Eduarda Miranda Rodrigues Santos – acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais da Unama

Kamilla Barreto Souza Barros – acadêmica do 2° semestre de Relações Internacionais da Unama

A frase “Toda economia é política”, à primeira vista, pode soar como uma provocação, principalmente em um mundo que, muitas vezes, resume a ciência econômica apenas à matemática, técnica e neutralidade. Entretanto, a economia, quando analisada sob a ótica das Relações Internacionais (REL), revela-se inseparável da política.

De acordo com Wilson Cano (2000), a economia deve ser entendida como ciência social, economia é a ciência que estuda satisfazer as necessidades humanas infinitas com recursos finitos, marcada por disputas e interesses. Nesse sentido, evidencia-se que a ciência econômica é um paradoxo: para compreender as relações de riqueza e poder, é necessário reconhecer que toda economia é, essencialmente, política.

Logo, analisar a relação entre economia e poder através da teoria Realista das Relações Internacionais permite compreender não apenas o papel dos bens materiais na disputa entre Estados, mas também os mecanismos de dominação que estruturam as desigualdades globais. Nessa lógica, a perspectiva Realista, conforme baseada nas ideias de autores como Tucídides (401-404 a. C.), Maquiavel (1532) e Hobbes (1974), concede uma base analítica forte para compreender a economia como meio essencial da luta pelo poder.

A teoria Realista parte do pressuposto de que o sistema internacional é anárquico, ou seja, sem uma autoridade central capaz de impor regras universais. Nessa circunstância, os Estados agem de forma racional para garantir sua sobrevivência, acumulando poder como principal recurso estratégico. Por este ângulo, o poder econômico, assim como o militar, torna-se elemento fundamental do equilíbrio de forças no cenário global.

Já a perspectiva Liberal, reforça principalmente a interdependência e a cooperação entre os Estados, Adam Smith (1976) defendia como o mercado deve ser livre sem a intervenção do Estado ou de qualquer autor, conforme o lema laissez-faire, laissez-passer (deixe fazer, deixe passar. Ademais, Joseph Nye e Robert Keohane (1977) abordam como os Estados devem relacionar-se pelos benefícios mútuos, afinal nenhum Estado sobrevive sem a troca de recursos, assim, acreditando na diminuição dos conflitos é algo natural.

Então enquanto os realistas acreditam e defendem que o verdadeiro protagonista da economia são os Estados, o liberalismo chega e diz: “—não é bem assim, os empresários é que detém maior conhecimento, logo, eles devem mandar na economia”.

Desta forma, é de se notar como cada vertente traz o jogo de poder para a economia, cada uma tenta explicar como sempre há alguém tentando exercer o seu domínio perante a economia na pirâmide de Estado, Mercado e Sociedade Civil.

Karl Marx (1867) traz o pragmatismo da omissão acometida contra a Sociedade Civil, para ele o sistema capitalista não tem neutralidade somente um ciclo de exploração e dominação entre proletariado e burguesia respectivamente, no qual reforça a desigualdade entre as classes sociais e a alienação do trabalhador para que continue o acúmulo de riquezas para poucos. Para o marxismo a economia Internacional não se fixa a uma competição entre Estados-Nações (Realismo), nem a uma cooperação benéfica para todos (Liberalismo), mas sim uma estrutura de dominação (Marxismo).

Por consequência, é possível analisar a partir destas principais vertentes de REL, que a conclusão essencial é que a economia jamais será neutra, assim como a política, onde cada um tem seu próprio interesse por trás. Todas as abordagens também têm seus contrapontos: o Realismo vê a economia somente como instrumento de poder e ignora a cooperação real entre países, o Liberalismo entende a economia como interdependente e base da cooperação estatal, entretanto, ignora os fatores desiguais históricos (colonialismo) apontados pelo marxismo, para o qual não existe neutralidade entre os senhores das guerras, nem entre os mercados e muito menos nas estruturas globais.

Em suma, a percepção que há a partir do pragmatismo operado por todas as teorias acima é excepcionalmente importante para o discernimento de economia e política, ambas ampliam o pensamento crítico que é necessário para compreender o “x” da questão: “Toda Economia é Política?” a conclusão é efetiva, sim toda economia é política, desde a sua origem até aos dias atuais, da pequena compra de mercado até negociações entre países, porque afinal tudo é política.

Referências:

CANO, Wilson. Introdução à economia: uma abordagem crítica. São Paulo: Unesp, 2000.

HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

KEOHANE, Robert; NYE, Joseph. Power and interdependence: world politics in transition. Boston: Little, Brown, 1977.

MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo:

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013.

SMITH, Adam. A riqueza das nações. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Brasília: Editora UnB, 2001