Maysa Lisboa

5° semestre de relações internacionais

O passaporte musical desta semana é em tema carnavalesco, sobre a icônica Carmen Miranda, notável cantora, atriz e dançarina brasileira, conhecida mundialmente como “Brazilian Bombshell” (brasileira sexy ou atraente) e carinhosamente chamada de “A Pequena Notável” devido à sua estatura, mas destacando-se por sua interpretação e caracterização, tornando-se uma figura de relevância ao desempenhar um papel na formação de percepções culturais e na promoção da imagem do Brasil no cenário mundial, graças à sua abordagem inovadora e carisma a tornam única na história da música e do entretenimento internacional.

“Sou brasileira; apenas nasci em Portugal”, afirmava Maria do Carmo Miranda da Cunha. Nascida em 1909 em Canaveses, Portugal, ela chegou ao Brasil com menos de um ano de idade. Residindo na Lapa, no Rio de Janeiro, onde se aproximou da música, moldando suas futuras referências estéticas.

Em 1929, foi apresentada ao compositor e violonista Josué de Barros, que a inseriu em teatros e clubes, e em 1930 promoveu a sua entrada musical na “Rádio Sociedade”. Seu primeiro disco foi lançado e fez sucesso no carnaval com a marcha-canção “Pra Você Gostar de Mim”, mais conhecida como” Taí”, escrita por Joubert de Carvalho. Nessa época a cantora fez sua primeira turnê na Argentina e, ao entrar na rádio “Mayrink Veiga” se tornou a primeira mulher a assinar contrato com uma rádio brasileira.

Em 1939, eternizou-se ao vestir o inesquecível traje de baiana e interpretou a canção “O que é que a baiana tem”, de Dorival Caymmi, no filme “Banana da Terra”, traje que utiliza nos shows no Cassino da Urca, acompanhada sempre pelo seu  grupo Bando da Lua. Seu vestuário sofreu variações ao longo de sua carreira, marca por brincos grandes (geralmente argolas), turbante com frutas e flores, sapatos e sandálias com plataforma e roupas com babados, conquistou o mundo e passou a ser utilizado como fantasia em diferentes festas populares, incluindo o Carnaval.

Após seu sucesso no cinema batendo o recorde de bilheteria dos filmes nacionais, em 1936 na comédia musical “Alô, Alô, Carnaval”, despertou a atenção de empresários internacionais, foi para os Estados Unidos, sua fama cresceu e participou de um musical de sucesso “The streets of Paris”(1939) na Broadway e começou a trabalhar em várias produções americanas. Tornou-se um elo de aproximação cultural entre o Brasil e os Estados Unidos, representando a música brasileira no território norte-americano, a artista teve influência na “americanização” do Brasil e desempenhou papel na difusão do estereótipo da “república das bananas”, tendo sua imagem diretamente ligada à “política da boa vizinhança”, com estilo único e talento inigualável, conquistou outros países, mas se fixou nos Estados Unidos, sendo a mulher mais bem paga de Hollywood e a primeira sul-americana a ter uma estrela na Calçada da Fama. (Mural da Ana Paula. 2022)

 A influência cultural e o poder de atração global que Carmen Miranda exerceu através de sua música vibrante, dança exuberante e trajes coloridos, personificou os princípios do conceito de soft power, de relações internacionais do teórico Joseph Nye. Sua capacidade de transcender fronteiras culturais juntamente com o impacto cultural duradouro que deixou, ressalta a eficácia do soft power na projeção internacional do país. Assim, Carmen Miranda não foi apenas uma estrela do entretenimento, mas também uma embaixadora cultural brasileira que deixou uma marca indelével na história da música e da diplomacia como uma poderosa influenciadora global, contribuindo significativamente para a construção de uma imagem positiva e duradoura do Brasil no cenário internacional.

Mesmo após sua morte em 1955, aos 46 anos, o legado de Carmen Miranda para a música, o entretenimento e as relações culturais é continuamente lembrado, solidificando sua posição como uma figura icônica na história brasileira. Um exemplo desse reconhecimento ocorreu em 1960, quando uma escultura foi dedicada em sua homenagem e exposta no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro. Atualmente, esta obra encontra-se em exposição na rua que leva o nome da artista, na Ilha do Governador, perpetuando o tributo à sua influência duradoura e ao seu impacto significativo na cultura internacionalmente. (BRASIL ESCOLA)

REFERÊNCIAS

BRASIL ESCOLA. Biografia de Carmen Miranda. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/carmen-miranda.htm. Acesso em: 06 de fevereiro de 2024.

FOLHA DE S. PAULO. Quem foi Carmen Miranda. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/08/quem-foi-carmen-miranda/. Acesso em: 05 de fevereiro de 2024.

ITAÚ CULTURAL. Carmen Miranda. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa359489/carmen-miranda. Acesso em: 05 de fevereiro de 2024.

TENHO MAIS DISCOS QUE AMIGOS. Soft power: a música como política internacional. Disponível em: https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2021/09/28/soft-power-musica-politica-internacional/. Acesso em: 06 de fevereiro de 2024.

LEME, Haroldo. Soft power da indústria cinematográfica estadunidense na era Vargas (1939-1943). NuestrAmérica, vol. 5, núm. 10, pp. 228-247, 2017. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5519/551957463012/html/. Acesso em: 03 de fevereiro de 2024.

MURAL DA ANA PAULA. O que é que Carmen Miranda tinha. Disponível em: https://muraldaanapaula.com.br/conheci/o-que-e-que-carmen-miranda-tinha/. Acesso em: 04 de fevereiro de 2024.