Por Daiany Lima, acadêmica do 4º semestre de Relações Internacionais na Unama.

Em 2025, Belém será palco de um dos eventos mais importantes acerca das questões climáticas. Tendo seu início em 1994 em Nassau, Bahamas, a COP (Conferência das Partes, em tradução do inglês Conference of the parties) é um dos órgãos mais importantes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) que, anualmente é realizada em diversos países, e, no próximo ano, será realizada pela primeira vez em Belém do Pará (Ministério do Meio Ambiente, 2006).

Tal conferência traz para si um importante papel, pois é nesse espaço que representantes de dispares Estados reúnem-se para discutir sobre causas, efeitos e consequências que os desastres ambientais, que vem crescendo nos últimos anos, vêm causando ao redor do globo. Vale ressaltar que discussões como essas sobre o clima já são frequentes e aumentam de importância a cada ano. Na Rio 92, por exemplo, o Brasil foi palco de conversas acerca das questões climáticas que apresentavam indícios de uma mudança abrupta. Entretanto, é necessário destacar que tais reuniões são apenas propostas e recomendações, pois serão os Estados que decidirão se adotarão as propostas recomendadas pelo Órgão da Convenção Quadro da ONU. Todavia, é necessário destacar também que não há mais tempo para pensar, e sim para agir, o que faz com que Belém seja a cidade perfeita para esse debate.

A cidade de Belém do Pará possui em seu território um pedaço da floresta Amazônica, bioma esse considerado um dos mais importantes do mundo, mas que tanto é mitificada para os olhares estrangeiros, não à toa que para além do gentílico belenense, o termo amazônida é bem utilizado na região. Escolher a cidade das mangueiras para sediar um evento tão importante não foi ao acaso, os debates acerca do meio ambiente se tornaram muito mais relevantes nos últimos tempos, e nada melhor do que debater Meio Ambiente no meio da Amazônia. 

Isso se deve pelo fato de ser essa a cidade que entende e dialoga diariamente com essa floresta, em contato com identidades que não são contadas para os “de fora”: a Amazônia dos povos indígenas que existe e resiste, dos ribeirinhos e de todo um povo que sabe quando inicia e termina o inverno amazônico, quando é hora de pegar o barco para atravessar para Cotijuba ou não, se vai ter um “toró” ou se vão continuar “breados”. Todavia, é imprescindível destacar a questão da Amazônia enquanto mercadoria que é vendida por aqueles que daqui exportam sem preocupação nos malefícios que acomete aos que aqui residem, um sinal claro de que até o capitalismo adapta-se para lucrar, mesmo que seja destruindo a terra (FIER, Florisvaldo, 2018). 

Este evento ocorre pela necessidade do lucro, pois o sistema capitalista ainda necessita de manutenção. Entretanto, também há iniciativas importantes para que o Meio Ambiente venha a ser protegido através da Governança Global, pois há temas que um Estado não consegue resolver sozinho, tendo em vista que, somente por meio de um envolvimento entre as diversas partes de um sistema, é possível alcançar uma solução concertada (Rosenau, 2007). A COP 30 se espelha exatamente nesta teoria de Rosenau, uma vez que, a degradação do Meio Ambiente e as crises climáticas são temas que envolve Estado e Sociedade Civil, e, para barrar o aumento acelerado de empecilhos desencadeados por essas problemáticas, a necessidade de um debate mais aprofundado e medidas cabíveis para interromper essa situação são imprescindíveis.

Se olhar para a atual Amazônia, que se vê de fora, ela é mercadoria para vender e lucrar, mas para quem nela reside, é símbolo de força, riqueza, resistência e muita ciência.

A COP 30 em Belém será um grande evento que está sendo aguardado por muitas pessoas de todos os setores sociais. Que seja palco para, não somente falar, mas para ouvir o que a própria floresta tem a dizer.

Referências:

Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: http://antigo.mma.gov.br/biodiversidade/conven%C3%A7%C3%A3o-da-diversidade- biol%C3%B3gica/conferência-das-partes.html. Acesso em 25 de Agosto de 2024.

ROSENAU, James N. Governing the ungovernable: The challenge of a global disaggregation of authority. Washington: Regulation & Governance, 2007.
FIER, Florisvaldo. “Destruir para ganhar – o preço que o capitalismo cobra ao mundo”, 2018. Disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/temas/meio-ambiente/%E2%80%8Bdestruir-para-ganhar-%E2%80%93-o-preco-que-o-capitalismo-cobra-ao-mundo/. Acesso 25 de Agosto de 2024.