
Região: América do Norte e Central
Ana Clara Duarte e Eduarda Miranda – Acadêmicas do 5° semestre de Relações
Internacionais
A guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, acabou gerando impactos que vão além da região diretamente envolvida, influenciando o posicionamento de vários países. Dentro desse cenário, vale destacar a declaração do Panamá, que afirmou que pretende participar como “amigo” na reconstrução da Ucrânia quando houver paz. Mesmo sendo um país que não tem tanta força no sistema internacional, esse tipo de atitude mostra uma tentativa de ganhar mais espaço e visibilidade (PANAMÁ AMÉRICA, 2026).
Para entender melhor esse tipo de posicionamento, analisa-se a situação a partir das ideias de Robert Keohane, especialmente sobre cooperação internacional. Para Keohane (1984), mesmo em um sistema internacional sem uma autoridade central, os Estados conseguem cooperar quando percebem que existem benefícios envolvidos. Ou seja, a cooperação não acontece só por boa vontade, mas também por interesse.
A notícia demonstra que o Panamá apoiou a soberania da Ucrânia e manifestou interesse em ajudar na reconstrução do país, mas deixou claro que isso só deve acontecer depois do fim do conflito. Esse tipo de posicionamento se encaixa em um contexto maior, em que diferentes países buscam se alinhar a princípios do direito internacional, principalmente ligados à integridade territorial.
Com isso, percebe-se que a postura do Panamá não é só simbólica. Ao se colocar como possível participante de um processo de reconstrução que deve ter bastante visibilidade, o país também pode estar buscando benefícios futuros. Como o próprio Keohane (1984) aponta, a cooperação entre Estados geralmente envolve expectativas de ganhos, sejam eles políticos, econômicos ou até estratégicos.
Além disso, a participação do Panamá na reconstrução da Ucrânia pode ser vista como uma forma de inserção internacional mais ativa. Em cenários de pós-conflito, surgem diversas oportunidades de cooperação, principalmente em áreas como de infraestrutura e desenvolvimento. Nesse sentido, a aproximação entre os dois países pode indicar não apenas um apoio político, mas também um interesse em participar dessas futuras dinâmicas.
Logo, para Robert Keohane (1984), a cooperação internacional está ligada às expectativas de continuidade nas relações entre os Estados, ou seja, tudo há um benefício que os Estados ponderam ao ajudar uns aos outros. Assim, o Panamá, ao se posicionar desde já como um possível parceiro da Ucrânia, o país sinaliza interesse em estabelecer vínculos duradouros que podem gerar retornos a longo prazo.
Sendo assim, outro ponto relevante, segundo Robert Keohane (1984), a interdependência entre os países aumenta a necessidade de cooperação, inclusive entre aqueles com diferentes níveis de poder então a iniciativa do Panamá demonstra uma tentativa de se inserir em dinâmicas internacionais e aproveitar oportunidades de reconstrução pós-conflito. Portanto, a situação reforça a ideia de que a política internacional envolve estratégias de cooperação orientadas por interesses, sendo a postura panamenha uma ação racional voltada à maximização de ganhos.
Em suma, a atuação do Panamá no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia revela uma estratégia que ultrapassa o simbolismo com Robert Keohane, compreende-se que a cooperação internacional é guiada por interesses e expectativas de ganhos futuros, o posicionamento panamenho indica uma tentativa de inserção mais ativa nas dinâmicas global, ao mesmo tempo evidencia o alinhamento com princípios do direito internacional. Assim, mesmo não sendo uma grande potência, o Panamá demonstra capacidade de atuação estratégica, reforça-se a ideia de que a cooperação também é um instrumento de projeção internacional.
REFERÊNCIAS:
PANAMÁ AMÉRICA. Panamá dice que participará como “amigo” en la reconstrucción de Ucrania cuando exista paz. Disponível em: https://www.panamaamerica.com.pa/politica/panama-dice-que-participara-como-amigo-enla-reconstruccion-de-ucrania-cuando-exista-paz. Acesso em: 19 mar. 2026.
KEOHANE, Robert O. After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy. Princeton: Princeton University Press, 1984.
