Marcelo Alves acadêmica do 7º semestre de R.I da Unama.

Durante grande parte do século XX, o Neoralismo e o Neoliberalismo dominaram o campo teórico das Relações Internacionais (RI), no entanto, a partir da metade deste século ambas as teorias passaram a apresentar limitações diante das transformações políticas, sociais e ideológicas do sistema internacional, especialmente no contexto do fim da Guerra Fria(ADLER, 1999). Neste cenário, emerge a considerada terceira principal teoria das Relações Internacionais, o Construtivismo.


Esta alternativa teórica busca compreender as relações internacionais a partir de uma perspectiva sociológica, enfatizando o papel das ideias, normas, valores e identidades como motores das relações de poder entre Estados.Com isso, este campo teórico propõe uma abordagem distinta das teorias tradicionais ao argumentar que a realidade internacional não é apresentada de forma objetiva, mas construída socialmente (ONUF, 1989). Diferentemente do Neorealismo, que considera a anarquia como uma condição estrutural fixa, os construtivistas defendem que essa condição é moldada pelas interações entre os atores e as forças internas presentes em cada unidade internacional.


Assim, conceitos como poder, interesse e segurança deixam de ser tratados como dados naturais e passam a ser compreendidos como produtos de processos sociais e históricos (ADLER, 1999). Logo, os construtivistas afirmam que as normas internacionais, as identidades coletivas e os discursos desempenham papel fundamental na definição do comportamento dos Estados.


Entre os principais teóricos deste campo, destaca-se Alexander Wendt (1999), cuja obra representa um marco na consolidação do construtivismo como teoria relevante para o entendimento do Sistema Internacional (SI), em sua principal obra, Social Theory of International Politics (1999), Wendt discorre a respeito de sua principal contribuição, a ideia de que “A Anarquia é o que os Estados fazem dela”.


Esta afirmação desafia diretamente o pressuposto Neorealista de que a anarquia leva inevitavelmente ao conflito. Para o teórico, a anarquia não possui um significado único ou determinante, ela assume diferentes formas, dependendo das interações e das percepções dos Estados, isso implica dizer que o processo de institucionalização e estruturação do SI será determinado pela vontade dos mesmo.


Em suas discussões, Alexander Wendt enfatiza sua ideia de um Sistema Internacional socialmente construído, ou seja, que a estrutura internacional é moldada pela interação das partes presentes no sistema e não por uma estrutura fixa que obriga os Estados a seguir uma cartilha de atuação baseada no conflito e enfrentamento.


Ademais, Alexander argumenta que os próprios interesses destes Estados estão sujeitos à construção social, ou seja, basta o reconhecimento de outro ator internacional como “inimigo” ou “aliado” no SI, que o comportamento com o ator julgado será determinado, assim se entende, que a criação de uma identidade neste ambiente molda os interesses, e ambos são passíveis de mudança constantemente. (WENDT, 1992).


No entanto, apesar de sua relevância, Wendt e o Construtivismo não estão isentos de qualquer crítica. Alguns autores afirmam que a teoria possui menor capacidade preditiva em comparação com o Neorealismo e enfrenta dificuldades na operacionalização de conceitos como identidade e norma. Além disso, há críticas de que o construtivismo de Wendt ainda mantém proximidade com o racionalismo, sendo considerado por alguns como um “construtivismo moderado” (ADLER, 1999).


Contudo, o Construtivismo e Alexander Wendt, representam uma mudança sobre a perspectiva sistêmica do Sistema Internacional, apresentando novas formas de visualizar as relações entre os Estados no pós Guerra-Fria, enfatizando o dinamismo e a complexidade do comportamento dos atores internacionais no SI.Portanto, este campo teórico evidencia que o ambiente internacional não é imutável, mas um ambiente volátil e inconstante moldado. Dessa forma, abre espaço para a transformação das relações internacionais, evidenciando que a cooperação e o conflito são resultados de construções históricas e não de determinações inevitáveis (WENDT, 1992).

Referências:


ADLER, Emanuel. O construtivismo no estudo das relações internacionais. Lua Nova, São Paulo, n. 47, p. 201-246, 1999.

ONUF, Nicholas. World of Our Making: Rules and Rule in Social Theory and International Relations. Columbia: University of South Carolina Press, 1989.

WENDT, Alexander. Anarchy is what states make of it: the social construction of power politics. International Organization, Cambridge, v. 46, n. 2, p. 391-425, 1992.

WENDT, Alexander. Social Theory of International Politics. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.