
Julia Castro, acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais
Ficha Técnica:
Ano: 1982
Diretor: Ridley Scott
Distribuição: Warner Bros
Gênero: Ficção Científica
Países de Origem: Estados Unidos, Hong Kong
Baseado no romance “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?”, de Philip K. Dick, e um dos maiores clássicos do cinema, o enredo gira em torno de Rick Deckard, um caçador de recompensas, conhecido como Blade Runner, que é encarregado de eliminar replicantes – seres artificiais criados pela Tyrell Corporation para trabalhar em colônias espaciais. O filme é um marco da ficção científica e continua a influenciar debates filosóficos e estéticos até hoje.
A trama se passa no ano de 2019, em uma Los Angeles sombria e decadente. A Tyrell Corporation, uma poderosa empresa tecnológica, cria seres artificiais chamados “replicantes”. Eles são quase idênticos aos humanos, mas com força e inteligência superiores, sendo usados para trabalho escravo em colônias fora da terra. Após um motim sangrento em uma dessas colônias, os replicantes foram banidos da Terra, e aqueles que retornam são caçados e “aposentados” por uma unidade especial da polícia, conhecida como blade runners. Rick Deckard, um ex-blade runner, é forçado a voltar ao serviço por seu antigo chefe, Bryant. Ele recebe a tarefa de rastrear e “aposentar” quatro replicantes fugitivos: Roy Batty, Pris, Zhora e Leon. Deckard começa sua investigação visitando a Tyrell Corporation, onde conhece o Dr. Eldon Tyrell e Rachael, uma replicante Nexus-7 que desconhece sua verdadeira natureza. Deckard começa a se envolver emocionalmente com Rachael e promete protegê-la após ela fugir da Tyrell Corporation.
Ao explorar temas de poder, tecnologia e identidade, o longa-metragem se relaciona perfeitamente com a teoria pós-moderna das Relações Internacionais. Os teóricos pós-modernistas questionam narrativas tradicionais e destacam como as percepções e realidades são moldadas por simulações e discursos de poder. Jean Baudrillard argumenta que o que muitas vezes consideramos realidade é, na verdade, uma simulação. A mídia e os discursos políticos criam uma ‘hiper-realidade’, onde as representações substituem a realidade.” (SAFARTI, 2005). No filme, a existência dos replicantes, com memórias implantadas e identidades construídas, mostra essa hiper-realidade, onde é impossível diferenciar o que é verdadeiramente humano. A cidade futurista de Los Angeles também é um espaço onde a realidade é misturada com elementos simulados.
Na visão de Foucault, o desenvolvimento da sociedade moderna e das novas relações de produção capitalistas tiveram a necessidade de toda uma tecnologia de poder que age de modo a gerir e a controlar as multiplicidades humanas. A biopolítica da espécie humana foi um dos mecanismos do poder inventados no decorrer da segunda metade do século XVII e no decorrer do século XVIII, respectivamente, como instrumento de formatação e normalização dos indivíduos e das populações (DANNER, 2017). Em Blade Runner, os replicantes são criados, controlados e, quando necessário, “aposentados” pela autoridade. A constante vigilância dos replicantes, através de tecnologias como o teste “Voight-Kampff” mostra como o poder se impõe sobre suas vidas.
Questões sobre a natureza da humanidade e o impacto da tecnologia na sociedade são ainda mais relevantes nos dias atuais. Dessa forma, “Blade Runner” pode ser visto não apenas como uma obra de ficção científica, mas como uma meditação sobre o futuro das relações humanas e internacionais em um mundo cada vez mais governado por tecnologias e narrativas construídas.
REFERÊNCIAS:
DANNER, F. O sentido da biopolítica em Michel Foucault. Revista Estudos Filosóficos, n. 4, p. 143-157, 2017.
SARFATI, Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2005.
