
Ana Gabriela de Souza e Silva
3° semestre
Sendo um dos impérios mais vastos e longos da história, perdurando por aproximadamente 600 anos. O Império Otomano abrangia boa parte da Europa, Viena, Hungria, Grécia, região dos Balcãs, partes da Ucrânia, Oriente Médio e Península Arábica (Gonçalves, 2022). Eventualmente, cabe fazer um breve resumo histórico do seu desenvolvimento que passou por batalhas e conquistas para crescer e consolidar-se, à primeira vista foi sua forma de governar e reger que o fez crescer sem grandes revoltas, até findar-se como um Império em 1923, transformando-se na República da Turquia.
Antes de ser o Império Otomano, a região da Anatólia era composta por tribos. Os seljúcidas eram um povo turco nômade que formou o Império Seljúcida que se estendia da Ásia Central, até a Turquia e a Palestina. Chegando próximo ao território bizantino, os seljúcidas atacam algumas cidades bizantinas, porém são expulsos com um contra-ataque. Na batalha de Manziquerta essa tribo vence os bizantinos capturando seu líder e por volta de 1081, eles expandem seu território pela Anatólia, Armênia e Leste de Bitínia, sob o comando de Malaque Xá I, filho de Alparslano, chefe dos seljúcidas. O Sultanato de Rum, foi o Sultanato seljúcida estabelecido na Anatólia. Posteriormente, virando vassalos dos mongóis, tentaram ao máximo manter a integridade do Estado, entretanto, na segunda metade do século XIII se desfez. (WIKIPEDIA, 2023).
Alguns anos antes do fim, no entanto, por conta da batalha contra os mongóis, a Anatólia ficou sendo governada pelos chefes das tribos que lá existiam, os chamados beys, no qual na ausência do sultão eles comandavam. Com a ruína do Sultanato de Rum de um lado, e o Império Bizantino enfraquecido pelo saqueamento em Veneza, durante a Quarta Cruzada de outro, o vizir Osman I começa a atacar os vizinhos apossando-se de suas fortalezas e conectando suas tribos, a espera do momento exato para proclamar-se sultão (G.M, 2023; Cartwright, 2018).
O que ocorre em 1299 oficializando o que de fato já acontecia, ele governava a Anatólia e a partir daí começa a nascer o Império Otomano, cuja palavra vem do nome Osman, em árabe Uthman, dando origem ao termo Otomanos. (G.M., 2023).
Para além de momentos oportunos, o sultão otomano exercia uma pressão fiscal mais baixa que outros impérios, sendo mais atrativo ficar sob seu domínio. Além disso, nas questões religiosas, ele permitia que os povos conquistados continuassem com suas crenças, até poderiam exercer cargos importantes no exército e na administração. Também contou, com os problemas econômicos que o Império Bizantino enfrentava, por conta da peste bubônica, impedindo-o de ter forças o suficiente para enfrentar os Otomanos. (G.M., 2023).
Quando Osman morreu, seu filho Orhan ficou em seu lugar, ele supervisionou a conquista das principais cidades da Bitínia, também deixou as principais rotas de passagem da Europa sob seu domínio (History Maps, 2024). Orhan e os demais sucessores invadiram os territórios bizantinos e a região dos Balcãs, os europeus tentaram parar os otomanos, mas não tiveram sucesso. (Khan, 2020).
Os Otomanos foram derrotados quando enfrentaram os turco-mongóis, tendo seu sultão capturado. Após a derrota houve uma guerra civil, quando Mehmed I, filho do sultão derrotado, Bayezid I, saiu vitorioso surgindo como um governante incontestável. Em 1453, com Mehmed II à frente, os otomanos tomaram Constantinopla, transformando-a na mais nova capital do império, consolidando seu poder (Khan, 2020).
Com mais histórias de batalhas e conquistas no decorrer dos anos, com os sultões, Selim I (rein. 1512 – 1520) e Solimão I (rein. 1520 – 1566) que o império seguiu. Todavia, foi com Selim II (rein. 1566 – 1574), que alguns historiadores acreditam que começou o declínio do império. O Sultanato não foi desprovido de conquistas, porém sua autoridade naval e militar havia enfraquecido. (Khan, 2020).
Tendo o Iêmen, Chipre, Túnis, Fez, Creta e Podólia como as últimas grandes conquistas, em 1683, o exército otomano perdeu nas muralhas de Viena. Em 1699, assinou o Tratado de Karlowitz que obrigou o império a devolver grandes faixas do território europeu para a Polônia, Rússia, Veneza e Áustria. (Khan, 2020).
A partir de Selim II, foi mais interessante para os sultões distraírem-se com seus haréns, do que pensarem em estratégias de governo e em como se manterem no poder. Esse movimento possibilitou a corrupção, o nepotismo e a intolerância, fazendo com que sucessores em potencial ficassem inaptos e sem experiência, permitindo que outros assumissem esse papel, como sultanas, vizires e até chefes da guarda real (Janízaros). (Khan, 2020).
Os últimos sultões tentaram reerguer o império prestes a ruir. Abdul Mejide I (rein. 1839 – 1861) aplicou várias reformas que consistiam em criar vários direitos de tolerância religiosa e igualdade para todos, além de reformular a estrutura financeira e promover o nacionalismo otomano. Essas medidas limitaram as facções indisciplinadas que conspiravam contra o império. (Khan, 2020).
Contudo alguns não ficaram felizes com as medidas e preferiram algo mais próximo da forma europeia de governar, assim começou a Primeira Era Constitucional do Império Otomano. Abdul Hamide, o sultão nessa época não concordou com as reformas liberais, retomando o controle monárquico absoluto, trouxe vários avanços tecnológicos, construindo sistemas ferroviários e tentativas de modernização. (Khan, 2020).
Hamide foi deposto pelo Partido dos Jovens Turcos, um grupo de nacionalistas, entrando na Segunda Era Constitucional. Sem um sultão como líder, estes sendo apenas figurantes agora, tendo três ministros (Paxás) no comando, eventualmente, o Império Otomano entrou na Primeira Guerra Mundial (1914 -1918) ao lado do Império Austro-Húngaro e Alemanha, onde “O Sultanato foi destruído pela guerra e deixou de existir oficialmente em 1922.” (Khan, 2020).
Em 1923, depois de invasões a Anatólia pelo exercício grego, Mustafá Kemal, líder nacionalista repeliu os gregos no que ficou conhecida como A Guerra da Independência Turca, nascendo a República da Turquia. (Khan, 2020).
Nesse sentido, podemos concluir que o Império Otomano representou uma influente soberania na região, com uma história tão vasta quanto a extensão de seus territórios. Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe (1532), nos fala que mais difícil e trabalhoso que chegar ao poder é manter-se nele, exigindo do príncipe fortuna e virtú, a sorte de momentos oportunos e a sabedoria para identificar e aproveitá-los. (Maquiavel, 1532, apud. CHEVALLIER, 2000). Em analogia, os sultões dos primeiros séculos tiveram essas duas características, entretanto infelizmente sua dinastia não conseguiu sustentar-se no poder.
Referências:
CARTWRIGHT, Mark. Império Bizantino. World History Encyclopedia. 2018. Disponível em: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-953/imperio-bizantino/. Acessado em: 08/05/2024.
CHEVALLIER, Jean-Jacques. As Grandes Obras Políticas de Maquiavel a Nossos Dias. 8ªedição. 2ª tiragem. Rio de Janeiro: Editora Agir. 2000.
G.M., Abel. Império Otomano: Origens de uma superpotência. National Geographic – Portugal. 2023. Disponível em: https://www.nationalgeographic.pt/historia/imperio-otomano-origens-superpotencia_3958. Acessado em: 08/05/2024.
GONÇALVES, Júlia Christina Gírio. Império Otomano: desde sua origem até seu declínio. Politize. 2022. Disponível em: https://www.politize.com.br/imperio-otomano/. Acessado em: 08/05/2024.
HISTÓRIA DO IMPÉRIO OTOMANO. History Maps. 2024. Disponível em: https://history-maps.com/pt/story/History-of-the-Ottoman-Empire. Acessado em: 08/05/2024.
KHAN, Syed Muhammad. Império Otomano. World History Encyclopedia. 2020. Disponível em: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18700/imperio-otomano/. Acessado em: 08/05/2024.
SULTANATO DE RUM. Wikipedia. 2023. Disponível em: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Sultanato_de_Rum. Acessado em: 08/05/2024.
TURCOS SELJÚCIDAS. Wikipedia. 2023. Disponível em: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Turcos_selj%C3%BAcidas. Acessado em: 08/05/2024
