Tiago Callejon Santos – Internacionalista formado pela Unama

No período de 19 de janeiro a 23 de janeiro, ocorreu a 55° edição do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O evento é caracterizado por um encontro anual de líderes políticos e dirigentes de empresas das principais economias mundiais os quais se reúnem e debatem entre si acerca de temáticas importantes que impactam diretamente ou indiretamente a Economia Política Internacional como um todo, com o tema deste ano sendo  “Um Espírito de Diálogo” (Agência Brasil, 2026). 

Tamanha é a sua relevância e importância que, segundo a própria organização da Conferência, o fórum contou com a participação de mais de 3 mil delegados oriundos de mais de 130 países distintos, incluindo a participação de 65 chefes de Estados e de governo – como, a exemplo: Donald Trump, Javier Milei, Ursula von der Len, Volodymyr Zelenskyy, dentre outros – demonstrando a força e a reverberação que o Fórum possui no âmbito do Sistema Internacional (World Economic Forum, 2026).

O Fórum Econômico Mundial é, historicamente, marcado por discussões que pairam sobre temas envolvendo economia, tecnologia, sustentabilidade e política internacional. Contudo, o evento deste ano foi marcado fortemente pelo estabelecimento de debates com foco em crises que beiram o mundo como um todo, desde temáticas mais abrangentes como temas que impactarão as futuras gerações e a força de trabalho global, mas também abordando temas mais específicos e que vem surgindo com  grande força no Cenário Internacional, com foco em discussões sobre as Inteligências Artificiais (IA’s) e seus impactos, mas também sobre meio sustentáveis de energia, com foco na programação de Energia Verde (Wells, 2026).

Não obstante, outro fator curioso se refere aos relatórios de riscos globais debatidos ao longo do Fórum, sejam em sessões oficiais quanto em painéis paralelos, onde o foco dessas discussões podem ser resumidos a três fatores: os confrontos geoeconômicos entre grandes potências, a desinformação e a polarização social e riscos climáticos e desastres ambientais ((World Economic Forum, 2026).

Com efeito, devido ao grande grau de relevância do Fórum, esperava-se que, à luz dos acontecimentos recentes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exercesse grande papel de destaque nos debates e, de fato, isto aconteceu.

Em suma, as falas de Trump podem se resumidas a alguns pontos de importância e destaque, entre eles, conforme demonstram Paternoster e Thomas (2026), sendo eles: o desejo de anexação da Groenlândia aos EUA, porém sem o uso da força, as críticas de Trump à OTAN e à sua relação com os EUA, o elevado custo e aumento da taxa de energia elétrica e outras formas de energia na Europa, a resolução de oitos conflitos armados desde que Trump assumiu o governo dos EUA e a operação militar à Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro.

Além disso, Trump usou Davos a fim de destacar a agenda econômica dos EUA, sobretudo em temáticas de grande interesse dele e de seu próprio governo. É sob esse viés que, por exemplo, observou-se alguns padrões comportamentais bem acentuados em seus discursos, principalmente no que se refere ao modelo americano de economia denominado “America First”, aos seus posicionamentos para retomada da Groenlândia enquanto território pertencente aos EUA e, por fim, às tensões geopolíticas entre EUA e Europa.

No primeiro caso, o “America First” fora utilizado enquanto uma visão de crescimento econômico no qual os interesses dos EUA são centrais quando comparado aos outros, afirmando que quando os EUA prosperam, o mundo como um todo prospera, designando um efeito de que os EUA são o grande motor da economia global (Fortune India, 2026). Além disso, ele ressaltou a necessidade de haver corte de impostos e restrições a investimentos estrangeiros para se reduzir o custo de vida no país (PBS News, 2026).

Para o segundo caso, Trump voltou a reafirmar a sua posição mediante à Groenlândia – momento este de grande destaque e comoção, tendo em vista que fora bastante engajado nas principais mídias sociais do mundo – onde o mesmo propõe a iminente negociação para aquisição da Groenlândia, argumentando que ela faz parte da América do Norte, geograficamente falando, e que possui uma grande importância estratégica (Abc7 News, 2026).

Por fim, no que tange às tensões entre Europa e EUA, Trump afirmou que a Europa possui políticas econômicas mal organizadas e administradas, principalmente em matérias de energia e migração, e que se faz necessário reavaliar essas políticas a fim de estabelecer uma dinâmica mais orgânica e próspera aos países como um todo no que tange às perspectivas centrais da economia mundial (Fortune India, 2026).

Com efeito, trazendo tais perspectivas para as Relações Internacionais, é facilmente perceptível a similaridade do pensamento de Donald Trump com as teorias realistas de Relações Internacionais, sobretudo com os pensamentos de John J. Mearsheimer. As teorias realistas como um todo partem do pressuposto que os Estados são os agentes mais importantes e fulcrais nas relações de poder do Sistema Internacional, então manter a sua soberania e a manutenção do seu poder se faz necessário para os mesmos se manterem vivos à grande anarquia do Sistema.

Mearsheimer, de forma específica, ainda expõe que, para além da anarquia do Sistema, revela que as grandes potências não conhecem as intenções futuras de outras nações, e que esse receio por essas intenções acaba por refletir no comportamento dos Estados em buscar maximizar o seu poder e seu poderio bélico, além de garantir a sua sobrevivência e a sua influência no espaço. 

É por isso que Trump, a exemplo, possui tanta obsessão em demonstrar o poder econômico dos EUA por meio do “America First”, além de desejar anexar a Groenlândia ao seu território nacional, para poder sempre estar no topo da escala de poder global dos grandes Estados, acabando por influenciar no modo de vida dos outros Estados e sempre pontuando os Estados Unidos como o centro das coisas. Dito tudo isso, faz completo sentido entender o porquê dele sempre se reafirmar e afirmar os EUA em qualquer matéria de debate nestes ambientes legais de discussão, porque na sua cosmovisão de mundo, tudo é voltado para ele e para os seus interesses.

Referências:

Fórum Econômico Mundial começa nesta segunda-feira em Davos. Agência Brasil; Publicado em 19 de janeiro de 2026, Brasil. Disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-01/forum-economico-mundial-comeca-nesta-segunda-feira-em-davos#:~:text=H%C3%A1%2055%20anos%2C%20o%20encontro,l%C3%ADderes%20pol%C3%ADticos%2C%20empres%C3%A1rios%20e%20organiza%C3%A7%C3%B5es

World Economic Forum Annual Meeting. World Economic Forum Portal; Múltiplas sessões e artigos publicados desde 19 de janeiro de 2026 a 23 de janeiro de 2026. Disponível em https://www.weforum.org/meetings/world-economic-forum-annual-meeting-2026/

WELLS, Rachel. O Que esperar de Davos 2026 e Por Que Isso Importa para Líderes. Agência Forbes; Publicado em 19 de janeiro de 2026, Brasil. Disponível em https://forbes.com.br/carreira/2026/01/o-que-esperar-de-davos-2026-e-por-que-isso-importa-para-lideres/

PATERNOSTER, Tamsin; THOMAS, James. Groenlândia, NATO e guerra: verificação dos factos do discurso de Trump em Davos. Euro News. Publicado em 22 de janeiro de 2026. Disponível em https://pt.euronews.com/my-europe/2026/01/22/gronelandia-nato-e-guerra-verificacao-dos-factos-do-discurso-de-trump-em-davos

BOAK, Josh; MADHANI, Aamer; WEISSERT, Will. Trump cancels tariff threat over Greenland, says NATO agreed to “framework” of future Arctic deal. Abc7 News Portal. Publicado em 21 de janeiro de 2026. Disponível em https://abc7news.com/post/davos-2026-trump-arrives-switzerland-where-quest-own-greenland-could-overshadow-other-goals/18442688/?utm_source=chatgpt.com

WATCH: Trump speaks at World Economic Forum annual meeting in Davos. PBS News Portal. Publicado em 21 de janeiro de 2026. Disponível em https://www.pbs.org/newshour/politics/watch-live-trump-speaks-at-world-economic-forum-annual-meeting-in-davos?utm_source=chatgpt.comBANERJEE, Avishek. Davos 2026: Donald Trump pitches “America First” growth model at WEF, targets tariffs, taxes and energy policy. Fortune India. Publicado em 21 de janeiro de 2026. Disponível em https://www.fortuneindia.com/economy/davos-2026-donald-trump-pitches-america-first-growth-model-at-wef-targets-tariffs-taxes-and-energy-policy/129659?utm_source=chatgpt.com