
Caio Farias Martins – Acadêmico do 3° semestre de Relações Internacionais da Unama.
Pela manhã no dia 24 de fevereiro de 2022, um “divisor de águas” marcou sob a porção do Leste da Europa, o motivo: a investida da Rússia nos territórios ucranianos, especialmente nas cidades como Kiev e Kharkiv, as duas maiores do país, as quais foram atacadas com mísseis e bombas em localizações estratégicas, de acordo com Julia Aparecido (2022).
Infelizmente, tal evento culminou/culmina em mortes de milhares de pessoas e estimula o forte processo de imigração de ucranianos devido ao perigo eminente (G1, 2023, online), porém esse não originou espontaneamente, mas sim por questões econômicas e principalmente históricas. Com isso, antes de entender a guerra atual, é necessário compreender os antecedentes e, paralelamente, analisar as consequências no âmbito internacional nos quesitos econômicos e políticos.
Diante desse panorama, é de suma importância ressaltar que a origem desse conflito resulta de uma escalada de fatores e tem suas raízes em décadas de tensões geopolíticas e rivalidades históricas. Com a extinção da URSS em 1991, que conforme Vladimir Putin (2005) foi “uma a epidemia de desintegração infectou a Rússia”, a Ucrânia tornou-se uma nação soberana e independente, assim estabeleceu laços mais próximos com os Estados ocidentais, o qual incomodou o próprio Estado russo resultando em guerras, como na Crimeia em 2014 (APARECIDO, 2022).
No entanto, o que reacendeu tais questões históricas e despertou o atual confronto foi a possível adesão da Ucrânia à OTAN. Tal entrada, não somente representava um potencial perda de poder regional, mas também uma tentativa do Estados Unidos de retirar a Ucrânia da esfera de influência russa e integrá-la ao Ocidente com intuito de, conforme Julia Aparecido (2022), “Fazer da Ucrânia um baluarte na fronteira da Rússia”. Por isso, tal investida em 24 de janeiro foi utilizada pelo Estado russo como uma ferramenta para manutenção da segurança e assegurar o poder regional, mas não conquistar o território (MEARSHEIMER, 2022).
Com isso, torna-se notório que ao analisar e compreender os motivos que reacenderam o conflito histórico, podemos ressaltar que o anseio pelo poder, por parte desses atores estatais, é uns dos principais fatores resultantes dessa guerra.
De maneira análoga, ao analisarmos a partir do autor neorrealista Hans Morghentau, como expressa em sua obra “Politics Among Nations” (2006), conforme o alemão é possível discernir que as relações entre os Estados são pautadas por uma busca incessante pelo poder e possui como o objetivo imediato. Isso ocorre, pois, conforme o seu segundo princípio, o Sistema Internacional é caracterizado pela ausência de um Estado hegemon, o qual consiste em um ator que dite o funcionamento e controle o próprio sistema de forma independente (MORGENTHAU, 2003).
Diante da ausência de um ator internacional hegemônico, os Estados, assim, iram apenas buscar seus próprios interesses e garantir sua segurança nacional para maximizar o seu poder (VAZ, PÁG 69;68). Contudo, esse anseio, contextualizados no âmbito do Sistema Internacional, frequentemente geram conflitos de interesses que, de forma inexorável, que resultam em confrontos militares, como evidenciados pela guerra entre Rússia e Ucrânia 2022.
Assim, deslocando a concepção de Morghentau, a busca incessante pela manutenção ou garantia do poder sobre a região, pelos membros da OTAN na tentativa de estende-se sua influência ocidental para área fronteiriças ao território russo, e o desejo da Rússia de manter a influência na Ucrânia (APARECIDO, 2022), foi o elemento principal que ocasionam nesse fatídico confronto situado no Leste Europeu e acaba com baixas de diversos civis e familiares (G1, 2023, online).
Diante a esse cenário, a principal reação global em respostam ao conflito foi as sanções econômicas, que visavam isolar a Rússia do mercado internacional, como, por exemplo; no banimento do país no sistema de SWIFT conforme G1 (2023). Todavia, mesmo com essas interferências em setores necessários da economia russa, esta tende a crescer mais que as potências econômicas do g7 mesmo que esteja situada em período de guerra (BBC, 2024, online). Destarte, esse fenômeno questiona por quanto tempo o Ocidente consegue sustentar esse apoio financeiro à Ucrânia e a efetividade do uso de sanções econômicas como meio de evitar conflitos.
Em conclusão, é crucial analisar que tal guerra seja um objeto de estudo para analisarmos como a não resolução de questões históricas e ideológicas, acaba por gera ainda mais guerras e para, assim, elaborar medidas efetivas contra a eclosão de futuros possíveis conflitos. Outrossim, devemos compreender este fenômeno internacional, o qual completa, infelizmente, 2 anos, sem previsão de cessar-fogo, impacta em gerações, memórias e cidades, somente pela dinâmica de poder entre os Estados (G1, 2023, online).
Referencias:
APARECIDO, Julia. A GUERRA ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA. Fev. 2022. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Julia-Aparecido/publication/359401135_A_GUERRA_ENTRE_A_RUSSIA_E_A_UCRANIA/links/623a0dcc3339b64f0daf73c1/A-GUERRA-ENTRE-A-RUSSIA-E-A-UCRANIA.pdf. Acesso em: 13 março 2024.
BBC. Por que a economia da Rússia cresce mais que a do G7 apesar da guerra na Ucrânia. G1, 24 fev. 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cqqxgr490d9o. Acesso em: 13 março 2024.
VAZ, Nuno Mira. O Poder, a Moral e as Relações Internacionais. Instituto da Defesa Nacional, 1995.
G1. 1 ano de guerra na Ucrânia: entenda as diferentes fases da invasão russa. G1, 24 fev. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/ucrania-russia/noticia/2023/02/24/1-ano-de-guerra-na-ucrania-entenda-as-diferentes-fases-da-invasao-russa.ghtml. Acesso em: 13 março 2024.
MEARSHEIMER, John. “Playing with Fire in Ukraine”. Foreign Affairs, 17 de agosto de 2022. Disponível em https://www.foreignaffairs.com/ukraine/playing-fire Acesso em: 13 março 2024.
MORGENTHAU, Hans. A política entre as nações: A luta pelo poder e paz. Brasília: Unb, 2003.
PUTIN, 2005 apud BERZÌNŠ, J. A Geopolítica das Relações entre a Rússia e o Ocidente: Antigos Fantasmas em uma Nova Era. DefesaNet, p. 1–8, 2022.
