Heloisa Cristina – 7° semestre de Relações Internacionais da Unama.

Para entender o atual comportamento do Estado brasileiro e sua situação econômica, é necessário voltar alguns anos na História e avaliar os principais itens de destaque na Economia do Brasil. Diante disso, três áreas destacam-se: a agropecuária, a indústria e os serviços, sendo o setor agropecuário o que mais cresceu nos últimos 21 anos e que foi mais estável, revelando a dependência brasileira acerca desta commodity, que, só, não é suficiente para manter de pé a economia. 

A década de 2011 – 2020 foi considerada, por economistas da FGV, a pior década a respeito do crescimento econômico do país, e os motivos para essa análise são: a recessão da economia brasileira no período de 2014 a 2016 e sua lenta recuperação, combinado à maior crise sanitária dos últimos anos, a pandemia do coronavírus. Em 2023, com a mudança de governo no Estado, as expectativas para uma melhora na Economia são altas, contudo, há diversos fatores envolvidos para que essas expectativas sejam atendidas.

Levando em consideração o austríaco Joseph Schumpeter e suas obras, o autor, de grande valor para os estudos da Economia, discute os fatores que podem levar a quebra de alguns padrões e o nascimento de novos: uma das principais pautas de Schumpeter é acerca dos Ciclos Econômicos; onde ele constrói três diferentes divisões para eles, sendo elas: ciclos longos, médios e curtos. Além disso, ele delibera que, o que determina um novo ciclo são as inovações, que são fruto da competição de empresários e empreendedores dentro do Comércio e que aparecem de época em época, tais como a fabricação de novos bens — matéria-prima, produtos, entre outros —, abertura de novos mercados ou mesmo novos métodos de profissão. Todos esses elementos, acabam por gerar novas organizações econômicas que geram a busca por inovações, construindo novamente um ciclo e assim, não deixando a economia estagnada. Nesse sentido, algo a se considerar uma inovação, ou seja, uma mudança para a economia brasileira, é a transição do governo Bolsonaro, para o Governo Lula.

O governo Bolsonaro manteve o crescimento do PIB fraco: em 2022, a previsão do FMI discutia um aumento de apenas 0,8%, e o Brasil, naquela época, possuía uma das taxas mais baixas de crescimento econômico do mundo. Diante dessa situação, outro agravante foi a alta inflação. Em 2021, em face da pandemia do coronavírus — que, vale destacar, foi mal administrada por Bolsonaro — a inflação chegou a 10,06%, segundo o Banco Central (BC), quando a meta do Banco, para aquela época, era de 4%. A alta da inflação teve influência, também, da guerra entre Rússia e Ucrânia, que afetou o setor de transportes quando os combustíveis chegaram a altos preços. A consequência de todo esse cenário foi uma das taxas mais altas de desemprego que o Brasil já teve: 14,9%, que depois, com a ascensão do setor de serviços, baixou para 8,3%, segundo a Deutsche Welle Brasil. Todas essas circunstâncias fizeram com que a pobreza e a fome aumentassem na população brasileira, mais do que nunca.

A projeção do FMI para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para o primeiro ano do governo Lula III foi de 3,1%, número que chamou atenção, pois as circunstâncias mundiais ainda eram (são) de recuperação pós-pandemia. Essa previsão teve como base o crescimento da agricultura, do setor de serviços e do aumento do consumo da população, este último sendo apoiado pelo presidente Lula, com incentivos fiscais — aumento do Bolsa Família e do salário mínimo, por exemplo. Também é válido destacar o crescimento do setor agropecuário, que até junho de 2023, havia crescido 11,2%, mostrando que, quando há o aumento do preço de commodities (setor agropecuário e extrativista, por exemplo) o resultado é benéfico para a saúde financeira do Brasil. Tudo isso repercutiu para que o Brasil retornasse, em 2023, à lista de 10 maiores economias mundiais, ocupando o 9º lugar, com um PIB de US$2,17 tri, segundo estimativa do FMI e análise da Austin Rating. 

Em 2024, a previsão para o crescimento do PIB é de 1,78%, um avanço positivo comparado à previsão de 2023, de 1,52%. O PIB corresponde à somatória de todos os bens e serviços produzidos na economia real, e esses números, que podem parecer pequenos, na verdade são crescimentos significativos. No entanto, o governo brasileiro ainda deve permanecer atento a duas grandes questões: a inflação e o desemprego. A previsão da taxa de inflação para 2024, 3,81%, parece estar dentro da meta do BC, e a previsão para 2025 está fechada em 3%. Já a taxa de desemprego, nos três primeiros meses, permaneceu em 7,6%, uma mudança positiva; ambas as análises foram feitas pela Agência Brasil. 

A análise de números é, definitivamente, essencial para se entender o que mudou entre um governo e outro. Porém, ainda mais essencial é entender o retorno do Brasil ao Sistema Internacional: o governo Bolsonaro, com sua democracia liberal, construiu uma distância considerável, diplomaticamente falando, de outros países, até mesmo de seu maior parceiro econômico, a China. Já o governo Lula tem prezado pela reestruturação destas relações, sendo um bom exemplo disso, os BRICS. O Brasil tem sido um Estado de grande destaque dentro das atividades do bloco, e há fortes indícios para isso: o interesse em negociar nas próprias moedas nacionais, se distanciando do Dólar, e a discussão sobre a criação de uma moeda comum dos BRICs, para a realização de transações monetárias dentro do bloco.

Diante desses fatores, é possível reconhecer os motivos que levaram o Brasil a retornar a um patamar significativo na economia mundial, com tendências a continuar melhorando seu status. 

REFERÊNCIAS 

‌120 anos: auge e declínio da economia brasileira | Blog do IBRE. Disponível em: <https://blogdoibre.fgv.br/posts/120-anos-auge-e-declinio-da-economia-brasileira>.

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Como o governo Bolsonaro se saiu na economia – DW – 30/12/2022. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/como-o-governo-bolsonaro-se-saiu-na-economia/a-64237081 >.

‌‌Década cada vez mais perdida na economia brasileira e comparações internacionais. Disponível em: <https://portal.fgv.br/artigos/decada-cada-vez-mais-perdida-economia-brasileira-e-comparacoes-internacionais >.

Estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis. Disponível em: <https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-02/estimativas-do-mercado-para-inflacao-e-pib-permanecem-estaveis >.

ESTÚDIO, F. Inflação em 2021 foi de 10,06%. Bolsonaro vai dobrar a meta? Disponível em: <https://direito.usp.br/noticia/cb1fb720d3bf-inflacao-em-2021-foi-de-1006-bolsonaro-vai-dobrar-a-meta&gt;. Acesso em: 22 mar. 2024.

GRADILONE, C. Análise: economia brasileira começa 2024 mais aquecida que o previsto. Disponível em: <https://forbes.com.br/forbes-money/2024/03/analise-economia-brasileira-comeca-2024-mais-aquecida-que-o-previsto/#:~:text=A%20edi%C3%A7%C3%A3o%20mais%20recente%20do >. Acesso em: 19 mar. 2024.

IMF. World Economic Outlook. Disponível em: <https://www.imf.org/en/publications/weo>.

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‌SERRANO, F. As razões para o maior crescimento da economia do Brasil em 2023, segundo o FMI. Disponível em: <https://www.bloomberglinea.com.br/brasil/as-razoes-para-o-maior-crescimento-da-economia-do-brasil-em-2023-segundo-o-fmi/#:~:text=O%20FMI%20aponta%20tr%C3%AAs%20raz%C3%B5es >. Acesso em: 19 mar. 2024.