Gabriela Vaz, acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais


Petróleo, rotas marítimas e poder militar. Disputas geopolíticas, alianças estratégicas e rivalidades. Estes são alguns dos elementos que ajudam a compreender a importância do Irã para a dinâmica de segurança do Oriente Médio. O conflito afeta diversas regiões, especialmente diante das tensões históricas e da presença de grandes potências no cenário internacional.


A guerra no Irã iniciou no dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados contra alvos no Irã. A administração americana alegou que os ataques para conter o programa nuclear iraniano representava uma ameaça à segurança dos EUA e de seus aliados (Al Jazeera, 2026).


O Estreito de Ormuz – uma das principais rotas marítimas energéticas do mundo – por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito, foi interrompido (Goldman Sachs, 2026). Logo, com este fechamento a guerra no Irã tende a provocar oscilações nos preços do petróleo, afetando cadeias produtivas, custos de transporte e a dinâmica inflacionária em diferentes países.


Países da América do Sul como Chile, Peru, Argentina, Paraguai e o Brasil que, apesar de serem produtores de petróleo e outros insumos – também dependem da dinâmica do mercado internacional. Consequentemente, podem enfrentar aumentos nos preços de energia e insumos agrícolas. Caso o conflito se prolongue, a logística de embarque e exportação de grãos brasileiros no Oriente Médio, mesmo representando apenas 4,2% do total pode ser afetada (CNN Brasil, 2026). Desta forma, mesmo distante do conflito, a América do Sul sofre efeitos indiretos devido à interdependência global.


Essa dinâmica de interdependência global, pode ser analisada à luz da perspectiva teórica de Robert Gilpin (2002), apresentada no livro “Economia Política Internacional”. Para o autor, economia e política estão profundamente interligadas, de modo que o poder político influencia os mercados, enquanto as dinâmicas econômicas também moldam o poder dos Estados (Gilpin, 2002).Neste sentido, a ordem econômica internacional tende a ser estruturada pelos Estados mais poderosos, que possuem capacidade de influenciar regras, instituições e fluxos econômicos globais.


Assim, com um olhar analítico, observa-se que tensões envolvendo o Irã fazem parte de disputas mais amplas entre grandes potências. Os Estados Unidos, que possuem seu próprio arsenal nuclear, justificam suas ações com argumentos de segurança, como combate a armas nucleares ou terrorismo. No entanto, estas ações também refletem a disputa de poder: quando países como o Irã se fortalecem nuclearmente, passam a ser vistos como ameaça.


Portanto, o conflito envolvendo o Irã pode ser entendido como parte das dinâmicas de poder do sistema internacional, nas quais grandes potências buscam preservar ou ampliar sua posição na ordem global, conforme discutido por Gilpin, e cujas consequências econômicas e políticas afetam várias regiões. Em suma, mesmo geograficamente distante, a América do Sul também é impactada porque, como destaca Gilpin, economia e política estão interligadas, e crises em regiões estratégicas podem repercutir tal região.


REFERÊNCIAS


AL JAZEERA. Iran war: What is happening on day eight of US-Israel attacks? Doha: Al Jazeera, 2026. Disponível em: https://www.aljazeera.com/news/2026/3/7/iran-war-what-is-happening-on-day-eight-of-us-israel-attacks. Acesso em: 13 mar. 2026.


CNN BRASIL. Guerra com Irã: bloqueio logístico pode afetar exportações, diz governo. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/guerra-com-ira-bloqueio-logistico-pode-afetar-exportacoes-diz-governo. Acesso em: 13 mar. 2026.


GILPIN, Robert. A economia política das relações internacionais. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002.


GOLDMAN SACHS. How Will the Iran Conflict Impact Oil Prices?. Disponível em: https://www.goldmansachs.com/insights/articles/how-will-the-iran-conflict-impact-oil-prices. Acesso em: 14 mar. 2026.