
Ana Gabriela de Souza e Silva – 5º semestre de Relações Internacionais da UNAMA
A Escola de Copenhague é uma vertente teórica das Relações Internacionais, que foi criada em 1985 com o intuito de promover estudos para a paz, tem como seus principais autores Barry Buzan e Ole Waever, com teorias de securitização. Segundo Buzan, os Estados para manter a anarquia do Sistema Internacional precisam manter-se fortes, para ele um Estado forte é aquele que não demonstra insegurança doméstica (Tanno, 2003).
Ainda para Buzan, o Estado é dividido em três partes fundamentais, o físico, o idealizado e o institucional. O físico, com população, território, recursos naturais, produção, tudo o que monta e faz parte do Estado, o ideal é o que representa ele, porém, não é concreto, são princípios organizacionais, como idioma, religião, ideologia, raça, história e cultura, e por último o institucional, a forma burocrática constituída pelo legislativo, corpo administrativo, judiciário, leis e as normas e procedimentos em que as instituições operam (Ibidem).
A boa interação entre todos esses pontos, fazendo com que fluam corretamente dentro de um Estado sem grande diferença de nível no funcionamento da dinâmica, denota um Estado forte. Os chamados Estados fracos, de acordo com o autor, são aqueles que não tem “autoridade institucional e meios para promover desenvolvimento socioeconômico” (Holsti, 1996; Jackson, 1990 apud. Tanno, 2003). Ou seja, países como os da América do Sul cujo desenvolvimento socioeconômico não alcançou os níveis necessários, estão sujeitos à chamada violência estrutural explicada por Johan Galtung (1964).
Segundo Galtung a violência estrutural está na desigualdade, na pobreza, na falta de oportunidades do acesso ao básico, saúde, educação, habitação, muitas vezes a terra (Oliveira, 2024). Todos esses fatores colaboram para que se desenvolva o crime organizado, muitos cartéis e facções criminosas crescem por falta de oportunidades dignas de sobrevivência, levando em consideração apenas aqueles que trabalham como peões para essas grandes corporações criminosas.
Em 2026, os Estados Unidos iniciaram operações que chamaram de guerra ao narcotráfico, matando o chefe do Cartel Mexicano CJNG (Cartel Jalisco Nueva Generación), trabalhando em conjunto com países da América do Sul, como Equador, para tentar combater o narcotráfico, e prendendo o presidente da Venezuela Nicolás Maduro também sob alegações de comandar um cartel (CNN Brasil, 2026; Hornos, 2026).
Segundo Roberto Uchôa, pesquisador da Universidade de Coimbra, com a morte de El Mencho, o cartel vai enfrentar alguns problemas, como conflitos internos para decidir quem vai ser o novo líder, podendo haver uma fragmentação no cartel em grupos menores, já que não foi especificado nenhum sucessor ou alguma outra liderança, ou ainda, esses grupos serem absorvidos por outros cartéis (BBC News Brasil, 2026). Esta iniciativa do governo americano funcionou para quebrar a força do cartel, porém, não pôs fim a esse tipo de organização.
O CJNG, trabalhava com tráfico para os EUA, Europa e Ásia, quem poderá assumir esses mercados agora é o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma organização criminosa do Brasil, uma das maiores e mais bem estruturadas da América do Sul. Se estas operações fossem contra o PCC, provavelmente o resultado seria diferente, pois estão estruturados para funcionarem sem a presença de um líder insubstituível, quando são capturados ou mortos a organização continua (Ibidem).
Pensar em uma estruturação desse porte e em como desfazer esses organismos é muito trabalhoso, sem contar que o mercado de drogas é muito extenso, e apenas operações para encontrar líderes e matá-los não será o suficiente. O ponto de partida está no enfraquecimento doméstico dos Estados na forma de desalinhamentos entre as dinâmicas dos elementos que constituem o Estado, de acordo com o pensamento da Escola de Copenhague.
A melhor forma seria cada Estado montar um planejamento para ajustar e melhorar sua estruturação interna, porém, seria quase impossível levando em consideração que muitos desses chefes criminosos têm ligações com pessoas influentes que fazem parte dos moldes principais dos Estados, além do tempo que levaria para reorganizar tudo.
Referências:
GALLAS, Daniel. Morte de El Mencho pode fortalecer PCC, ‘mais profissional’ que cartéis mexicanos, diz especialista. BBC News Brasil. 27 de fev. 2026. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgz202dljpo> Acesso em: 7 de mar. 2026.
HORNOS, Miguel Ángel Scovenna Rivero y. Operação militar EUA-Equador contra narcotráfico acende alerta de segurança regional. Sociedade Militar. 4 de mar. 2026. Disponível em <https://www.sociedademilitar.com.br/2026/03/operacao-militar-eua-equador-contra-narcotrafico-acende-alerta-de-seguranca-regional-mgs.html> Acesso em: 7 de mar. 2026.
OLIVEIRA, Gilberto Carvalho de. Johan Galtung e a paz por meios pacíficos. Le Monde diplomatique Brasil. 21 de fev. 2024. Disponível em <https://diplomatique.org.br/johan-galtung-paz/> Acesso em: 7 de mar. 2026.
TANNO, Grace. A Contribuição da Escola de Copenhague aos Estudos de Segurança Internacional. Rio de Janeiro, vol.25, nº1, janeiro/junho 2003, pp.47-80.
YAZBEK, Priscila; TADDEO, Luciana. Governo Trump quer mais ação do Brasil contra cartéis de drogas, diz fonte. CNN Brasil. 5 de mar. 2026. Disponível em <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/governo-trump-quer-mais-acao-do-brasil-contra-carteis-de-drogas-diz-fonte/> Acesso em: 7 de mar. 2026.
