Por Caira Queiroz- Acadêmica do 4º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

Sediada em Belém do Pará, é inegável que a COP 30 já representa um marco para o Brasil e para a Amazônia na luta global contra as mudanças climáticas. Como sede desta importante conferência das Nações Unidas, a capital paraense vem se tornando centro de discussões e ações decisivas para o futuro ambiental do planeta, atraindo líderes mundiais e colocando a proteção da floresta tropical e do desenvolvimento sustentável em destaque internacional.

Para tanto, o evento também traz investimentos estratégicos para a região, sendo um deles a criação de um de seus maiores legados: o Museu das Amazônias – um espaço permanente para retratar a biodiversidade amazônica e fomentar diálogos sobre sustentabilidade. Com um aporte inicial de R$ 19,9 milhões do  Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o museu será uma vitrine para o compromisso do Brasil com a preservação ambiental e a valorização das comunidades amazônicas, reafirmando a relevância global da COP 30 para o avanço da agenda climática e para o desenvolvimento consciente da região.

Tal passo para o andamento do projeto foi dado neste mês de outubro, onde o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Celso Pansera, assinou um convênio com o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), um recurso inafiançável oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), um investimento significativo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Já o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), vinculado ao MCTI, será responsável por implementar o Museu das Amazônias, incluindo nele a pluralidade da região e suas diferentes perspectivas, como a marinha e a Amazônia negra, frequentemente pouco exploradas. Esse espaço será uma plataforma permanente para celebrar a biodiversidade amazônica, o modo de vida das comunidades e promover o diálogo em torno de um futuro sustentável, mostrando “as faces amazônicas, incluindo a marinha, sobre a qual pouco se fala, assim como a Amazônia negra”, como destaca o diretor do MPEG, Nilson Gabas Jr. (AGÊNCIA GOV, 2024).

A iniciativa ainda é apoiada por instituições parceiras, como o Museu da Amazônia (MUSA), e busca financiamento adicional para viabilizar o projeto completo, dos quais os recursos da Finep representam cerca de 25%. A criação do Museu das Amazônias, com o apoio da COP 30, fortalecerá a preservação da floresta e o desenvolvimento consciente da região.

Assim, é perceptível que a COP 30, portanto, é uma oportunidade valiosa para impulsionar ações climáticas e ambientais por meio de pontos como a visibilidade internacional da Amazônia, o fortalecimento do diálogo ambiental e o investimento cultural e científico. Além do mais, a construção do museu impulsionará o desenvolvimento econômico da região, com a criação de postos de trabalho e melhorias em infraestrutura urbana, com possível efeito de longo prazo.

Por que “possível efeito”? Embora o evento traga visibilidade e signifique um investimento inicial importante, o sucesso do Museu das Amazônias depende ainda de fontes adicionais de financiamento para sua conclusão e continuidade. 

Essa dependência cria incertezas sobre a sustentabilidade do projeto a longo prazo. Sem falar dos efeitos sociais de um projeto como o Museu das Amazônias que vão além da infraestrutura e da representatividade simbólica durante o evento; eles tocam diretamente a forma como se constroem e se legitimam os espaços de voz. 

E neste cenário onde o diálogo real deveria estar no centro, o risco é se deixar levar por um tipo de monólogo institucional, onde o governo e empresas falam e a sociedade só ouve, ou um “duólogo” no qual grupos comunitários falam, é criado um espaço de fala/representatividade, mas sem real escuta nem comprometimento dos responsáveis. Isso cria uma falsa sensação de inclusão, onde a comunidade é consultada, é exposta, mas suas demandas são deixadas de lado na fase de implementação. 

Por isso, é essencial que a sociedade civil e os atores envolvidos acompanhem de perto essas tratativas, garantindo que os investimentos sejam inclusivos, duradouros e beneficiem diretamente as comunidades locais e a biodiversidade amazônica. 

Não basta que o museu sirva apenas como vitrine temporária durante a conferência; ele deve se consolidar como um legado permanente, dedicado à preservação, valorização cultural e proteção da nossa Amazônia. Para que o Museu e a COP 30 tenham impacto positivo, é fundamental que essa escuta seja genuína, garantindo que a voz local ressoe na execução e nas políticas a longo prazo, não apenas no discurso inaugural.

REFERÊNCIA

Agência Gov | Via MCTI. COP 30: Finep assina acordo de R$20 milhões para criação do Museu das Amazônias. Agência Gov, 2024. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202410/cop-30-finep-assina-acordo-de-r-20-milhoes-para-criacao-do-museu-das-amazonias