
Caio Farias
Heitor Sena
Marcelo Alves
Em 2024, a diminuição da escala de trabalho foi um dos temas mais relevantes no âmbito da política brasileira. Com o objetivo de eliminar o modelo de 6 dias de trabalho para 1 de descanso, amplamente praticado em setores como comércio, indústria e serviços, a deputada Erika Hilton propôs uma PEC que recebeu amplo apoio popular e que agora deve buscar apoio no congresso para buscar a aprovação da proposta.
Nesse ponto, é importante destacar que uma carga horária reduzida é uma prática adotada em muitas das principais economias desenvolvidas ao redor do mundo, como demonstrado pelo gráfico 01:

Gráfico 01 – Média de horas trabalhadas por semana de países do G20
Fonte: OIT
Logo, conforme o gráfico acima, o Brasil possui a 7ª maior carga horária entre as economias do G20, apresentando uma média consideravelmente superior à de economias altamente desenvolvidas como Canadá, Austrália e Alemanha. Sendo assim, a proposta de terminar a escala 6×1, representaria um avanço em direção a aproximar o Brasil do que é praticado nos países mais ricos do mundo.
A implementação de uma jornada reduzida tem trazido benefícios como a melhoria da saúde mental dos trabalhadores, aumento na produtividade e redução na emissão de CO2, fatores que levaram 92% das empresas no Reino Unido que testaram uma jornada de apenas 4 dias a aderir à prática permanentemente (WEF,2023). Assim sendo, reduzir a jornada de trabalho no Brasil é uma medida que aproxima o país do que já é praticado nas economias desenvolvidas.
Não obstante, o fim do 6×1 também é visto por agentes do mercado como algo que pode encarecer o custo da mão de obra formal, provocar o fechamento de pequenas empresas e aumentar ainda mais a parcela da população em trabalho informal caso implementado sem o auxílio de políticas complementares (UNIFOR, 2025). Nesse ponto, o levantamento de dados sobre o tema, imperativo para a elaboração de estratégias e projeções adequadas, ainda está em fases iniciais (CNN BRASIL, 2025).
A proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil pode ser analisada pelo institucionalismo liberal, que destaca a influência das normas internacionais na economia. Segundo Keohane (1984), instituições internacionais promovem previsibilidade e reduzem custos de transação, facilitando a adoção de novas políticas. Dessa forma, a implementação da medida pode ser mais eficaz se acompanhada de políticas complementares.
Portando, os debates a respeito da redução da escala de trabalho possuem reverberações profundas na dinâmica social e econômica da sociedade brasileira, se apresentando como fator decisivo na dignidade de vida do proletariado e na reestruturação do setor comercial e de serviços, buscando o equilíbrio que alcance o bem-estar e qualidade de vida em uma realidade extremamente marcada pelo consumo e exploração da mão de obra.
Com isso, apesar das discussões sobre a efetividade desta reestruturação, a eliminação da escala de trabalho 6×1 permanece como a única alternativa possível na tentativa de mediação entre dignidade e desenvolvimento econômico do estado brasileiro em um sistema de mercado neoliberal.
Referências:
CNN BRASIL. Governo levanta dados sobre brasileiros que trabalham na escala 6×1. CNN Brasil, 02 fev. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/governo-levanta-dados-sobre-brasileiros-que-trabalham-na-escala-6×1/. Acesso em: 4 fev. 2025.
KEOHANE, Robert O. After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. Princeton University Press, 1984.
UNIVERSIDADE DE FORTALEZA. O que é a escala 6×1 e qual seu impacto socioeconômico no Brasil? Disponível em: https://unifor.br/-/o-que-e-a-escala-6×1-e-qual-seu-impacto-socioeconomico-no-brasil. Acesso em: 4 fev. 2025.
WORLD ECONOMIC FORUM. The surprising benefits of a four-day workweek. 10 out. 2023. Disponível em: https://www.weforum.org/stories/2023/10/surprising-benefits-four-day-week/. Acesso em: 4 fev. 2025.
