
José Manoel Scerni Vieira – Acadêmico do 3° Semestre de Relações Internacionais da UNAMA
O Dia Internacional em Homenagem às Vítimas do Holocausto é uma data especial que, todo ano, em 27 de janeiro, faz justiça ao lembrar de uma das maiores atrocidades cometidas na história da humanidade.
Proclamada oficialmente pela Assembleia Geral das Nações Unidas em novembro de 2005, a data faz referência ao aniversário da libertação dos prisioneiros do campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau por tropas soviéticas e tem o intuito de instigar a reflexão e garantir que o mundo não esqueça essa tragédia como. Ao longo dos anos, a data evoluiu para além de uma mera lembrança histórica, transformando-se em um apelo constante à tolerância e à promoção dos direitos humanos. A importância dessa data transcende fronteiras, destacando-se como um símbolo universal de repúdio à intolerância e à discriminação. (UNESCO, 2023)
A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) desempenha um papel fundamental nesse processo, trabalhando incansavelmente para garantir que as gerações futuras compreendam as ramificações éticas e sociais do Holocausto e publicou um livro no intuito de guiar como deve ocorrer a educação referenciada ao Holocausto, sendo o livro intitulado de “Educação sobre o Holocausto e para a prevenção do genocídio” (2019). No livro é referenciado o trabalho da organização, que busca sensibilizar as mentes das pessoas para a necessidade de respeitar a diversidade e cultivar uma consciência crítica diante das injustiças.
Em meio a um dos maiores conflitos globais que a humanidade já viu, uma série de brutalidades marcaram a história e todas as gerações posteriores, já que de acordo com dados cedidos pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos seis milhões de judeus foram mortos no período em meio a um discurso de intolerância dos nazistas que defendia a ideia de uma “raça superior” e argumentavam que todos que se diferenciavam disso poderiam ser massacrados e humilhados. Todos esses eventos são motivo de reflexão em uma era onde “lembrar para não esquecer” é o discurso dominante. (Holocaust Encyclopedia, 2019)
Tendo isso em vista, a campanha “WeRemember” do Congresso Judaico Mundial aparece como uma das mais notáveis demonstrações de luta, onde a ideia de engajar as pessoas a demonstrar apoio através das redes sociais se mostrou eficiente para alcançar o claro objetivo da ação: honrar as vidas perdidas no viés de fazer a humanidade progredir, para que nada parecido volte a acontecer. (World Jewish Congress, 2023)
Como já mostrado, a luta pela educação em relação ao Holocausto é ampla e vai muito além do dia 27 de janeiro em um esforço que se mostra importante a cada dia, especialmente diante da maior recorrência de grupos nazifascistas em atuação no Brasil. O diretor para a América Latina do Centro Simon Wiesenthal, uma importante organização na luta pelos direitos humanos e educação sobre o Holocausto, atribui esse fenômeno a recentes governos de extrema direita, como no caso do Brasil com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ou de Donald Trump nos Estados Unidos, acusando-os de terem alianças próximas ao nazifascismo (BBC, 2023).
A filosofia de Rousseau traz luz ao papel da educação quando relacionado ao contexto do genocídio cometido por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial e do Dia Internacional em Homenagem às Vítimas do Holocausto. No livro “Emílio ou Da Educação”, Rousseau realiza um estudo onde ele julga a formação do indivíduo como um tema crucial nos esforços para uma sociedade ideal.
Já no âmbito das Relações Internacionais, ele é considerado um teórico Idealista Clássico, compartilhando uma visão otimista de uma sociedade justa e pacífica, alinhando-se a outros autores (Gilberto Sarfati, 2005). A criação da data se relaciona com os teóricos Idealistas Clássicos, principalmente Rousseau, já que também utiliza de uma abordagem utópica para lidar de forma eficaz com os traumas sofridos.
Em conclusão, o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas do Holocausto aparece como uma das principais ferramentas na luta pelo não esquecimento das brutalidades ocorridas e para instigar as pessoas a refletir sobre a intolerância, os direitos humanos e a educação. O incessantes esforços de educar dobre o assunto revelam a complexidade de lidar com os traumas do Holocausto.
Em meio aos desafios contemporâneos, a luta pela educação e contra grupos nazifascistas destaca a necessidade contínua de enfrentar o passado para construir um futuro mais justo e compassivo. Ao recordarmos as vítimas, buscamos não apenas honrar suas vidas, mas também promover um mundo onde atrocidades como o Holocausto nunca se repitam.
Referências:
BRAUN, Julia. ‘Há um renascimento de grupos neonazistas no Brasil’ diz diretor de fundação judaica. BBC News Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9wdd7kx1n8o Acesso em: 15 fev. 2024.
Dia Internacional de Comemoração em Memoria das Vítimas do Holocausto. UNESCO, 2023. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/days/holocaust-remembrance
Acesso em: 15 fev. 2024.
Educação sobre o Holocausto e para a prevenção do genocídio: Guia de Políticas. Paris, Franca: UNESCO, 2019.
Documentando o número de vítimas do holocausto e da perseguição nazista. Holocaust Encyclopedia. 2019. Disponível em: https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/documenting-numbers-of-victims-of-the-holocaust-and-nazi-persecution
Acesso em: 15 fev. 2024.
Join the #WeRemember Campaign. World Jewish Congress, 2023. Disponível em: https://weremember.worldjewishcongress.org/
Acesso em: 15 fev. 2024.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou Da Educação. Editora Bertrand Brasil, 1992.
SARFATI, Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2005.
