
Davi Soares Silva Souza – 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA
A Guerra Nórdica dos Sete Anos, também conhecida como Guerra dos Sete Anos do Norte (1563-1570), foi um conflito marcante entre as potências nórdicas da época, principalmente o Reino da Dinamarca-Noruega e o Reino da Suécia. Este confronto foi impulsionado por disputas territoriais, rivalidades dinásticas e tensões políticas que remontavam ao período da União de Kalmar, e teve consequências duradouras para a região escandinava.
A guerra representou um marco na história nórdica, pois gerou grandes mudanças na balança de poder da região. A Suécia, que buscava sua independência e sua posição como potência regional, enfrentou a Dinamarca-Noruega, que tentava manter seu domínio político e econômico. Além disso, o controle sobre o Báltico, uma rota comercial estratégica, foi um dos principais pontos de conflito.
Frederico II, que assumiu o trono da Dinamarca-Noruega em 1559, nutria ambições de restaurar a União de Kalmar, uma aliança que outrora unira os reinos nórdicos sob uma coroa comum. Como sinal de sua pretensão sobre a Suécia, Frederico incorporou o brasão de armas sueco em sua bandeira, enviando uma mensagem clara de que via a Suécia como parte legítima de seu domínio, além do mais o controle dinamarquês do Báltico e das províncias fronteiriças era central para preservar sua hegemonia na região. (BRITANNICA, 2024)
Por outro lado, Erik XIV, que se tornou rei da Suécia em 1560, tinha objetivos e ideias expansionistas, em 1561, ele anexou a cidade de Reval (atual Tallinn) e parte da Livônia, ganhando um controle estratégico sobre o transporte marítimo no Golfo da Finlândia e fortalecendo sua posição comercial com a Rússia. Erik também visava Riga, na época sob domínio polonês, mas essa ambição gerou uma aliança contra a Suécia composta pela Polônia, Lübeck e Dinamarca-Noruega (Nordiska sjuårskriget, 2005).
Com o início do conflito, a prioridade inicial da Suécia na guerra era resistir aos ataques dinamarqueses e proteger sua independência. Entretanto, ao mesmo tempo buscava destruir ideais expansionistas, mantendo asesperanças de recuperação de territórios estratégicos como Gotland e antigas províncias suecas sob domínio dinamarquês, incluindo Jämtland, Härjedalen, Skåne, Blekinge, Halland e Bohuslän (WILTON, 2012).
Em 1568, Erik XIV foi deposto por seu irmão João III, que herdou o trono e a liderança da guerra. Apesar da continuidade dos esforços, os dinamarqueses alcançaram vitórias importantes, como a captura da fortaleza de Älvsborg, que se tornou uma grande barganha. Para recuperá-la, a Suécia foi obrigada a pagar um resgate significativo, exacerbando os custos econômicos do conflito (BRITANNICA, 2024).
Durante a Guerra, tanto a Suécia quanto a Dinamarca-Noruega buscavam vantagens no status quo regional, tentando expandir sua influência no Báltico. A noção de balança de poder de Hans Morgenthau, na obra Politics among nations (2006), ajuda a entender essa dinâmica, pois sugere que os Estados procuram manter ou ampliar suas posições estratégicas em resposta às ameaças de seus rivais. A Suécia tentava se afirmar como potência regional, desafiando a hegemonia dinamarquesa, enquanto a Dinamarca procurava restaurar a União de Kalmar e preservar seu domínio sobre a região. Essa competição levou à formação de alianças e rivalidades, com ambos os lados buscando equilibrar o poder no Báltico, o que moldou o curso do conflito.
A guerra terminou em 1570 com o Tratado de Stettin, que restaurou o status quo, sem grandes mudanças nas fronteiras. Tendo impactado significativamente na balança de poder no Báltico. Ela representou a pressão entre os interesses locais e as ambições regionais de hegemonia, além de destacar o papel estratégico da região nórdica nas rotas comerciais e políticas do século XVI. (Nordiska sjuårskriget, 2005)
Compreender esse conflito é essencial para uma visão mais ampla das dinâmicas europeias da época e atuais, especialmente ao considerar a marginalização frequente das regiões nórdicas nos debates sobre a história do continente. A guerra exemplifica a complexidade das disputas de poder fora do eixo central europeu, ressaltando a importância de integrar essas narrativas ao estudo da história europeia como um todo.
REFERENCIAS:
MORGENTHAU, H. J. Politics among nations: the struggle for power and peace. Boston: McGraw-Hill Higher Education, 2006.
A Guerra Nórdica dos Sete Anos. Nordiska sjuårskriget. 25 de setembro, 2005. Disponivel em:
https://historiesajten.se/krigsinfo.asp?id=4
WILTON, Suécia e a Guerra dos Sete Anos, 1757–1762: Guerra, Dívida e Política, 2012. Disponível em:
https://www.jstor.org/stable/26098325
Frederico II, rei da Dinamarca e da Noruega. BRITANNICA. 27 de junho, 2024. Disponível em:
https://www.britannica.com/place/Kalmar-Union
O que é Balança de Poder – Conceito Fundamental das RI. ESRI. 23 de junho, 2024. Disponível em:
