
Ana Clara Duarte – 3° Semestre de Relações Internacionais da Unama.
O slogan “Make America Great Again” (MAGA) tornou-se um dos principais símbolos do movimento político liderado pelo 47º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A frase carrega a premissa de que os Estados Unidos já ocuparam uma posição de grandeza no cenário global, mas teriam perdido esse status devido a influências estrangeiras e mudanças sociopolíticas internas (BBC, 2024). Os adeptos do movimento MAGA acreditam que essa suposta decadência pode ser revertida por meio de políticas nacionalistas e protecionistas, conhecidas como “America First”, que enfatizam o fortalecimento da economia interna, a implementação de barreiras mais rígidas à imigração, e a valorização do que consideram serem os valores tradicionais norte-americanos.
De acordo com o dicionário Merriam-Webster, o movimento MAGA defende “limites rígidos à imigração e um retorno às políticas e práticas em vigor antes da globalização e especialmente antes da era da globalização que começou no final do século XX” (Merriam-Webster, 2024). Dessa forma, o slogan não apenas reflete uma retórica política, mas também influencia a formulação de políticas governamentais e os debates sobre identidade nacional, economia e relações internacionais.
A campanha de Donald Trump rapidamente atraiu forte apoio entre os eleitores conservadores da classe trabalhadora branca, que viam nele um defensor de seus interesses econômicos e culturais. Seu histórico como empresário fortaleceu essa imagem, uma vez que muitos eleitores o enxergavam como alguém capaz de revitalizar a economia dos Estados Unidos por meio de políticas protecionistas e de estímulo à indústria nacional. A história de Trump resgatava um discurso nacionalista, no qual a restauração da grandeza americana passava pela reafirmação de sua soberania econômica e territorial.
Em seu discurso de posse, Trump evocou explicitamente princípios expansionistas ao mencionar o interesse em comprar a Groenlândia, ocupar o Panamá e anexar o Canadá, argumentando que tais ações seriam realizadas em nome dos altos interesses dos Estados Unidos (BBC, 2025). Essa oratória remete diretamente à doutrina do Destino Manifesto, um conceito cunhado em 1845 para justificar a expansão territorial norte-americana como uma missão divina de disseminação da civilização e da democracia (Howe, 2007). Ao utilizar essa referência histórica, Trump reforçava uma narrativa de singularidade americana, segundo a qual os Estados Unidos teriam um papel predestinado de liderança global.
A abordagem política de Donald Trump pode ser analisada à luz do conceito de “equilíbrio de poder”, defendido pelo teórico das relações internacionais Hans Morgenthau. Para Morgenthau (2003), esse equilíbrio busca manter uma convivência controlada entre atores que competem incessantemente por poder no sistema internacional, evitando a hegemonia absoluta de qualquer um deles. No entanto, a postura de Trump desafia essa lógica ao adotar uma visão expansionista e unilateral, rompendo com a tradição de contenção e cooperação que historicamente marcou a política externa americana.
O pesquisador e professor de Relações Internacionais, Carlos Gustavo Poggio, argumenta que o novo Trump representa uma guinada imperialista, contrariando a concepção original do cargo de presidente dos Estados Unidos, que foi criado para ser estruturalmente fraco desde o século XIII (Poggio, 2020). Essa afirmação ressalta a tensão entre o poder executivo e os mecanismos institucionais destinados a limitar seu alcance, especialmente no que diz respeito à política externa.
Para Morgenthau (2003), a política internacional se baseia essencialmente na luta pelo poder entre Estados, sendo o equilíbrio de forças um mecanismo fundamental para evitar conflitos descontrolados. No entanto, a estratégia de Trump, marcada por um discurso nacionalista e expansionista, desafia esse princípio ao buscar a reafirmação unilateral da hegemonia americana, sem compromissos com o multilateralismo tradicional. Esse contexto reacende debates sobre os limites do poder presidencial e o impacto das mudanças na política externa dos Estados Unidos para o cenário global.
Referências:
ESQUINAS, R.; DENIS, D. U. America great again, Brasil acima de tudo e Brexit done: Especialista analisa bordões políticos famosos. Disponível em: <https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/politica/america-great-again-brasil-acima-tudo-brexit-done-bordao-especialista-analisa-politicos-famosos/>. Acesso em: 7 fev. 2025.
LIMA, P. 48h de governo Trump: veja o que já mudou nos Estados Unidos. Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/48h-de-governo-trump-veja-o-que-ja-mudou-nos-estados-unidos/>. Acesso em: 7 fev. 2025.
MAGA. Disponível em: <https://www.merriam-webster.com/dictionary/MAGA>. Acesso em: 7 fev. 2025.“Make America Great Again”: entenda o que significa o slogan de Trump. Disponível em: <https://valor.globo.com/mundo/eleicoes-eua-2024/noticia/2024/11/06/make-america-great-again-entenda-o-que-significa-o-slogan-de-trump.ghtml>. Acesso em: 7 fev. 2025.
PÉCHY, A.; VEJA. Trump retorna ao poder sob expectativa de vasta reviravolta na ordem mundial. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/mundo/trump-retorna-ao-poder-sob-expectativa-de-vasta-reviravolta-na-ordem-mundial>. Acesso em: 7 fev. 2025.
SANCHES, M. Primeiras medidas de Trump e os planos prioritários anunciados na posse. BBC, 20 jan. 2025.
