
Região: Oceania
Ana Beatriz Moreira Pinheiro – Acadêmica do 5º semestre de Relações Internacionais da
UNAMA
O ano de 2025 para a região amazônica foi de suma importância, uma vez que a Conferência das Partes (COP) foi sediada na cidade das mangueiras, Belém do Pará. Muito foi discutido, mas há de ser consenso que urge a constante necessidade de mais debates e propostas para solucionar ou apaziguar a atual situação de calamidade climática.
Nesse sentido, após longas negociações, a maior cúpula anual sobre o clima já decidiu e anunciou que a nova conferência será sediada na Turquia, com a Austrália presidindo o processo (Lowy Institute, 2026). A decisão definida, contudo, previa originalmente que o país responsável pela presidência das negociações também sediasse os debates, proposta intencionada pelo governo australiano desde 2022, visando priorizar a co-organização com os países insulares do Pacífico e auxiliar as nações mais vulneráveis à mudança. Tal expectativa, entretanto, não se concretizou, pois, apesar de a Austrália ter obtido amplo apoio dentro de seu bloco de negociação na ONU, a Turquia manteve-se firme em sua posição, resultando em um acordo entre as partes (Lowy Institute, 2026).
A priori, apesar do entendimento diluir a influência da Austrália no processo, ele não elimina inteiramente a oportunidade de surgir soluções para as questões prioritárias do país. No atual estágio da discussão, é fundamental consolidar as prioridades do Pacífico na COP31, por meio de reuniões com lideranças regionais em Tuvalu, por exemplo, tendo em vista o lamentável protagonismo do país ao figurar entre os mais expostos aos impactos das mudanças climáticas no mundo.
Além disso, a Declaração Oceânica da Commonwealth de Apia, que culminou na reunião dos Chefes de Governo da Commonwealth em Samoa (2024), sublinha a importância ambiental, econômica e geoestratégica das questões relacionadas ao oceano para as nações insulares do Pacífico, evidenciando a centralidade desse tema na agenda da Conferência das Partes (Lowy Institute, 2026).
A Austrália, no estágio de pré-COP, ainda possui a oportunidade de alcançar avanços significativos nessas pautas caso assuma um papel ativo na promoção das demandas por meio de sua presidência nas negociações, evitando que as problemáticas do Pacífico sejam relegadas a uma posição secundária na agenda climática internacional.
Paralelamente, torna-se relevante trazer à tona o pensamento de James N. Rosenau, uma vez que o conceito de governança global formulado pelo autor permite compreender a dinâmica das negociações climáticas para além da ação exclusiva dos Estados. Para Rosenau (1998), a governança global refere-se ao conjunto de mecanismos formais e informais por meio dos quais diferentes atores coordenam interesses e produzem normas voltadas à gestão de problemas transnacionais.
Sob essa ótica, o processo envolvendo a definição da sede da COP31 e a presidência australiana das negociações demonstra como decisões internacionais são moldadas por interações multilaterais complexas, nas quais interesses divergentes são acomodados por meio da negociação e da cooperação. Neste âmbito, os países insulares do Pacífico emergem como atores centrais nesse arranjo de governança, sobretudo diante de sua elevada vulnerabilidade às mudanças climáticas, casos como o de Tuvalu ilustram de forma emblemática essa realidade.
À vista disso, a dinâmica que envolve a organização da COP31 comprova como a gestão das mudanças climáticas se insere em uma estrutura de governança global marcada por essa interação entre diferentes atores internacionais, conforme destacado por Rosenau (1998). Os países insulares do Pacífico não devem ser compreendidos como atores periféricos do debate climático, mas como protagonistas de uma agenda que envolve, em última instância, a própria sobrevivência territorial e política dessas nações.
Assim, é vital garantir centralidade às demandas do Pacífico na COP31, sendo uma necessidade fundamental para a efetividade da governança climática global e para a construção de respostas multilaterais capazes de enfrentar as desigualdades e vulnerabilidades presentes no sistema internacional.
REFERÊNCIAS:
LOWY INSTITUTE. After compromise: Australia’s COP31 blueprint for the Pacific. Sydney: Lowy Institute, 2024. Disponível em: After compromise: Australia’s COP31 blueprint for the Pacific. Acesso em: 11 mar. 2026.
ROSENAU, James N.; CZEMPIEL, Ernst-Otto (org.). Governance without Government: Order and Change in World Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.
RUAS, Adriana Andrade. A governança global como instrumento de legitimação das decisões internacionais. Intercursos Revista Científica, Ituiutaba, v. 15, n. 2, jul./dez. 2016. Disponível em: A governança global como instrumento de legitimação das decisões internacionais. Acesso em: 11 mar. 2026.
