Brenda Thalita de Macedo Sousa – Internacionalista formada pela UNAMA.

A história da Língua Brasileira de Sinais (Libras) reflete uma trajetória marcada por influências internacionais e pela valorização das identidades e direitos da comunidade surda no Brasil. Desde a introdução da língua de sinais francesa, trazida por Ernest Huet, até o reconhecimento formal da Libras como meio legal de comunicação em 2002, o desenvolvimento da Libras evidencia uma série de avanços na construção de uma sociedade mais inclusiva (ACADEMIA DE LIBRAS, 2019).

Esses avanços também reforçam a importância de políticas de acessibilidade e educação para surdos, como a regulamentação da profissão de intérprete de Libras em 2010. Uma análise desse tema sob a ótica da teoria construtivista das relações internacionais, sustentada por Alexander Wendt, permite entender o impacto das normas e valores globais de inclusão e direitos humanos na consolidação da Libras e na promoção de políticas de acessibilidade no Brasil (WENDT, 1999. BARROS, 2012).

A teoria construtivista das relações internacionais, destacada por Alexander Wendt, foca na influência das normas, valores e identidades na formação de políticas e práticas. Segundo Wendt, as relações internacionais são moldadas pela construção social de normas e identidades, que legitimam políticas de inclusão e igualdade, em vez de serem determinadas apenas por interesses econômicos ou materiais (WENDT, 1999. BARROS, 2012).

No contexto da Libras, essa teoria permite analisar como valores de inclusão e respeito aos direitos humanos foram progressivamente internalizados pelo Brasil, impulsionando a criação de leis e iniciativas de acessibilidade para a comunidade surda e alinhando o país a uma visão global de direitos (GUIMRÃES; CRUZ, 2021)

O desenvolvimento da Libras e sua formalização no Brasil são frutos de uma construção social que começou no século XIX com a introdução da língua de sinais francesa, servindo de base para a formação de uma linguagem gestual brasileira adaptada. Em 1880, o Congresso de Milão reuniu representantes de vários países para discutir abordagens educacionais para pessoas surdas, sendo um marco internacional sobre as políticas de educação para surdos, embora inicialmente reforçasse o método oralista. No entanto, a contínua mobilização das comunidades surdas ao redor do mundo criou uma resistência que resultou na valorização das línguas de sinais (ACADEMIA DE LIBRAS, 2019).

No Brasil, o reconhecimento da Libras como meio legal de comunicação em 2002, através da Lei nº 10.436, e a regulamentação da profissão de intérprete em 2010 representam passos importantes na construção de uma política inclusiva para a comunidade surda (PLANALTO, 2002).

Sob a ótica do construtivismo de Wendt, esses avanços no reconhecimento da Libras e no desenvolvimento de políticas de inclusão não ocorreram apenas por interesses pragmáticos, mas também pelo fortalecimento de normas globais de direitos humanos e inclusão social (WENDT, 1999. BARROS, 2012).

No contexto escolar, o uso de materiais didáticos adaptados, metodologias específicas e a presença de intérpretes são parte de um processo que reflete essa construção social de inclusão. A Libras é reconhecida como uma língua fundamental para a integração dos alunos surdos e representa um marco de respeito à identidade cultural da comunidade surda, promovendo uma visão mais ampla de direitos e cidadania. (GUIMRÃES; CRUZ, 2021)

A trajetória da Libras e das políticas inclusivas no Brasil demonstra como normas e valores globais, conforme a teoria construtivista de Alexander Wendt, influenciam o desenvolvimento de práticas nacionais. A valorização da Libras e a adaptação de ambientes como escolas e instituições de saúde refletem uma mudança cultural que visa garantir os direitos da comunidade surda, promovendo uma sociedade mais igualitária. O reconhecimento da Libras, a regulamentação dos intérpretes e as adaptações escolares são exemplos de como o Brasil tem avançado na construção de uma política inclusiva que respeita as identidades culturais e linguísticas da população surda, fortalecendo os valores de inclusão e cidadania. (WENDT, 1999. BARROS, 2012. ACADEMIA DE LIBRAS, 2019).

Referência:

ACADEMIA DE LIBRAS. História da Libras. Disponível em: https://academiadelibras.com/libras/historia-da-libras/ Acesso em: 12 nov. 2024.

BARROS, Marilene. SOCIAL THEORY OF INTERNATIONAL POLITICS: The impact of social constructivism in international politics Alexander Wendt. Revista Húmus, v. 2, n. 5, 1 Mai 2012 Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/revistahumus/article/view/1594 Acesso em: 12 nov 2024.

GUIMARÃES, Ueudison Alves. CRUZ, Renata Cristina Vilaça. Os desafios da inclusão de libras no contexto educacional: revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 02, pp. 75-91. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/inclusao-de-libras  Acesso em: 12 nov 2024.

Planalto. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm  Acesso em: 12 nov. 2024.

WENDT, Alexander. A social theory of international politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/239065011_A_Social_Theory_of_International_Politics  Acesso em: 12 nov. 2024.