
Stefany Louise Campolungo Rodrigues – 7º semestre de Relações Internacionais da Unama
A América Latina segue sendo uma vasta região com povos e culturas diversificadas, ainda assim, guardam consigo o mesmo processo de invasão, posse e apagamento de povos originários derivadas da colonização européia. A identidade latino-americana, por muitas décadas, sofreu um embranquecimento para agradar aqueles que faziam parte da elite branca da Europa. Diante de um mundo cada vez mais globalizado, os países da América do Sul se viram em um grande problema: para competirem no mercado global precisam se desenvolver, e para isso é necessário investir em tecnologia e não somente na exportação de recursos naturais, o que amplia a desigualdade social e exclusão, perpetuando uma sociedade dual, onde uma parte da população é deixada para trás. (LECHNER, 1993)
Atualmente, podemos perceber uma grande relevância no diálogo com o Norte Global visto a busca por hegemonia no famoso “Triângulo do Lítio”, com os países Argentina, Bolívia e Chile. A necessidade do mineral no mercado internacional coloca a América Latina como principal investidor econômico e trás vantagem para outro país considerado Sul Global, a China, que está em cabo de guerra com os Estados Unidos pela soberania do minério, assim como abrindo as portas dos diálogos para a criação de uma organização que mantenha a soberania latino-americana e a permanência dos lucros nos países exportadores.
Para Aníbal Quijano, em sua obra “Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina” (2005), Quijano discorre sobre como a colonialidade de poder ainda persistem nas veias da América Latina, tendo a colonização europeia estabelecendo uma hierarquia racial, com uma divisão entre os povos originários e o colonizador. Tais hierarquias, junto com o capitalismo moderno, ainda influenciam várias estruturas da América Latina, sejam elas econômicas, sociais ou políticas. Com isso, pode-se perceber que quanto subordinada e explorada a América Latina é, menores são as chances de uma integração regional. As tentativas dessa integração ocorreram em 4 das chamadas “ondas”, onde tiveram vários processos com dificuldade de consolidar-se, sendo algumas a disputa entre Estados Unidos e Inglaterra no século XIX, a consolidação da hegemonia dos Estados Unidos e o fracasso da ALCA.
Já para Joseph Nye e Robert Keohane (1988), as relações internacionais dependem de diversos atores, sendo estes organizações internacionais, grupos de interesses, indivíduos e empresas. Para os autores, tais atores internacionais estão ligados de uma forma que chega a ser quase impossível de separá-los, podendo essa separação causar efeitos que se estendem além das fronteiras do Estado. Diante desse pensamento, os Estados buscam formas de cooperação para a gestão de conflitos e estabilidade. A integração na América Latina vai além de uma cooperação Estado-nação, mas tendo diversos atores nesse processo que vão além somente das questões econômicas, mas também oportunidades, questões ambientais, políticas e sociais.
Essa integração ainda sofre diversos desafios com corrupções do Estado, grandes desigualdades sociais e instabilidades políticas, no entanto pode-se notar os esforços de muitos, não somente para a facilitação comercial no mercado regional e mundial, porém também na promoção da democracia, direitos humanos, saúde e prevenção da diversidade cultural para a estabilidade em uma rica região cultural e histórica.
REFERÊNCIAS:
CALABRE, L. História das políticas culturais na América Latina: um estudo comparativo de Brasil, Argentina, México e Colômbia. [s.l: s.n.].
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina, 2005
LECHNER, N. Estado, mercado e desenvolvimento na América Latina. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, n. 28-29, p. 237–248, 1 abr. 1993.
LOSEKANN, C.; BALLESTRIN, L. A abertura do conceito de sociedade civil: desencaixes, diálogos e contribuições teóricas a partir do sul Global. Colombia Internacional, n. 78, p. 181–210, 1 maio 2013.
ARAÚJO DE SOUZA, N. América Latina: as ondas da integração, n. 1, p.87-126, 2012.
A disputa entre China e EUA por lítio na América Latina. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0vz35p4pqgo>. Acesso em: 10 fev. 2023.
KEOHANE, R.; NYE, J. Power and Interdependence, p. 3-51, 2011.
