
Ana Gabriela de Souza e Silva – Acadêmica do 5º semestre de RI da UNAMA
A crise dos refugiados foi um acontecimento na história recente do mundo que afetou vários países da Europa, por conta de guerras e conflitos armados na África e Oriente Médio. Muitas pessoas tiveram que deixar suas casas, seu país, para buscar refúgio e sobrevivência em outro lugar, longe dos horrores vividos em suas terras, dirigindo-se para o continente Europeu. Inicialmente, a ideia de recebê-los foi aceita, porém, com a grande demanda de pessoas chegando à região, o acolhimento virou rejeição (Schulten, 2025).
Antes da crise dos refugiados, a Europa tinha apenas o Regulamento de Dublin, que consistia em que todos os pedidos de asilo fossem tratados nos países em que os refugiados entraram primeiro. Este regulamento foi perdendo o sentido já que o número de pessoas chegando aos países foi alto, então uma reforma no sistema de asilo europeu foi solicitada e pouco depois veio o novo Pacto Migratório, mesmo assim novas reformas nas regras de migração e distribuição seriam necessárias (Lima, 2024).
A porta de entrada para a Europa foi a Itália, Grécia e outros países periféricos, já que o mar facilitava o transporte e o acesso à região, porém, os mais afetados pela migração foram Itália e Grécia, cujo contingente de pessoas foi muito alto (Ibidem). Matteo Salvini, Ministro do Interior da Itália na época, começou a endurecer as leis de migração e a fechar alguns portos, passando a negar a entrada de mais pessoas em seu território, ele também dizia que os demais países da União Europeia deveriam abrir suas portas e não somente a Itália (Salassié, 2024).
Segundo as novas regras de migração, 40 mil refugiados que chegavam a Itália e Grécia seriam realocados para outros países do bloco pelo período de um ano, mas antes, seriam avaliados o PIB nacional, o tamanho da população, a taxa de desemprego, o número médio de pedidos de asilo espontâneos e o número de refugiados já realocados. Foi permitido pelo parlamento que eles escolhessem onde queriam ficar, de acordo com sua cultura, laços familiares, facilidade linguística, estudo e experiência de trabalho (Lima, 2024 apud. Ferreira, 2020).
Entretanto, como o fluxo de pessoas apenas crescia, tiveram que criar uma estratégia, em razão da alta demanda de pessoas para entrar na União Europeia precisando de refúgio. Sem tempo para avaliarem qual o melhor lugar e sem espaço para que as pessoas pudessem escolher para onde queriam ir, o Parlamento Europeu passou a decidir para onde iriam, então o país do bloco que tivesse com mais espaço e condições, receberia uma cota de refugiados (Ibidem).
Hungria, Polônia e República Tcheca rejeitaram completamente a proposta, porém a Corte de Justiça da União Europeia disse que o bloco poderia ordenar que os países aceitassem sua parcela de solicitantes de asilo. Somente a Eslováquia, que inicialmente havia rejeitado a proposta, voltou atrás e aceitou um contingente de refugiados, evitando complicações judiciais e sanções (Ibidem).
A Alemanha adotou uma política de “nós vamos conseguir” idealizada por Angela Merkel, a então chanceler alemã, contudo, ela não esperava o número de requerentes de asilo, que até o final de 2015 ultrapassava 1 milhão, esta quantidade não passou despercebida pelos alemães e nem pelos outros europeus que começaram a culpar os imigrantes pela sobrecarga do Estado, a opinião pública europeia estava dividida entre aqueles que apoiavam os refugiados e aqueles que rejeitavam (Schulten, 2025).
A União Europeia teve que se adaptar ao longo dos anos a várias mudanças, em sua política, em sua cultura que se modificou com as novas pessoas, que trouxeram sua religião, cultura e costumes para o velho continente. Além disso, muitos dos que chegaram não eram refugiados, mas eram imigrantes comuns em busca de melhoria de vida, alguns países reclamaram, dizendo que os primeiros a chegar eram de fato refugiados, porém outros estavam lá apenas para ter melhores condições e isso incomodou as lideranças e as pessoas (Salassié, 2024).
Outro ponto que perturbou os europeus foi a onda de crimes violentos que se iniciou, e que foram atribuídos aos imigrantes, o que acabou gerando mais divergência entre aqueles que acreditavam que muitos só queriam viver em paz e os que viam apenas criminosos. O fato é que a União Europeia não estava preparada para receber esta quantidade de pessoas, sem leis e segurança adequadas, o que fez com que alguns refugiados ficassem em situação difícil, o que acabou por levá-los ao mundo do crime (Ibidem).
Tudo isso, favoreceu o crescimento da extrema direita no bloco, com seus ideais conservadores propondo diminuir ainda mais a entrada de imigrantes e mantendo as tradições, eles alegam que a imigração desenfreada afeta a segurança e a identidade europeia e que políticas mais rígidas podem evitar uma crise maior (Ibidem).
Ainda hoje a União Europeia discute regras de migração que são aprovadas pelo Parlamento, essas novas regras endurecem as políticas migratórias, permitindo que alguns imigrantes sejam deportados para outros países, que são tidos como seguros; um retrocesso na opinião das organizações que defendem os direitos dos refugiados e imigrantes (Instituto Adus, 2026).
Diante disso, apesar das inúmeras dificuldades a União Europeia acomodou e acolheu os refugiados o melhor que pode dentro de um curto espaço de tempo, tiveram que fazer várias adaptações, modificando e organizando algumas políticas, sabendo que aquilo não seria temporário, embora alguns quisessem. Porém, como o fluxo foi muito grande, com muitas pessoas diferentes, começou a incomodar os europeus, fazendo com que ideias conservadoras tomassem força, contribuindo para essas novas medidas.
Referências
ADUS, Instituto. Europa endurece regras e ameaça o direito ao refúgio. Instituto Adus. 12 de fev 2026. Disponível em <https://adus.org.br/ameaca_refugio/> Acesso em: 14 de fev. 2026.
LIMA, Wilma Barbosa de. A Crise dos Refugiados e a Imigração na Europa. Revista ft. 16 de jun. 2024. Disponível em <https://revistaft.com.br/a-crise-de-refugiados-e-a-imigracao-na-europa/> Acesso em: 14 de fev. 2026.
SALASSIÉ, Pedro. Onda de Refugiados na Europa: desafios e impactos. Geografia do Mundo. 29 de out. 2024. Disponível em< https://www.geografiadomundo.com.br/2024/10/onda-de-refugiados-na-europa-desafios-e.html> Acesso em : 14 de fev. 2026.
SCHULTEN, Lucia. O que mudou na UE dez anos depois da crise dos refugiados. DW. 29 de agosto 2025. Disponível em< https://www.dw.com/pt-br/o-que-mudou-na-uni%C3%A3o-europeia-dez-anos-depois-da-crise-dos-refugiados/a-73810951> Acesso em: 14 de fev. 2026.
