Railson Silva (acadêmico do 8º semestre de RI da UNAMA)

Nas últimas décadas do século XIX, surgiu uma ideia fundamental para o desenvolvimento da Geopolítica: o território como sinônimo de poder. Os teóricos clássicos dessa nova área de estudo viam o território e sua extensão como um dos principais atributos do poder dos Estados. Essa perspectiva, voltada para as Relações Internacionais, colocava os Estados, enquanto entidades políticas, em uma relação direta com o espaço geográfico, destacando a importância estratégica de sua ocupação e controle. (NEVES,2021)

Um dos autores deste último campo foi o norte-americano Alfred Thayer Mahan (1840-1914), que, em 1890, elabora a Teoria do Poder Marítimo. Ele foi um estrategista naval e historiador norte-americano que, no final do século XIX, exerceu uma influência profunda no campo da geopolítica clássica. Mahan é amplamente conhecido por suas contribuições teóricas sobre o papel do poder naval nas relações internacionais, argumentando que o domínio dos mares era essencial para o sucesso e a prosperidade de uma nação.

Ao examinar as potências que, em determinado momento da história, alcançaram grande poder, Mahan (1890) atribui seu sucesso ao desenvolvimento de uma capacidade marítima baseada em três pilares principais: a presença de uma marinha de guerra eficaz; o controle de chokepoints (pontos geograficamente estratégicos e cruciais para a navegação global, como entradas de golfos ou canais); e a manutenção de uma marinha mercante robusta, que, protegida pela marinha de guerra, assegurava o estabelecimento e a manutenção de rotas comerciais essenciais.

Na visão do teórico, é a conjugação desses três fatores que gera o poder marítimo. Quando aliados a outros elementos fundamentais, como uma posição geográfica vantajosa em termos marítimos, uma vasta extensão territorial e uma população crescente, Mahan acreditava que os Estados Unidos, por serem geograficamente privilegiados, estavam destinados a se tornar o sucessor geopolítico do Império Britânico. (NEVES,2021)

Seu pensamento geopolítico, centrado no conceito de “poder marítimo”, foi desenvolvida em sua obra mais influente, The Influence of Sea Power upon History, 1660-1783, publicada em 1890. Essa obra marca o início de uma nova forma de pensar as dinâmicas de poder entre os Estados, onde o controle sobre as rotas marítimas se mostrava decisivo para a projeção de poder global.

A teoria de Mahan sobre o poder marítimo também se desdobrou em uma visão geopolítica mais ampla, onde a geografia marítima, os recursos navais e a capacidade de controlar rotas oceânicas se tornaram peças centrais para o planejamento estratégico das nações. Segundo o autor, a verdadeira segurança nacional de uma nação se encontra não apenas em suas fronteiras terrestres, mas também em sua capacidade de controlar e proteger os mares (MAHAN, 1890).

Em suma, o teórico Alfred Thayer Mahan foi um dos principais teóricos da geopolítica clássica, e seu pensamento sobre o poder marítimo redefiniu a forma como as nações planejaram suas estratégias de expansão e defesa no século XX. Suas ideias tiveram um impacto duradouro nas políticas militares e nas relações internacionais, transformando a maneira como os Estados enxergam a importância dos oceanos na disputa pelo poder global. Suas contribuições continuam a ser estudadas e reverenciadas como parte fundamental do pensamento geopolítico moderno.

Referências:

NEVES, Ricardo. As Origens da Geopolítica – A Geopolítica Clássica. Orbis, 2021. Disponível em: <https://orbisirsa.pt/as-origens-da-geopolitica-a-geopolitica-classica/&gt;

Mahan, A. T. (1890). The Influence of Sea Power upon History, 1660-1783. Boston: Little, Brown and Co.