
Caio Farias Martins – 3°
Marcelo Eduardo Alves de Brito – 3°
A cidade de Olimpia foi o palco de origem do maior evento esportivo da era moderna, os Jogos Olímpicos, sendo inicialmente relacionado a religiosidade com a criação dos jogos advinda diretamente das mãos de Hércules, como uma forma de homenagear seu pai Zeus.
Nos tempos contemporâneos os Jogos Olímpicos tomaram outras proporções, relacionando-os a objetivos diferentes dos pré-estabelecidos na Grécia Antiga, como a utilização dos jogos para fomentar a paz e a diversidade entre nações participantes. No entanto, para os Estados, as Olímpiadas podem servir como meio de atingir interesses relacionados a economia no Sistema Internacional, interferindo diretamente na estrutura social e econômica de cada Estado.
Desta forma, é perceptível como os Jogos Olímpicos também aderem uma esfera econômica, tanto para os atores Estatais, sendo sedes do próprio evento, assim, aumentando o turismo e movimentando a economia local, mas também para atores não estatais como empresas transnacionais e os próprios atletas olímpicos com marketing e patrocínios. Então, o maior evento esportivo do mundo pode ser aproveitado e ter impactos econômicos benéficos para ambos atores, entretanto, se mal aproveitada não descarta a possibilidade de impactos negativos não somente econômicos, mas socioeconômicos, como afirma Poynter (2008):
“Avaliar os efeitos de megaeventos como os Jogos Olímpicos é um assunto complexo. Os custos econômicos e sociais bem como os benefícios para as cidades-sede ou região não são fáceis de estimar. A evidência, com base na experiência de cidades que em décadas recentes foram sedes de Olimpíadas, sugere que tendem a ser exageradas as afirmações positivas para sediar o evento, manifestadas com frequência durante a própria disputa. Por essa razão, é bem razoável indagar quais serão os vencedores e os perdedores” (POYNTER, 2008, p. 124).
Ademais, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 ficaram marcados por prejuízos financeiros significativos e pela entrega incompleta de obras importantes, como o Parque Olímpico e projetos de transporte. Isso reflete um legado misto, caracterizado por custos elevados e questões socioeconômicas, incluindo a remoção de famílias para dar lugar às construções necessárias, evidenciados no mapa interativo abaixo:

Em contraste, outras sedes olímpicas anteriores, como Barcelona-1992, Sydney-2000 e Beijing-2008, conseguiram capitalizar os investimentos em infraestrutura para promover uma reinvenção urbana duradoura, assim, resultaram em legados significativos para as cidades e países anfitriões. Esses exemplos ilustram como os impactos econômicos dos Jogos Olímpicos podem variar consideravelmente, dependendo das estratégias adotadas pelos organizadores e do contexto local.
Destarte, analisando tal temática a luz da teoria Neoliberal, os grandes teóricos Robert Keohane e Joseph Nye desenvolveram a Teoria da Interdependência Complexa, que argumenta que os autores não estatais e os Estados são interdependentes em diversas áreas como da segurança, cultura e, principalmente, em economia com os outros atores do Sistema Internacional, ligados por “teias” transnacionais (KEOHANE; NYE, 1977). De maneira análoga, tal fato se reflete nos grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas de verão, que não apenas elevam o turismo local, estimulando a economia através do aumento de visitantes e consumo, mas também atraem significativos investimentos estrangeiros para infraestrutura local, patrocínios e entre outros.
Assim, é ingenuidade analisar estes eventos sendo apenas uma vitrine para o talento esportivo, mas também uma oportunidade para países hospedeiros melhorarem suas infraestruturas e fortalecerem sua imagem global, resultando em fluxos financeiros substanciais que beneficiam a economia local e nacional a longo prazo, como no caso, anteriormente mencionado, de Barcelona-92 servindo como um “Um ímã para o turismo” (EL PAÍS, 2021).
Sendo assim, os Jogos Olímpicos transcendem a esfera esportiva, englobando significativos impactos econômicos e socioeconômicos tanto para Estados quanto para atores não estatais, sendo evidente as consequências geradas a sociedade do Estado sediador e organização logística-economicamente dada por cada Estado em sua Soberania.
Portanto, é necessário ser objeto de análise a relevância que este evento socio-esportivo tem para os Estados, além significar investimentos estruturais e sociais, os Esportes Olímpicos representam os interesses de cada Agente Estatal e sua influência e poder no Sistema Internacional através de fatores diretos e indiretos, gerando futuras consequências econômicas positivas aos próprios Estados.
Referencias:
EL PAÍS. Qual é o efeito econômico de ser sede olímpica? Pode ser um trampolim, mas também uma herança maldita. El País Brasil, 14 jul. 2021. Disponível em: https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-14/qual-e-o-efeito-economico-de-ser-sede-olimpica-pode-ser-um-trampolim-mas-tambem-uma-heranca-maldita.html. Acesso em: 28 jun. 2024.
POYNTER, G. Regeneração urbana e legado olímpico de Londres 2012. In: DACOSTA, L. P.; CORRÊA, D.; RIZZUTI, E.; VILLANO, B.; MIRAGAYA, A. (eds.) Legados de megaeventos esportivos. Brasília: Ministério do Esporte, 2008.
KEOHANE, Robert O; NYE, Joseph S. Power and Interdependence: World Politics in Transition. Boston: Little, Brown and Company, 1977.
UNIÃO (Brasil). Comitê Olímpico. O Olimpismo: filosofia Olímpica de vida. ., [s. l.], S.D.. Disponível em: https://www.cob.org.br/pt/cob/movimento-olimpico/o-olimpismo. Acesso em: 28 jun. 2024.
