Arthur Raphael, acadêmico do 3° semestre de Relações Internacionais

Ficha Técnica

Gênero: Animação, Fantasia, Aventura, Família

Duração: 1h 30min

Ano: 2024

Diretor (a): Gints Zilbalodis

Distribuição: Mares Filmes e Alpha Filmes.

País de origem: Letônia

A obra cinematográfica Flow, indicada ao Oscar de 2025, retrata a história de um gato que vive em um contexto de pós-vida humana, sobrando apenas vestígios do que seria algo da civilização humana, existindo somente animais silvestre tentando sobreviver aos desastres naturais constantes como enchentes, terremotos e abalos sísmicos constantes que destroem o que um dia o protagonista conhecia como lar (ADOROCINEMA, 2024).

No decorrer de sua jornada, é apresentado vários personagens que são relevantes a história, como a Garça, o Castor, o Labrador e o Lêmure. Todos passam por uma necessidade de deslocamento para poder encontrar um lugar seguro e dentro de um barco eles acabam viajando para poder encontrar um refúgio. Torna-se interessante observar como a história de alguns personagens trazem a reflexão de como lidar com o desconhecido e encarar o novo, em busca de um pertencimento fora de um grupo.

Com exceção do quadrúpede egípcio e do castor, todos os outros animais estavam em um grupo de espécies iguais, e ao confrontarem com as ideias dominantes de seus respectivos bandos, por motivos de injustiças ou conflitos de valores, eles acabam se tornando “os excluídos do grupo”.

Nesse sentido, ao se rebelarem dos seus antigos grupos e participando de um ciclo de amizade totalmente atípico, composto por espécies diferentes, onde cada um com seus hábitos e comportamentos totalmente diferentes entre si como, a citar o Lêmure que é obcecado em cuidar dos seus bens matérias, a Garça ficando como “guia” do barco e controlando a maior parte da viagem e sem ser muito espalhafatosa, o Labrador que vive brincando ou perturbando os outros do grupo, a capivara sempre deitada ou aparentemente cansada e o gato sendo um ser curioso e introspectivo. Assim, eles se encontram em uma situação na qual vão ter que aprender a lidar com as particularidades, necessidades e respeitar as diferenças de cada um para que haja uma harmonia dentro do grupo (ADOROCINEMA, 2024).

Desse modo, o filme pode ser analisado através da ótica da teoria Cosmopolita das Relações Internacionais, a qual aborda como definição a ideia de universalidade e de igualdade, afirmando que todos devem ser tratados com bases nas mesmas leis morais e a busca por um senso de justiça global em um mundo culturalmente plural. Trata-se de um esforço para se defender a possibilidade de deveres e obrigações que vão além das circunscrições das nacionalidades, culturas e etnias. Em outras palavras, os teóricos que se alinham a tal compreensão argumentam que não há afronta entre o universalismo moral e as particularidades culturais (MOURA, 2020).

Por fim, quando esses animais de espécies tão diferentes, dividindo o mesmo espaço e ajudando entre eles mesmos a sobreviver em nome de um dos valores do senso de justiça global de defender a possibilidade de deveres e obrigações que vão além de uma cultura, eles estão se diferenciando dos seus antigos grupos, que ajudaram somente seus semelhantes, e valorizando o respeito e a justiça com outras espécies.

Conclui-se que a relação entre os animais dentro do barco são uma concessão de culturas que visa ao objetivo de sobrevivência dentro de um contexto de devastações climáticas e ao se manterem vivos durante todo o trajeto, é um motivo de vitória pensar que se todas as partes estiverem dispostas poderão usufruir a harmonia.

Referências:

ADOROCINEMA. Flow (2024). Disponível em: <https://www.adorocinema.com/filmes/filme-302474/>. Acesso em: 20 fev. 2025.

MOURA, Julia. Teoria Crítica e o Cosmopolitismo. Ser um cidadão do mundo: até que ponto podemos levar esta ideia?. Revista Dissertatio. v. 9. set. 2020. Disponível:<https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dissertatio/article/view/19566/11919>. Acesso em 16 fev. 2025.