
Caio Farias Martins – 3°
Heitor Sena Passos – 7°
Rayana Yukari Fachinetti Inomato – Internacionalista
A especulação imobiliária refere-se a prática de mercado que consiste na compra de imóveis como casas, terrenos e salas comerciais, sem utilizá-los, e cria uma demanda sob esses bens, com a intenção de vendê-los a um preço maior depois.
Tal mercado é uns dos ramos mercadológicos mais potentes do mundo, conforme Andreas Weise (2012), e Estados buscam estimular esse negócio, visto no caso da China, cuja em 2024 que reduziu a taxa de referência para hipotecas, com intuito de sustentar o mercado imobiliário (CNN, 2024). Entretanto, apesar de ser um mercado lucrativo, obtém uma relação de causalidade com o agravamento dos problemas sociais nos centros urbanos.
Visto que mesmo que os governos tentem controlar a especulação imobiliária por diversos meios, não consegue contê-la (WEISE, 2012) e acaba por gerar crises imobiliárias, como na crise de 2008 nos Estados Unidos e no Japão nas décadas de 70 e 80. Portanto, é de suma importância analisar a transição dos imóveis de um valor social para um valor comercial, e também compreender a relação entre o mercado imobiliário e seus efeitos na promoção de problemas sociais.
Segundo Dowbor (2022), a fase atual do capitalismo é marcada pelo deslocamento do processo de acumulação de capital da esfera produtiva para a improdutiva, ou seja, nos tempos atuais, os principais rendimentos da economia internacional encontram-se no setor financeiro. Sendo assim, o sistema atual consiste no enriquecimento das elites através de rendimentos passivos, portanto, configura-se uma economia baseada no rentismo improdutivo (Dowbor, 2022). Os efeitos dessa conjuntura econômica podem ser vistos nos centros urbanos, onde a especulação imobiliária está vinculada a diversos problemas sociais.
A crescente especulação imobiliária tem impactado profundamente no cotidiano das pessoas ao redor do mundo. Os efeitos negativos dessa prática podem ser encontrados mesmo nas economias mais ricas do mundo, onde a alta no preço dos imóveis é incompatível com a renda de grande parte da população, criando um empecilho para o financiamento de compra da moradia (FORBES, 2024).
O Brasil também se encontra inserido nesse processo de crescente financeirização, sendo o mercado imobiliário um dos setores mais visados por investidores. A presença da especulação imobiliária têm modificado os espaços urbanos brasileiros, uma vez que o mercado busca implementar medidas como “o aumento do padrão de adensamento e verticalização em áreas estratégicas para ganhos rentistas com a dispersão urbana que também alimenta a especulação fundiária” (MARICATO e ROSSI, 2021), medidas que servem para o enriquecimento de especuladores, ao mesmo passo em que trazem consequências negativas para a sociedade.
Ademais, a especulação financeira também se beneficia de problemas sociais como a violência urbana para aumentar seus rendimentos. Nesse âmbito, o centro de São Paulo representa um estudo de caso interessante, onde a presença da Cracolândia resultou em uma desvalorização dos imóveis da região, que, após intervenções policiais, passaram por um processo de valorização e crescente investimento no setor imobiliário (SILVA, 2020).
Dessa forma, compreende-se que a especulação imobiliária é uma das estratégias mais importantes nas relações mercadológicas, porém impacta de forma negativa a população de um país devido a falta de imóveis acessíveis a preço popular. Além disso, desequilíbrio em relação a povoamento em áreas urbanas podem ser um impacto da especulação, principalmente devido ao boom de indivíduos em áreas de preços mais acessíveis e a falta dos mesmos em áreas de forte especulação, demonstrando um inchaço populacional e prejudicando a mobilidade.
Nesse sentido, o impacto da especulação imobiliária é expressivo para ambos pontos de vista, podendo acarretar processos que necessitam a duplicação de políticas públicas. O quanto esse método é lucrativo se equipara a quantidade de danos que ele trás nas causas sociais e urbanas.
REFERÊNCIAS:
CNN, A. China reduz taxa de referência de hipotecas para fortalecer mercado imobiliário. 20 fev. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/china-reduz-taxa-de-referencia-de-hipotecas-para-fortalecer-mercado-imobiliario/. Acesso em: 18 mar. 2024.
FORBES. Housing Market Predictions For 2024: When Will Home Prices Be Affordable Again?. FORBES, 21 mar 2024. Disponível em: https://www.forbes.com/advisor/mortgages/real-estate/housing-market-predictions/. Acesso em: 23 mar 2024
MARICATO, Ermínia; ROSSI, Pedro. O novo ataque cerrado às cidades brasileiras. OUTRAS PALAVRAS, 27 set 2021. Disponível em: https://outraspalavras.net/cidadesemtranse/o-novo-ataque-cerrado-as-cidades-brasileiras/. Acesso em: 23 mar 2024
SILVA, Thais Rodrigues Bueno da. A violência e a especulação imobiliária na produção de territórios-reserva: um estudo de caso sobre a Cracolândia paulistana. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020. Disponível em: https://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/b2c351a6-2258-4ff3-bd66-099899831e45/2020_ThaisRodriguesBuenodaSilva_TGI.pdf. Acesso em: 23 mar. 2024.
WEISE, Andreas. Causas e Contramedidas da Especulação imobiliária. 2012 Disponível: https://www.researchgate.net/profile/Andrea-Trierweiller/publication/357097382_Causas_e_Contramedidas_da_especulacao_imobiliaria/links/61bba2bc1d88475981f630e9/Causas-e-Contramedidas-da-especulacao-imobiliaria.pdf. Acesso em: 18 mar. 2024.
