Antônio Vieira, acadêmico do 2° semestre de Relações Internacionais

Ficha Técnica

Gênero: Ação, Drama

Duração: 2h

Ano: 2017

Diretor (a): Bong Joon-ho

Distribuição: Netflix

País de origem: Coreia do Sul

Okja, filme do cineasta Bong Joon-ho, diretor de Parasita (2019), conta a história da jovem mija e sua amiga Okja, um animal exótico, vivendo em paz em uma montanha na Coreia do Sul. No entanto, as duas personagens passam por inúmeras dificuldades, que são motivadas pela ganância e pelo lucro empresarial da empresa “Mirando”, uma corporação responsável por atuar na indústria de alimentos.

De início, é apresentado a dona da empresa, Lucy Mirando, que em uma conferência no ano de 2007, expõe o seu projeto: o envio de 26 animais exóticos – ditos como “superporcos” – a diversos países, para que em 10 anos, ocorra uma competição entre os mais bem cuidados. Dentre as promessas da Mirando está o combate a fome aliado a uma carne extremamente saudável.  Nesse sentido, conforme o filme avança, é revelado que Okja fora uma das escolhidas para a competição, porém, Mija faz de tudo para que a sua amiga não vá. O que gera uma sucessão de conflitos entre ela e a corporação.

Felizmente, a garota passa a receber ajuda de ativistas para proteger a superporca, no entanto, a disputa continua da Coreia do Sul até os Estados Unidos. O filme mesmo tendo um toque de ficção, está longe de não retratar o mundo atual, isso porque a obra aborda temas como a ética da exploração de animais e pessoas associado ao sistema capitalista nocivo, bem exemplificado no filme pela Mirando.

Sob essa ótica, é possível associar a trama com a teoria marxista das Relações Internacionais. Para Marx, de acordo com a ideia de mais-valia, o capitalismo é um sistema em que os donos do meio de produção não retribuem de modo proporcional o esforço de trabalho do trabalhador, a diferença de hora, esforço do trabalhado, salário, são subvalorizados. Assim, há um déficit na qualidade de vida dos trabalhadores, o que é motor para a desigualdade (RAMOS,2022).

No filme, a Mirando envia 26 animais para fazendeiros de diversos países alegando querer ver a taxa de desenvolvimento dos superporcos em cada região. A realidade é que a atitude visa apenas gerar uma propaganda multicultural para a empresa, e que tem como consequência a exploração tanto dos fazendeiros locais, que não recebem pelo esforço em criar a “mercadoria”, quanto dos animais, que são geneticamente modificados para aumentar a eficiência da produção de carne.

Seguindo a teoria de infraestrutura e superestrutura de Marx e Engels, a infraestrutura é a base econômica ou material de uma sociedade, efetuada pela força produtiva (trabalhadores) e pelos bens que está produz,. A superestrutura constituísse de instituições (Estado, ideias políticas, sistema jurídico, etc.) que procuram organizar e normalizar as condições de existência da força produtiva, a vida em sociedade. Nesse viés, uma influência a outra, até o momento em que surgem novas formas de produção (SARFATI, 2005).

No longa-metragem, a fazenda onde os animais são criados por trabalhadores locais pode ser vista como uma infraestrutura, pois é onde ocorre a produção física dos superporcos. A mídia ao fazer propaganda dos produtos da Mirando e ao estabelecer valores como a sustentabilidade, mesmo não sendo a verdade, são características da superestrutura. Um pequeno recorte da realidade social contemporânea, que exemplifica muito bem o poder que as corporações econômicas exercem sobre as sociedades capitalistas.

No mais, Okja é um filme que aborda temas sérios com um toque de comédia, o que não diminui o seu impacto a quem assiste. Deve ser assistido para quem busca fugir da alienação promovida pela busca de poder no mundo.

REFERÊNCIAS:

RAMOS, Danielly. TEORIAS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS. In: Introdução às Relações Internacionais. São Paulo: Contexto, 2022. cap. 3, p. 63-94.

SARFATI, Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2005.