
Gabriela Vaz,
acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais
O passaporte musical desta semana é sobre um dos maiores nomes da música brasileira: o cantor, compositor e produtor, Zé Ramalho. Seu estilo musical mescla a música nordestina tradicional, o rock, a psicodelia e a música popular brasileira (MPB) (Dicionário Cravo Albin, 2024).
José Ramalho Neto nasceu em 3 de outubro de 1949, em Brejo do Cruz, na Paraíba. Ainda criança, mudou-se para Campina Grande e, posteriormente, para João Pessoa, local onde iniciou o curso de medicina, mas não terminou. Suas canções foram influenciadas primeiramente pelo rock’n’roll e depois de um tempo, por influência dos violeiros do sertão – indivíduos que comumente expressavam os problemas socias do Brasil em suas músicas (Zé Ramalho, 2025).
O artista iniciou a sua trajetória musical escrevendo cordéis e integrou grupos inspirados pela Jovem Guarda (Ebiografia, 2018). Em 1975, lançou de forma independente o álbum “Paêbirú – Caminho da Montanha do Sol”, em parceria com Lula Côrtes, obra marcada por simbolismos místicos e referências esotéricas (Ebiografia, 2018).
Seu destaque nacional ocorreu com o lançamento do álbum “Zé Ramalho” (1978), que apresentou ao público canções que se tornaram clássicos da música brasileira, como “Avôhai”, “Chão de Giz” e “Vila do Sossego” (Dicionário MPB, 2021). A partir desse trabalho, o artista passou a ser amplamente reconhecido por letras que críticam às desigualdades sociais e valorizam a cultura nordestina (Dicionário MPB, 2021).
Ao longo das décadas seguintes, Zé Ramalho continuou lançando diversos álbuns e realizando parcerias importantes com artistas como Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho. Entre suas músicas mais conhecidas estão: “Frevo Mulher” (1979), “Beira-Mar” (1979), “Eternas Ondas” (1981), “Mistérios da Meia-Noite – Roque Santeiro (1985), “Sinônimo” (2005) – canção que fez parte de cinco novelas e “Entre a Serpente e a Estrela” (1992), sendo as três últimas de trilhas sonoras de novelas e produções audiovisuais.
O artista dialoga também com o contexto político brasileiro, especialmente durante o período da ditadura militar. Um exemplo é a canção “Admirável Gado Novo”, onde é exposto o controle de massas e uma sociedade marcada pela repressão e pela censura. Embora nem sempre de forma explícita, suas composições apresentam críticas sociais e políticas por meio de metáforas e imagens poéticas (Veja, 2021).
A trajetória musical de Zé Ramalho pode ser analisada à luz da teoria Construtivista das Relações Internacionais. De acordo com Alexander Wendt, as estruturas sociais, compostas por normas e ideias compartilhadas, moldam as identidades e interesses dos Estados. Outrossim, a identidade dos Estados é constituída tanto por estruturas internas quanto externas. (Wendt, 1999).
Diante disso, pela perspectiva construtivista a cultura e a música também participam da construção do imaginário político e social de um país. Assim, as músicas do artista apresentam uma visão crítica sobre a realidade social e política do Brasil, colocando em questionamento as estruturas de poder. Logo, as canções de Zé Ramalho funcionam como um instrumento cultural capaz de influenciar percepções, narrativas e valores.
REFERÊNCIAS
DICIONÁRIO MPB. Zé Ramalho. Disponível em: https://dicionariompb.com.br/artista/zeramalho/. Acesso em: 09 fev. 2026.
EBIOGRAFIA. Zé Ramalho — biografia. eBiografia, 2018. Disponível em: https://www.ebiografia.com/ze_ramalho/. Acesso em: 09 fev. 2026.
RAMALHO, Roberta. Biografia de Zé Ramalho. Zeramalho — site oficial. Disponível em: https://www.zeramalho.com.br/biography-pt-br. Acesso em: 09 fev. 2026.
VEJA. Enem: a história por trás de ‘Admirável Gado Novo’, de Zé Ramalho. Disponível em: https://veja.abril.com.br/cultura/enem-a-historia-por-tras-de-admiravel-gado-novode-ze-ramalho/. Acesso em: 09 fev. 2026.
WENDT, Alexander. Social Theory of International Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.
