
Fabiana Barros, acadêmica do 5º semestre de Relações Internacionais
O passaporte musical dessa semana é sobre Gaby Amarantos, artista independente paraense que ocupou os holofotes do cenário musical brasileiro e mundial, contribuindo para o protagonismo nortista no país.
Gaby Amarantos nasceu no ano de 1978, no bairro do Jurunas em Belém do Pará, filha de ribeirinhos que se mudaram para a capital visando qualidade de vida (Amarantos), Gaby fala de suas origens com muito orgulho, essas que são retratadas em sua arte.
A cantora iniciou a carreira em 1996, quando começou a fazer shows, e atualmente se consolida como uma relevante personalidade da cena musical brasileira, a exemplo disso, tem-se o Grammy Latino conquistado em 2023, na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa”, com sua criação mais recente, o álbum “Tecnoshow”, que inclui músicas do ritmo tecnobrega, originado em Belém do Pará (Narcisa, 2023).
Enquanto realizava o discurso de agradecimento pela vitória na premiação, Gaby citou que é uma artista de origem amazônica que produz música de maneira independente, refletindo a periferia de Belém do Pará que é inerente às suas criações, além disso, a cantora utilizou o destaque para dedicar o prêmio a todas as mulheres negras do Brasil (Narcisa, 2023). Ademais, junto à luta pela visibilidade amazônida e do movimento negro, Gaby também é defensora do avanço dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+ (Amarantos).
Assim, a forma como Gaby Amarantos utiliza seu protagonismo para representar a região amazônica e a cultura periférica de Belém do Pará no cenário musical pode ser interpretada a partir da teoria decolonial das Relações Internacionais por meio do termo “colonialidade do poder”, criado em 1989 pelo sociólogo peruano Anibal Quijano, pois, para Quijano (2000, p. 343 apud Ballestrin, 2013), as dinâmicas do sistema colonial não sumiram com o fim do colonialismo, uma vez que, as estruturas de dominação permanecem na atualidade e não há modernidade sem colonialidade.
De fato, a multiartista Gaby Amarantos simboliza a resistência amazônica em meio às opressões enfrentadas pela região norte no que diz respeito à visibilidade no próprio país, mesmo que, a artista represente apenas uma realidade dentro das diversas possibilidades de vivência dentro da vasta região norte, sua presença é importante para que mais vozes amazônidas sejam escutadas.
REFERÊNCIAS
BALLESTRIN, L. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 11, p. 89–117, 1 ago. 2013.
Bio – Gaby Amarantos. Disponível em: <https://amarantos.com.br/?page_id=105>. Acesso em: 2 jan. 2024.
NARCISA, T. Gaby Amarantos vence Grammy Latino na Espanha: “Quero dedicar a todas as mulheres negras do Brasil”. Disponível em: <https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2023/11/16/gaby-amarantos-vence-o-grammy-latino-na-espanha-agradeco-a-todo-povo-de-belem-do-para-viva-o-tecnobrega.ghtml>. Acesso em: 2 jan. 2024.
