j/cint/a/FdC8BWPWfwwbzq5Zc7LqBQd/?lang=pt#
PANDEY, Ashutosh. De poder a moeda comum: por que tantos países querem aderir aos Brics? UOL Brasil – área Internacional. 23 de Agosto de 2023, Brasil. Disponível em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2023/08/23/de-poder-a-moeda-comum-por-que-tantos-paises-querem-aderir-ao-brics.htm
MAIA, Mateus. BRICS anuncia expansão com 6 novos países. Poder 360; Atualização em 25 de Agosto de 2023, Brasil. Disponível em https://www.poder360.com.br/internacional/brics-anuncia-expansao-com-6-novos-paises/
ARAÚJO, Izabela Viana de. A governança global e a atuação de redes internacionais de cidades. Scielo Brasil; São Paulo, Brasil, 2011. Disponível em http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=MSC0000000122011000200031&lng=en&nrm=iso RUAS, Adriana Andrade. A GOVERNANÇA GLOBAL COMO INSTRUMENTO DE LEGITIMAÇÃO DAS DECISÕES INTERNACIONAIS.; Intercursos Revista Científica – Ciências Humanas; UEMG, Unidade Ituiutaba. Brasil, 2016. Disponível em file:///C:/Users/felip/Downloads/mcecilia,+Journal+manager,+A+GOVERNAN%C3%87A+GLOBAL+COMO+INSTRUMENTO+DE+LEGITIMA%C3%87%C3%83O+DAS+DECIS%C3%95ES+INTERNACIONAIS.pdf
