Nina Roberta Fernandes da Silva- Acadêmica do 3º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

O Colonialismo pode ser definido como uma prática de dominação de uma nação sobre outra no qual, se é categorizado existente dois modelos de colônias, sendo eles o método de exploração, que visa a retirada de matéria-prima da região, e o método de povoamento, que visa um deslocamento dos colonizadores para a área que vai ser colonizada (MARRANO, Maria). Eventualmente, conforme explica Silva (2024), termos como “civilização e barbárie” representam a essência do pensamento de colonização, visto que se parte do preceito que exista uma sociedade correta, os civilizados, e que seus ideais devem ser implantados nos que precisam de auxílio para alcançar a civilização, aqueles denominados, pejorativamente, de bárbaros.

Após compreender o conceito do Colonialismo, deve ser citado outro termo importante, o chamado Neocolonialismo que se trata do novo modelo adotado pelos países desenvolvidos para conseguir solucionar seus problemas de possuir um acúmulo de capital (MANOEL; LANDI, 2020).  Manoel e Landi destacam que um de seus principais pontos de divergência com o modelo Colonial é que agora a detenção do poder pode partir de empresas. A partir de uma análise sob à luz dos pensamentos do líder político africano e um dos fundadores do Pan-Africanismo Kwame Nkrumah (1965) se ressalta que a prática Neocolonialista funciona como uma nova maneira de dominar e conseguir controlar os estados do chamado Terceiro Mundo por parte de seus antigos colonizadores.

Nessa conjuntura, o Neocolonialismo se encontra ainda muito presente nas Relações Internacionais e é plausível de análise pela óptica da teoria Marxista, tanto das concepções clássicas quanto de pensadores contemporâneos. O teórico político Vladimir Lenin aborda que o processo de desumanização aprisiona o colonizado em uma estrutura que o define como inferior, característica criada pelas práticas colonialistas (MANOEL, 2020).

Partindo dessa perspectiva, pode ser abordado os processos de rupturas da Angola e de Moçambique com seu colonizador, Portugal. Começa durante o ano de 1955 os primeiros movimentos populares na Angola, sendo o primeiro deles o Partido Comunista da Angola. No ano seguinte houve a criação do Movimento Popular de Libertação de Angola. Enquanto os países capitalistas se mostravam descontentes, os países socialistas tinham uma postura de extremo apoio às causas das lutas Angola por libertação. Dentro desse contexto, vale destacar que a União Soviética deixava explicito seu apoio diplomático e financeiro ao Movimento Popular de Libertação de Angola (FARIA; ROCHA, 2022).

Já o cenário que era encontrado em Moçambique era de Movimentos/organizações que influenciaram positivamente para o processo de independência. Tanto Angola quanto Moçambique passaram por mais de dez anos de Guerra Popular contra o exército português. Nesse intervalo Portugal tentou apaziguar o avanço das revoltas por independência por meio de algumas reformas, todavia, foi em vão. Devido a isso, passou a utilizar forças militares, decisão que apenas fomentou ainda mais a oposição de seu domínio.

Em 1974, apesar de sofrer duras repressões, a pressão popular declarou encerrado a guerra colonial e são determinados governos transitórios, que possuíam como liderança as organizações revolucionárias africanas, aquelas quais estavam lutando pela sua liberdade e desvinculação com as colônias.

A pauta é encontrada presente no contexto contemporâneo, visto que em 2023 ocorreu no Níger, entre outros, um golpe de Estado da guarda presidencial contra o Ex-presidente Mohamed Bazoum. Após um concesso das Forças Armadas do país concordarem com a saída de Bazoum, foi criada uma Junta Militar que tinha como líder Abdourahamane Tchian. Uma das políticas que o governo de Tchian trouxe foi o encerramento da permissão da França de se apropriar do urânio do Níger. Foi decidido também que toda a cooperação militar com a França seria revogada (OPERA MUNDI, 2023). Fatos esses que indicam o rompimento com a perpetuação colonial do país.

Após o acontecimento do golpe, a França e os Estados Unidos condenaram a prática e pediram a restituição de Bazoum. Ambas as potências ocidentais ansiavam por uma intervenção vinda da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), intervenção essa que ocorreu, pois além de impor um embargo que incluía a suspensão do direito do país a transações comerciais básicas com seus vizinhos, o Níger teve suas atividades na CEDEAO suspensas.

 Partindo de um raciocínio proporcionado pelos ideais de Cabral (2019), se reflete que para uma efetivo avanço na ruptura neocolonial deve ser barrado quaisquer modelos de coexistência com práticas coloniais encontradas contemporaneamente, pois, para ele, a libertação nacional se fundamental no direito, comum a todos os povos, de dispor livremente de seu destino e destaca que o propósito dessa libertação é a obtenção da independência nacional.

Sendo assim, conclui-se que o avanço da ruptura neocolonial presente no continente Africano é de extrema importância, visto que somente dessa maneira será conquistado a total liberdade e independência dos países e povos que passaram por um processo exploratório imperialista ocidental.

Referências Bibliográficas

CABRAL, Amílcar. A Arma da teoria. In: MANOEL, Jones; LANDI, Gabriel (ong.). Revolução Africana: uma Antologia do Pensamento Marxista. São Paulo: Autonomia Literária, [1966] 2019. P.119-156.

CHAVES, L. C. N.; SANTOS, R. E. O NEOCOLONIALISMO E A EMANCIPAÇÃO DA AFRICA: uma leitura a partir de Kwame Nkrumah. Kwanissa: Revista de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros[S. l.], v. 3, n. 5, 2020. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/kwanissa/article/view/14606. Acesso em: 11 fev. 2024.

FARIA, A.L.; ROCHA, A.H. PIBID.HISTÓRIA, 2022. Imperialismo e movimentos de libertação colonial na África. Disponível em: https://pibid.historia.ufg.br/n/145983-imperialismo-e-movimentos-de-libertacao-colonial-na-africa. Acesso em: 14 fev. 2024.

MANOEL, J. Lênin, a ruptura anticolonial do comunismo e o marxismo africano. Germinal: marxismo e educação em debate[S. l.], v. 12, n. 2, p. 50–68, 2020. DOI: 10.9771/gmed.v12i2.39069. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/view/39069. Acesso em: 14 fev. 2024.

MARRANO, Maria. O que é Colonialismo?, Unipampa, 2021. Disponível em: https://sites.unipampa.edu.br/lehmai/o-que-e-colonialismo/. Acesso em: 20 fev. 2024.

MARX, Karl. O capital: Crítica de Economia Política. Livro I. O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2015.

NKRUMAH, Kwame. Neocolonialismo: último estágio do Imperialismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.

PRASHAD, Vijay. O que está acontecendo no Níger não é um golpe típico. Opera Mundi, 2023. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/opiniao/82311/o-que-esta-acontecendo-no-niger-nao-e-um-golpe-tipico. Acesso em: 15 fev. 2024.

SILVA, Nina. RESENHA – Bacurau (2019), Internacional da Amazônia, 2024. Disponível em: https://internacionaldaamazonia.com/2024/01/11/resenha-bacurau-2019/. Acesso em: 10 fev. 2024.