
Antônio Vieira, acadêmico do 2° semestre de Relações Internacionais
Ficha Técnica
Gênero: Drama
Duração: 2h 14min
Ano: 2001
Diretor (a): Ron Howard
Distribuição: Universal Pictures
País de origem: EUA
Baseado na história acadêmica do matemático John Nash Forbes, ganhador do prêmio Nobel de economia pela sua contribuição a teoria dos jogos, “Uma Mente Brilhante”, filme vencedor de 4 Oscars (ADOROCINEMA, 2012), conta a batalha diária de um prodígio da matemática, assombrado por uma doença mental, em se afirmar na sociedade.
De início, são apresentadas a introversão e a inteligência de John Nash no ambiente universitário, que é alvo de piadas, mas ao mesmo tempo de admiração. O mesmo afirma que prefere estudar no seu quarto, evitando a socialização, no entanto, logo ele faz amizade com o seu novo colega de quarto, Charles Herman, que, ao contraio de John, é extrovertido e sem disciplina. Conforme os dias passam, o matemático revela ao amigo sua preocupação por ser o único entre os colegas a não ter uma tese de doutorado. Para ele, a ideia deve ser a mais original dentre as demais.
Nesse contexto, é em uma noite descontraída no bar entre amigos que Nash cria o que seria o refinamento da teoria dos jogos, conhecida como “equilíbrio de Nash”. Na circunstância, os amigos tentam conquistar a considerada mulher mais bonita do local, que estava ao lado das amigas, porém, logo surge a dúvida sobre a melhor estratégia para o feito, em que todos saíssem ganhando, dessa maneira, John dita a solução.
Posteriormente, com o sucesso do estudo, Nash, na época da guerra fria, passa a trabalhar para o Governo dos Estados Unidos como codificador de mensagens russas, além de lecionar matemática na universidade. Com o passar do tempo, o trabalho começa a consumir a saúde mental do gênio, que passa a viver sob constantes ameaças e pressões, ao ponto de se sentir perseguido.
Nesse cenário, John Nash é diagnosticado com um distúrbio mental grave, pondo em xeque tudo o que uma vez ele havia vivido, mas, através do apoio da mulher e de um longo tratamento psicoterapêutico, busca a chance de uma vida “normal”.
“Uma mente brilhante” é emocionante e motivante, mostrando que, por meio do apoio familiar e do tratamento psicológico adequado, uma doença mental não define quem você é ou gostaria de ser. Também, é importante ressaltar a análise presente às instituições como fomentadoras de doenças mentais, assim, a obra cinematográfica pode ser associada com a teoria crítica das Relações Internacionais, que busca desconstruir e ressignificar instituições, como também as relações de poder na sociedade (COX, 2021).
Segundo Linklater, o objetivo da teoria crítica é livrar as pessoas de todas barreiras socialmente construídas que as impossibilitam de viver uma vida plena, com o direito de escolhas. Nesse sentido, de acordo com o autor: “Ser livre significa ter a capacidade de se autodeterminar ou de iniciar uma ação e, portanto, o objetivo dessa teoria é aumentar a capacidade humana de autodeterminação” (SARFATI. 2005).
Ao associar com o filme, a universidade como uma instituição, exige excelência dos seus alunos, a fim de manter a sua influência e poder perante as demais. Em virtude disso, John passa por diversas situações de estresse ao tentar se provar competente. Também, quando ele começa a trabalhar para o Governo, é possível notar como a entidade passa a controlar a sua vida, haja vista que, caso ele se demita, a proteção que antes tinha contra espiões russos seria desfeita, dessa forma, botando a sua vida e da sua família em risco.
Portanto, é possível notar o poder desproporcional das instituições sobre os indivíduos, que dentre as consequências está o surgimento de doenças mentais. No mais, “Uma mente brilhante” é um filme rico em conteúdo, que consegue ser transmitido pelas ótimas atuações e pelo roteiro surpreendente, caso a pessoa não conheça a história de John Nash Forbes.
REFERÊNCIAS:
Adorocinema. Uma mente brilhante. 2012. Disponível em: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-28384/creditos/. Acesso em: 03 de set. de 2024.
COX, Robert. Forças sociais, Estados e ordens mundiais: além da teoria de Relações Internacionais. Tradução de Caio Gontijo. Revista OIKOS, v. 20 n. 2, p. 10-37, jun. 2021. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/inde.php/oikos/article/view/52053. Acesso em: 06 ago. 2024.
SARFATI, Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2005.
