Ana Gabriela de Souza e Silva – 5º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

A Guerra ao Terror foi declarada após os ataques de 11 de setembro ao World Trade Center em Nova York no ano de 2001. Neste dia uma série de ataques ocorreram a centros de poder importantes para os Estados Unidos, as Torres Gêmeas eram um dos maiores centros econômicos do país e o Pentágono é o centro de poder militar, de lá saem as decisões dessas áreas, sendo um grande golpe para a Nação mais poderosa da época (Hein, 2021).

Em 1979, após um golpe de Estado, o exército soviético entrou no Afeganistão para apoiar o novo governo, lutando contra a Mujahideen, um movimento islâmico de resistência. Este grupo de resistência era basicamente de Jihadistas que estavam sendo apoiados pelos Estados Unidos e outros países, sendo Washington um dos maiores fornecedores de armas e dinheiro para eles. Enquanto a Guerra Fria se seguia, o grupo jihadista tinha total apoio do governo estadunidense, com seus líderes até sendo convidados para reuniões na Casa Branca, tudo para criar fortalecimento e balançar as estruturas do lado soviético (Paredes, 2025).

Em 1988, Mikhail Gorbachev retirou as tropas soviéticas do Afeganistão, com isso, o país caiu em uma guerra civil o que possibilitou o surgimento do Talibã, que foi criado em 1994 quando a Guerra Fria já havia terminado. Este regime formado por jovens, cujos líderes haviam participado do Mujahideen, logo ganhou popularidade e em pouco tempo se tornou um forte regime fundamentalista, cheio de regras rígidas e várias violações dos direitos humanos. Após esta guerra civil, os veteranos da guerra criaram a Al Qaeda com o objetivo de espalhar a luta islâmica para além de seu país (Ibidem).

Em 2001, os Estados Unidos eram a nação mais poderosa do mundo, dominavam a economia, eram os mais fortes militarmente, sua cultura e modo de viver estavam espalhados pelo mundo, porém em 11 de setembro essa fortaleza foi fortemente abalada. Quando o ataque aconteceu foi uma terrível humilhação para o país que tinha vencido a Guerra Fria 12 anos antes (Hein, 2021). Assim, um novo inimigo surge no cenário internacional, não mais os soviéticos e o socialismo, mas agora um vindo das terras árabes e do mundo islâmico, porém não é um Estado, não tem um território fixo, pode se apresentar em qualquer lugar.

Quando os Estados Unidos decidem ir atrás de Osama bin Laden, chefe da Al Qaeda, em resposta aos ataques sofridos e se inicia a guerra do Afeganistão, as Teorias Realista e Neorrealista das Relações Internacionais, diriam que o Estado precisa retomar seu poder e sua honra, como uma demonstração de força para que outros Estados não tentem dominá-lo. Mesmo que para isso ele precise usar métodos que vão contra os direitos humanos, pois o Estado acima de tudo precisa firmar seu status no Sistema Internacional (Sarfati, 2005).

Depois disso, vários países pertencentes à região conhecida como Oriente Médio foram invadidos por tropas estadunidenses em nome do combate ao terror, como forma de prevenir qualquer tipo de ataque e de onde ele possa começar a surgir. Segundo um projeto da Brown University,os Estados Unidos realizam iniciativas antiterror em 85 países, essa prevenção é vista por Kenneth Waltz (1979) como uma forma de reequilibrar o poder e restabelecer a ordem, por mais que o Sistema Internacional seja anárquico, ele não é dominado pelo caos e desordem, mas ele se equilibra de acordo com o equilíbrio das forças envolvidas no sistema, ou seja, a força dos Estados (Hein, 2025; Sarfati, 2005).

Ainda por esse motivo, foi ampliado o conceito de inimigo, não seriam apenas os Estados, mas atores não estatais, como grupos terroristas a serem considerados ameaças, já que são forças ilegítimas e não tem uma espécie de “permissão” para atuar como tal, com o uso de armas de qualquer tipo (Sarfati, 2005). Diante disto, pode-se perceber que para além da vingança e autopreservação, os Estados Unidos foram tomados por medo e perplexidade com os atentados de 11 de setembro.

Toda a dinâmica do país foi modificada e remodelada a partir desses acontecimentos, além da forma como passaram a agir externamente, espionagem, vigilância, desconfiança com um estereótipo que foi marcado pelas ações de grupos terroristas. Há uma certa dificuldade em desatrelar esta imagem ruim com a região em si e seu povo, o novo inimigo precisou ter características concretas para ser atacado, porém, ele é uma ideia e pode aparecer em qualquer lugar, com outras formas, não necessariamente a da região árabe, eles são um povo, que como outros, só querem viver em paz dentro de seu território.

Referências:

HEIN, Matthias von. 11/09: a “Guerra ao Terror” e as consequências para o mundo. DW. 11 set. 2021. Disponível em <https://www.dw.com/pt-br/11-de-setembro-a-guerra-ao-terror-e-as-consequ%C3%AAncias-para-o-mundo/a-59137716> Acesso em: 14 mar. 2026.

PAREDES, Norberto. 4 exemplos históricos que mostram os riscos do intervencionismo dos EUA no Oriente Médio. BBC News Brasil. 06 jul. 2025. Disponível em <https://www.bbc.com/portuguese/articles/cdjxx9n8gygo> Acesso em: 14 mar. 2026.

SARFATI. Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. 1ª edição. São Paulo: Saraiva, 2005.