Gabriela Vaz,
acadêmica do 4° semestre de Relações Internacionais

O passaporte musical desta semana é sobre um dos maiores nomes da música mundial: o cantor e ator, Frank Sinatra. Seu estilo foi marcado principalmente pelo jazz tradicional, swing, canções românticas, com temas que abordavam o amor, a solidão, a noite urbana, a melancolia, mas também esperança e a busca pela liberdade individual.

Francis Albert Sinatra nasceu em 12 de dezembro de 1915, em Hoboken, Nova Jersey, EUA. Filho de Anthony Sinatra, dono de um bar e boxeador e de Natalie “Dolly” Sinatra, ambos imigrantes italianos, ainda jovem, Sinatra demonstrou interesse pela música. Saiu da escola aos 16 anos para se dedicar ao mundo musical, mas seu pai não aceitou bem e expulsou-o de casa (Ebiografia, 2024).

No ano de 1935, juntamente com os seus amigos, Frank venceu o programa de Rádio Major Bowes’ Amateur Hour (Ebiografia, 2024). No entanto, passou um tempo e o grupo se desfez. Apesar disso, Frank continuou cantando em rádios, seja sozinho ou em grupo.

Seu talento chamou a atenção enquanto cantava e trabalhava como garçom, o trompetista Harry James o convidou para formar uma banda em 1939. A partir daquele momento, a carreira musical de Frank alavancou (Britannica, 2025). A banda formanda junto com Harry James lançou algumas gravações comerciais como: “My buddy”, “Ciribiribin” e “ All or Nothing at All”. Após uns meses, o artista começou a fazer parte de outra banda, a de Tommy Dorsey, uma das mais populares bandas do período. Foi com Dorsey que gravou sucessos como “I’ll Never Smile Again” (1940) e “Oh! Look at Me Now”. Em 1942, iniciou sua carreira solo e conquistou a popularidade entre o público jovem.

Durante um período de greve contra as gravadoras, Frank Sinatra ficou mais de um ano sem produzir canções. No entanto, ao fim da greve, o artista retornou aos estúdios com intensidade, gravando diversas faixas em poucos meses. Dessa fase e das posteriores surgiram alguns de seus maiores sucessos, que atravessaram gerações e consolidaram sua reputação internacional. Entre suas músicas mais conhecidas estão: Fly Me to the Moon (1964), That’s Life (1966), My Way (1969), Strangers in the Night (1966), New York, New York (1979) e I’ve Got You Under My Skin (1956). Além disso, algumas de suas canções natalinas mais conhecidas são “Have Yourself a Merry Little Christmas”, “Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!”, “Jingle Bells” e “Silent Night”.

Sua vida pessoal e pública atraiu forte atenção midiática, marcada por rumores de envolvimento com membros do crime organizado, disputas judiciais, problemas vocais que o deixaram meses sem cantar, o seu divórcio e o outro casamento turbulento amplamente divulgado pela imprensa. Esses fatores contribuíram para um momento de declínio em sua carreira, cuja retomada aconteceu nos anos 1950 (Britannica, 2025).

Além da sua carreira musical, o artista atuou em diversos filmes, destacando-se especialmente nos musicais ao lado de Gene Kelly, como “Marujos do Amor” (1945) e “Um Dia em Nova York” (1949). Posteriormente, consolidou-se como ator ao vencer o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “From Here to Eternity” (1953), além de protagonizar produções marcantes como “The Man with the Golden Arm” (1955) e “Pal Joey” (1957).

Conquistou 9 Grammys, entre eles o Grammy pelo conjunto da obra (Lifetime Achievement Award), além de receber a Medalha Presidencial da Liberdade (1985) e a Medalha de Ouro do Congresso dos EUA (1997), reconhecimentos que reafirmam seu papel cultural e histórico. O artista faleceu em 14 de maio de 1998, em Los Angeles, deixando uma carreira reconhecida internacionalmente.

A trajetória musical de Frank Sinatra pode ser analisada à luz da teoria Construtivista das Relações Internacionais. De acordo com Alexander Wendt, as estruturas sociais, compostas por normas e ideias compartilhadas, moldam as identidades e interesses dos Estados. Outrossim, a identidade dos Estados é constituída tanto por estruturas internas quanto externas. (Wendt, 1999).

Diante disso, é importante ampliar a teoria construtivista, indo além das relações entre os Estados e olhando também para a cultura e expressões artísticas. A trajetória de Frank Sinatra mostra como expressões culturais ajudam a construir a identidade de uma região e também do país

Nesse sentido, a obra e a figura pública de Sinatra podem ser interpretadas como elementos que contribuíram para a construção simbólica da identidade norteamericana. Suas músicas, como “New York, New York”, e atuações, como no filme “From Here to Eternity”, reforçaram valores associados aos Estados Unidos, como modernidade, romantização da vida urbana, patriotismo americano e liberdade cultural, valores que passaram a ser reconhecidos como o “American Way of Life”. Assim, pela ótica construtivista, Frank Sinatra refletiu e ajudou a produzir a identidade americana, visto que canções, narrativas e práticas culturais participam da formação de significados coletivos que moldam como um país se percebe e se apresenta ao mundo.

REFERÊNCIAS

BRITANNICA. Frank Sinatra. Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Frank-Sinatra. Acesso em: 10 dez. 2025.
FUKS, Rebeca. Frank Sinatra. eBiografia. Disponível em: https://www.ebiografia.com/frank_sinatra/. Acesso em: 10 dez. 2025.
WENDT, Alexander. Social Theory of International Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.