
Ana Gabriela de Souza e Silva 3° semestre de R. I da UNAMA
O Reino de Daomé, localizava-se na região da costa do Atlântico, na África Ocidental onde hoje é a República de Benin. Destacou-se por sua prosperidade econômica com o comércio de escravos, que durou até às pressões da coroa britânica para o fim da escravidão e por seu exército peculiar que lutou contra os franceses em um conflito no qual não conseguiu resistir, resultando na queda do império.
Embora não tenha muita informação sobre sua origem, o reino se formou com a junção de povos tribais, que forçados a migrar por conta do tráfico de escravizados, juntaram-se formando o Reino de Daomé, aproximadamente no ano de 1600 pelo povo Fon, fortalecendo o lado militar como forma de proteção (Black History Month, 2019). O que posteriormente lhes permitiu dominar os reinos de Allada e Whydah, assim consolidando-se na costa do atlântico.
Com um exército singular formado por mulheres, fortes e guerreiras, que serviram de inspiração para filmes como Pantera Negra e The Woman King, cuja ferocidade impressionou soldados franceses, eram bem treinadas desde tenra idade e tratadas como parte de uma classe superior. Chamadas de Agojie, inicialmente eram um grupo de caçadoras de elefante, que foi criado pelo rei Huegbadja (1645 – 1685), por conta de muitas batalhas ao longo dos anos, os homens ficaram em menor número dando espaço para as guerreiras se fortalecerem em um grande exército (SOLLY, 2022).
Viviam no palácio real e eram “casadas” com o rei, entretanto não tinham nenhum tipo de relação íntima com ele. Dedicadas a treinamentos rigorosos, estavam divididas em “mulheres da artilharia, da navalha, caçadoras de elefante, mosqueteiras e arqueiras” (ibid), foram de suma importância para várias conquistas militares e na captura de escravos.
O Reino de Daomé consolidou-se no mercado do tráfico de escravos, sendo fornecedor para países como Portugal, Holanda, Grã-Bretanha e outros países europeus, além disso, os chefes dos países africanos guerreavam entre si capturando e escravizando os oponentes para comercializa-los, Daomé era um dos que mais fazia isso. O Brasil foi um grande comprador e recebedor de escravos, os responsáveis pelas negociações e chegada deles ao país, ficavam principalmente nos portos de Salvador e Rio de Janeiro (ARANTES, 2021).
Recebendo mercadorias diversas pelo comércio de escravos, entre tabaco, tecidos, móveis, bebidas, as armas eram o que lhes interessava, com elas poderiam aperfeiçoar seus combates e conseguir cada vez mais escravos. O comércio com o Brasil era tão proeminente que foram enviados embaixadores de Daomé para facilitar as negociações tanto com quem já residia no país quanto com autoridades de Portugal (ibid). Anos mais tarde, com as pressões da coroa britânica para a abolição da escravidão, pois isto estava atrapalhando seus planos comerciais, os negócios de Daomé começaram a se deteriorar, tendo que mudar para investimentos na comercialização de óleo de palma.
Antes de Daomé desistir do comércio de escravos, recusaram várias vezes os pedidos britânicos, até que eles impuseram um bloqueio naval ao Reino de Daomé e assim em 1852, Glele, rei de Daomé aceitou um acordo com os britânicos. Aproximadamente, 20 anos depois, o Reino de Daomé aceita ser um protetorado da França, porém, quando o rei Glele morre e seu filho toma o poder, ele se mostra hostil com os franceses, ordenando ataques de escravos em protetorados franceses (Black History Month, 2019).
O Reino de Daomé, assim como muitos outros, nasceu e morreu por falta de adaptação a novos tempos e por decisões ruins de seus governantes. Daomé, tentou prosperar com o comércio de óleo de palma e estava indo bem, contudo, a sede europeia por dominação causou a partilha da África, mas a precipitação do governante em se opor a França causou a derrocada do reinado.
Referências:
ARANTES, José Tadeu. Estudo destaca a diplomacia de Daomé no tráfico de escravos para o Brasil. Agência FAPESP. 2021. Disponível em: https://agencia.fapesp.br/estudo-destaca-o-papel-da-diplomacia-de-daome-no-trafico-de-escravos-para-o-brasil/36015 Acessado em: 28/03/2025
A História do Reino de Daomé. Black History Month. 2019. Disponível em: https://www-blackhistorymonth-org-uk.translate.goog/article/section/pre-colonial-history/the-history-of-the-kingdom-of-dahomey/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc Acessado em: 29/03/2025
SOLLY, Meilan. As verdadeiras guerreiras por trás de “The Woman King”. Smithsonian Magazine. 2022. Disponível em: https://www-smithsonianmag-com.translate.goog/history/real-warriors-woman-king-dahomey-agojie-amazons-180980750/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc Acessado em: 29/03/2025
