
Gabriela Alves – acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da Unama
Nas últimas décadas, o tema da crise climática passou a integrar as políticas ambientais do Brasil, devido à sua rica biodiversidade e à sua significância ecológica global. O país passou a conceber e administrar iniciativas públicas para enfrentar as alterações e regular eventos climáticos extremos. Análogo a isso, a participação do Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs) sempre foi ativa e construtiva, destacando-se várias dessas reuniões.
Diante desse cenário, a COP 30 destaca um momento histórico em que a Amazônia será palco do maior encontro global para debater as mudanças climáticas. Essa escolha reflete o reconhecimento da importância da maior floresta tropical do mundo na regulação do clima global e na manutenção da biodiversidade, ao mesmo tempo em que enfatiza a necessidade do protagonismo amazônida e dos povos originários que sofrem diretamente com as mudanças do clima estarem envolvidos nas discussões. Nesse sentido, a educação ambiental emerge como um tópico crucial para a COP 30, por além de ser uma ferramenta importante para promover a formação de indivíduos críticos em relação aos desafios e oportunidades das questões climáticas, ela também encontra respaldo nas iniciativas recentes do governo do Pará, o qual anunciou a “Política Pública de Educação para o Meio Ambiente”, que não apenas integra a pauta ambiental ao currículo estadual, mas também oferece apoio financeiro para práticas de sustentabilidade nas escolas. Vista como um passo significativo para conscientizar a população sobre a importância da preservação do meio ambiente e da biodiversidade.
No âmbito das Relações Internacionais a educação ambiental no cenário da COP 30 pode ser analisada sob a perspectiva da teoria construtivista, que tem como premissa básica a ideia de que o mundo é um espaço construído, onde os agentes são os principais protagonistas, resultado das escolhas realizadas. Este mundo em permanente construção é constituído pelo que os construtivistas chamam de “agentes” (NOGUEIRA E MESSARI, p. 162). Segundo o construtivismo, os agentes e as estruturas se constituem mutuamente, de modo que os interesses e as ações são influenciados pelas estruturas normativas que eles mesmos criam e recriam.
Nesse sentido, a educação ambiental pode ser vista como um processo de construção de conhecimento intersubjetivo sobre os problemas e as soluções relacionados às mudanças do clima, que afeta tanto os agentes quanto às estruturas nas relações internacionais. Também pode-se citar o conceito de norma, que pode ser definida como uma regra ou um padrão de comportamento esperado, aceito ou obrigatório pelos agentes em uma determinada situação.
Visto que a educação ambiental pode contribuir para a formação, a difusão e a internalização de normas ambientais nas relações internacionais, que podem orientar os agentes para a cooperação e a responsabilidade na busca de soluções para a mudança do clima, promovendo o reconhecimento da interdependência e da vulnerabilidade dos agentes diante dos efeitos da mudança do clima, bem como da necessidade de ação coletiva para enfrentá-los, podendo também estimular a participação e o engajamento dos agentes nas discussões e nas decisões sobre as políticas e as medidas a serem adotadas na COP 30, que pode auxiliar o Brasil a construir uma imagem positiva perante o sistema internacional, influenciando as suas relações de cooperação e de conflito.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADLER, Emanuel. O construtivismo no estudo das relações internacionais. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, n. 47, p. 201–246, 1999. Disponível em:https://www.scielo.br/j/ln/a/wtb8YfCjS5T3NsL4ZXtHnRR/# . Acesso em: 13 nov. 2023.
BARBOSA, Gabriela. O Construtivismo e Suas Versões no Estudo das Relações Internacionais. V Congreso Latinoamericano de Ciencia Política. Asociación Latinoamericana de Ciencia Política, Buenos Aires, 2010. Disponível em:https://cdsa.aacademica.org/000-036/340.pdf Acesso em: 14 nov. 2023.
POLÍTICA LIVRE. Helder Barbalho tornará educação ambiental disciplina obrigatória nas escolas estaduais do Pará. Disponível em: https://politicalivre.com.br/2023/06/helder-barbalho-tornara-educacao-ambiental-disciplina-obrigatoria-nas-escolas-estaduais-do-para/#gsc.tab=0 Acesso em: 14 nov. 2023.
