
Mikhail Alexander – 6º semestre de Relações Internacionais da Unama
Faltando um pouco mais de 100 dias para o conflito entre Rússia e Ucrânia completar dois anos de guerra, muitos ainda são os desdobramentos do combate, tanto para apoiadores da Rússia, quanto da Ucrânia. Com isso, faz-se um recorte de um dos países que está ativamente apoiando a Ucrânia, principalmente com equipamentos militares.
Desde o fim da segunda guerra mundial, a Alemanha deu suporte para alguns conflitos, no entanto, sempre de uma forma não tão direta, como a guerra das Coreias e na guerra do Golfo, e em alguns outros casos, enviou tropas para os locais, como na guerra do Afeganistão e na guerra em Mali. Mas, qual seria o receio da Alemanha em suportar, militarmente, a Ucrânia, no conflito?
Um dos principais motivos para o estopim do conflito, foi a expansão da OTAN pelo leste Europeu, por meio da entrada da Ucrânia na aliança militar, onde existe a forte influência dos Estados Unidos. Influência essa, que reflete principalmente as decisões dos outros países integrantes. Com isso, pode-se ver uma certa relutância por parte da Alemanha, desde o início, em receio por uma escalada da guerra por conta dos equipamentos militares enviados, visto que ‘’A preocupação no início da guerra em alguns cantos da OTAN era que ultrapassar o apoio militar acarretaria o risco de escalar o conflito e possivelmente até introduzir a ameaça de ataques nucleares.’’ (CNN,2023).
Por meio disso, podemos analisar esse apoio ‘’forçado’’ por parte da Alemanha, através da visão de Robert Gilpin, que em seu livro The Political Economy of the International Relations (1987), destaca o papel da teoria da estabilidade hegemônica na política internacional, em que, faz-se necessário uma potência hegemônica, que realize a manutenção do sistema internacional. Logo, vemos uma busca pela regularização da hegemonia estadunidense, em frente ao avanço da influência oriental, tanto pela Rússia quanto pela China. Com isso, temos novamente uma realidade onde os EUA utilizam de sua influência para ir de encontro com a crescente oriental, forçando até mesmo países a se posicionarem.
Não somente isso, mas podemos utilizar de Mearsheimer para explicar a futura mudança de posicionamento da Alemanha. No seu livro The Tragedy of Great Power Politics (2001), aborda-se a teoria do realismo ofensivo, na qual, a busca pelo poder leva os estados a adotarem uma postura ofensiva e a expandir suas influências. Além disso, para se ter uma manutenção do equilíbrio, só é possível através de um estado hegemônico para estabelecer a estabilidade do sistema internacional (MEARSHEIMER, 2001).
Portanto, conseguimos ver que tanto por Gilpin, quanto por Mearsheimer, que mesmo a Alemanha agindo por influência dos outros membros da aliança, principalmente pelos EUA, é necessário ressaltar que os Estados agem por motivações próprias, e que mesmo não sendo tão impactante no conflito, tal cenário pode mudar futuramente.
Referências:
DEUTSCHE WELLE. Alemanha enviará mais €2,7 bilhões em armas para Ucrânia – DW – 13/05/2023. 13 maio 2023. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/alemanha-enviará-mais-27-bilhões-em-armas-para-ucrânia/a-65613109. Acesso em: 24 out. 2023.
GILPIN, Robert. The political economy of international relations. Princeton, N.J: Princeton University Press, 1987. 449 p. ISBN 0691077320.
MEARSHEIMER, John J. The tragedy of Great Power politics. New York: Norton, 2001. 555 p. ISBN 0393020258.
MORAIS DA SILVA, ANA KAROLINA et al. O debate teórico acerca da estabilidade do Sistema Internacional e suas contribuições. OIKOS – REVISTA DE ECONOMIA POLÍTICA INTERNACIONAL, 2020. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/oikos/article/view/52043. Acesso em: 23 out. 2023.
PICHETA, Rob. Germany’s decision to send tanks to Ukraine is a major moment in the war. Here’s how it will change the conflict | CNN. 25 jan. 2023. Disponível em: https://edition.cnn.com/2023/01/25/europe/germany-leopard-tanks-ukraine-impact-explainer-intl/index.html. Acesso em: 24 out. 2023.
