Eduarda Miranda – acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais da Unama

Com o avanço da globalização e a difusão de informações em massa entende-se que essa manobra abriu espaço para manipulação política por meio das redes sociais, especialmente entre os jovens. Nessa perspectiva, compreende-se como percepções mínimas da realidade podem ser moldadas pelo chamado “efeito manada”, já que as redes sociais não apenas informam, mas também são capazes de moldar identidades e percepções políticas, podendo favorecer processos de manipulação. Contudo, entende-se que a política molda também o cotidiano, especialmente naquilo que vemos e consumimos.

A partir disso, Michael J. Shapiro mostra em sua perspectiva como a geração mais nova não tem uma percepção de estar inserida de formas variáveis em um ambiente que exige senso político, desde um simples comentário até um vídeo opinativo sobre o atual governo. Dessa maneira, Shapiro aborda em “Discourse, Culture, Violence” como os Estados, governos e partidos impõem suas narrativas por meio de mídias de entretenimento, desde notícias implantadas, filmes com narrativas tendenciosas e até mesmo em postagens nas plataformas sociais (Shapiro, 2012).

Assim, Shapiro exemplifica como um discurso realizado repetidamente utilizando determinados termos podem induzir ao medo de algo ou alguém por meio de narrativas em que  existam “heróis e “vilões”, permitindo uma perspectiva de identidade ao indivíduo para criar a ideia de estar do lado “certo da causa”. Todavia, pode ser uma forma de tornar algo antes considerado hediondo como uma normalidade e, deste ponto, vem a ideia de cultura para Shapiro onde o discurso está inserido no que menos se espera, seja por “memes” ou vídeos curtos que pareçam ser inofensivos, mas quando analisados podem estar normalizando um tipo de violência. (Shapiro, 2012)

As redes sociais são o meio onde, principalmente os jovens encontram para o compartilhamento de ideias e preferências em geral. Logo, uma geração que é bombardeada de notícias a cada segundo pelas redes sociais, acaba sendo a ferramenta perfeita para a circulação de notícias e claro as famosas “Fake News”, um grande aglomerado de desinformação que continua evoluindo a níveis alarmantes todos os dias em diferentes mídias sociais, um meio de fácil acesso para persuadir pessoas, até mesmo usufruindo das Inteligências Artificiais (IA)  com o uso de “Deepfakes” na tentativa de dar mais veracidade ao seu conteúdo doloso.

 Além disso, perto da época de eleição presidencial no Brasil, não se pode fazer esquecer a campanha política do último Presidente da República, a sua narrativa iniciou a partir de pequenas interações por meio do seu perfil no x, antigo twitter, a mídia alavancou o bolsonarismo nas eleições e 2018. A extrema direita, sabe exatamente como conversar com o público atual, ela aprendeu como funciona a mente de seu público alvo e qual o melhor discurso para impulsioná-los para entrar em concordância as suas meias verdades e meias mentiras, uma ideia que aparentemente é pensada por você pode ser um discurso que foi implantado na sua mente e você nem percebeu.

Ademais, não se pode fazer esquecer como os famosos influenciadores políticos operam em suas redes sociais, a política se tornou uma grande performance para estes ditos como representantes do povo, com pensamentos de até 60 segundos para viralizar nas redes sociais para jovens cada vez menos pensamento crítico para questiona a motivação por detrás de tal conteúdo.

Desta forma, acontece a violência e desumanização a quem difere deste pensamento, inicia-se uma disputa de poder, empenhando a juventude colocar uma divisão entre “nós” e “eles”, influenciando não somente um lixamento virtual, mas uma violência presencial e física também. Hanna Arendt já citava em suas obras sobre essa “Banalização do Mal”, justificativas para violentar o outro, afinal o mal não nasce de uma intenção perversa, mas sim da incapacidade de um pensar e obedecer ao outro cegamente. (Arendt, 1961)

 Em suma, o problema é real e deve se ter uma maior atenção dos jovens para a alienação, deve sim haver um combate a fake news, mas acima de tudo uma alfabetização midiática por parte da mocidade, certamente os algoritmos ajudam a cercar os jovens, não obstante o mesmo algoritmo pode ser usado para a subversão, a juventude deve olhar o que chega para si e começar a e perguntar “Quem está por trás deste conteúdo e quem está sendo atacado?”, Shapiro chamaria isto de desnaturalizar o discurso, enfraquecendo o poder que ele exerce.

E por fim, procurar paradigmas diferentes do habitual, saindo da sua bolha para ver e entender a opinião do outro, a história por detrás da fala daquele indivíduo, começando a ser um sujeito crítico que pensa por si só e detém a sua opinião própria. Está geração deve relembrar o seu poder perante as suas nações, que a polarização e ódio estabelecido precisa acabar, falas que priorizem o respeito ao outro pois cada um tem direito de ter sua opinião ao invés da desumanização do próximo.

Referências

CARVER, Terrell; CHAMBERS, Samuel A. (ORGS.). Michael J. shapiro: Discourse, culture, violence. [S.l.]: Routledge, 2012.

DA COSTA, Cleberson Eduardo. Capitalismo, O Homem Totalitario E a Banalidade Do Mal: Dialogando Com Hannah Arendt. North Charleston, SC, USA: Createspace Independent Publishing Platform, 2018.

LADEIRA, Francisco Fernandes. Mídia ajudou a criar Bolsonaro e o bolsonarismo, mas diz não ter nada a ver com isso. Disponível em: <https://www.observatoriodaimprensa.com.br/sem-categoria/midia-ajudou-a-criar-bolsonaro-e-o-bolsonarismo-mas-diz-nao-ter-nada-a-ver-com-isso/&gt;. Acesso em: 25 fev. 2026.