Alice Cardoso – acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais da Unama

No dia 13 de janeiro deste ano, foi eleito o novo presidente de Taiwan, Lai Ching-te, atualmente vice-presidente do Partido Democrático Progressista (DPP), que tomará a posse a partir de maio (CNN, 2024). Lai venceu a disputa presidencial com cerca de 40,1% dos votos populares e, com isso, seu partido garantiu a vitória pela 3º consecutiva (Carta Capital, 2024). Lai tinha como seu maior adversário durante a corrida presidencial o candidato Hou Yu-ih do partido Kuomentang (KMT) que tinha pretensões mais alinhadas a Pequim. (CNN, 2024)

Além de eleger um novo presidente os taiwaneses também mudaram o parlamento e o partido com mais assentos, 52, foi o Kuomentang opositor do partido do próximo presidente Lai que ficou com 51 assentos; parlamento também conta com mais 8 assentos do Partido Popular de Taiwan (PPT) e 2 de independentes.

O novo presidente se comprometeu a continuar as politicas estabelecidas por sua antecessora, Tsai Ing-wen, que fortaleceu as forças armadas taiwanesas e fortaleceu os laços com outros países como Estados Unidos. Além disso também tem pretensões de melhorar a economia e a política interna do país. (Carta Capital, 2024)

Lai Ching-te diz estar disposto a manter uma relação diplomática com a China, mas também alega que as eleições mostraram ao mundo a vontade e o compromisso de Taiwan com a democracia e que, portanto, fará o necessário para salvaguardar a independência de Taiwan mediante as constantes ameaças chinesas em relação a ilha. (CNN, 2024)

As tensões entre o governo chinês e Lai são antigas e ao que tudo indica se prologarão durante o mandato do presidente. A mídia e o governo chinês fazem constantes comentários sobre Lai o repreendendo e alegando que o mesmo é um separatista que acabará por causar uma guerra, ao passo que rejeitam as ofertas de negociações propostas pelo novo presidente. Horas após a confirmação da vitória de Lai Ching-te o Gabinete de Assuntos de Taiwan declarou que rejeita os resultados das relações na ilha e que o mesmo não representaria a opinião pública dominante de Taiwan. No entanto, tal alegação não seria verídica já que menos de 10% dos taiwaneses apoiam atualmente a unificação da ilha com a China e apenas 3% se identificam com os chineses.  (CNN, 2024)

A rejeição do governo chinês ao novo presidente demonstra como serão as próximas interações entre ambos. A China pretende incorporar novamente Taiwan ao seu território e o porta-voz do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Chen Binhua, afirmou que o governo se opõe a qualquer atividade separatista que visem a independência de Taiwan. (Exame, 2024)

Taiwan e a China estão separados desde 1949, mas atualmente apenas 13 Estados reconhecem oficialmente a independência do país, isso se dá em grande parte devido à forte influência da China que exige que os países que mantem relações com Taipé não tenham laços com Pequim. (Carta Capital, 2024)

Taiwan é muito visada devido a sua posição estratégica entre o Mar da China Meridional e o Oceano Pacífico e, principalmente, por sua indústria de semicondutores avançados que são componentes cruciais para o funcionamento de carros, misseis, celulares, dentre outros dispositivos importantes que mantem o mundo funcionando. (Jornal do Comércio, 2024)

A teoria Westfaliana, baseada nos princípios do Tratado de Westfália estabelecido em 1648, conceitua a respeito da soberania estatal sob a qual todos os Estados são considerados politicamente iguais, tendo o direito de governar seus assuntos internos sem intervenção externa. Sendo assim, podemos então analisar que o novo presidente de Taiwan, Lai Ching-te tenta assegurar a soberania estatal, estabelecida entre os países pelo Tratado de Westfália, de seu território, ao mesmo tempo que as ações chinesas ferem o princípio de Westfalia.

Por fim, concluísse que a nova presidência de Taiwan visa fortalecer e afirmar a soberania de seu território, segundo os princípios do tratado de Westfalia, e a parti disto melhorar a economia a politica de seu país, porém terá de lidar tanto com as constantes ameaças da China que busca incorporar novamente a ilha ao seu território e se recusa a admitir a sua independência, bem como com as ambições globais de possuir os semicondutores produzidos pelo país.

Referências:

Novo presidente de Taiwan promete proteger a ilha de ameaças da China. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/mundo/novo-presidente-de-taiwan-promete-proteger-a-ilha-de-ameacas-da-china/&gt;. Acesso em: 6 fev. 2024.

Novo presidente de Taiwan terá desafios nas relações com China e EUA. Disponível em: <https://www.jornaldocomercio.com/internacional/2024/01/1139162-novo-presidente-de-taiwan-tera-desafios-nas-relacoes-com-china-e-eua.html&gt;. Acesso em: 6 fev. 2024.

Paz de Westfália: o marco das Relações Internacionais. Disponível em: <https://www.politize.com.br/paz-de-westfalia/&gt;. Acesso em: 6 fev. 2024.

Presidente eleito de Taiwan promete defender independência, mas acena à China. Disponível em: <https://exame.com/mundo/presidente-eleito-de-taiwan-promete-defender-independencia-mas-acena-a-china/&gt;. Acesso em: 6 fev. 2024. ‌Quem é Lai Ching-te, o novo presidente de Taiwan? Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/quem-e-lai-ching-te-o-novo-presidente-de-taiwan/#:~:text=No%20s%C3%A1bado%20(13)%2C%20Lai&gt;. Acesso em: 6 fev. 2024.