Gabriele Nascimento Ribeiro, acadêmica do 5° semestre de R.I da UNAMA

A bacia amazônica é o maior sistema de água doce do mundo, e essa imensidão contribui para a diversidade geográfica e climática da região, influenciando diretamente o regime hidrológico. Nesse contexto, o Brasil surge como um ator estratégico para o debate e as negociações internacionais, pois abriga um sistema de rios que se entrelaçam formando uma verdadeira rede estratégica. Os rios que mais se destacam são: o Rio Amazonas, conhecido por sua magnitude, o Rio Negro, o Madeira, o Tapajós e o Xingu.

Esses rios moldam a geografia local e impulsionam a economia regional, uma vez que possibilitam a integração econômica por meio da navegação fluvial. Dessa forma, contribuem significativamente para o desenvolvimento da região e reforçam a posição estratégica do Brasil no cenário internacional.

A água é essencial à vida humana. No entanto, em meio a crises ambientais impulsionadas pela exploração exacerbada do solo por atividades como a agricultura, e por crises políticas sistêmicas que restringem categoricamente o acesso à água, os recursos hídricos tornam-se escassos, o que compromete a segurança alimentar, agrava as mudanças climáticas e ameaça a biodiversidade. 

Segundo a Organização das Nações Unidas (2024), relatórios publicados pela ONU-Água e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apontam que, em metade dos países do mundo, um ou mais tipos de ecossistemas de água doce estão degradados – incluindo rios, lagos e aquíferos. O fluxo dos rios diminuiu significativamente, os corpos d’água superficiais estão diminuindo ou desaparecendo, a água está se tornando mais poluída e a gestão dos recursos hídricos não está acontecendo como deveria.

Esses relatórios evidenciam, portanto, a crise hídrica que coloca em xeque o futuro da humanidade. Diante desse cenário, segundo o Governo Federal (2023), a Bacia Amazônica briga cerca de 20% da água doce da superfície do planeta, distribuída em um bioma tropical presente em nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil (2024), 60%  da floresta está localizada na região conhecida como Amazônia Legal. O que dá ao Brasil maior responsabilidade de gestão e maior protagonismo no que tange estimular a cooperação para o controle dos recursos hídricos.

Durante a COP30, realizada em Belém, o Brasil assumiu a responsabilidade de demonstrar o papel de sua liderança na gestão hídrica e climática. O que destaca os esforços brasileiro para manter a o debate dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 6, o qual visa garantir o acesso equitativo a água potável e saneamento. 

Entre as decisões tomadas durante a Conferência Climática, é válido descartar a aprovação do conjunto abrangente de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação. Que envolvem setores como água, alimentação e saúde.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (2025), durante os precedentes da COP30, a Presidência se propôs a em traduzir os resultados do Balanço Global em seis grandes eixos temáticos e trinta objetivos-chave, nos quais se destaca o 4 eixo sobre Construção de Resiliência em Cidades, Infraestrutura e Água, cujos os principais objetivos são gestão da água e de resíduos sólidos.

Ademais, na OTCA, o Brasil integra o grupo de países que estão Trabalhando no fortalecimento conjunto de suas capacidades humanas e institucionais para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) na Bacia Amazônica. 

Para enfrentar desafios comuns à região relacionados a água, os países amazônicos estão implementando o Programa de Ação Estratégica (PAE) para a GIRH na Bacia Amazônica por meio do Projeto Bacia Amazônica, no âmbito do GEF/UNEP/ACTO. Segundo a OTCA(2026), desde 2021, o projeto tem funcionado como um instrumento regional para fortalecer a governança da água, alinhar políticas e traduzir os princípios da GIRH na prática além das fronteiras.

A grande quantidade de recursos hídricos da Amazôniatambém permite ao Brasil liderar a produção de energia na América do Sul, especialmente por meio de hidrelétricas. De acordo com o Portal Amazônia (2025), existem mais de 20 hidrelétricas localizadas na Amazônia Legal, distribuídas entre os estados do Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. 

Outro instrumento diplomático importante do Brasil que abrange a região amazônica diz respeito a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

A Agência atua na Amazônia através do monitoramento hidrológico, gestão de crises hídricas e parcerias para governança, os programas de monitoramento podem ser encontrado no site do Governo Brasileiro, lá é possível acompanhar o monitoramento em tempo real, por exemplo do Rio Madeira,  através do HIDROSAT.

É válido destacar que, para além da Amazônia, o Brasil é detentor de um dos maiores projetos de resiliência hídrica da América Latina, o PISF.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é um projeto de infraestrutura hídrica que capta água no Rio São Francisco transportando-a para bacias hidrográficas do nordeste, em PE, CE, PB e RN. Segundo o Ministério de Integração e do Desenvolvimento Regional do Brasil(2024), o projeto visa garantir a segurança hídrica para mais de 12 milhões de pessoas.

Portanto, os debates políticos, liderados pelo Brasil ou poroutros países, em torno dos recursos hídricos Amazônicos devem considerar que a conservação não é apenas uma responsabilidade regional brasileira, mas uma urgência planetária, que depende de cooperação política, investimento e compromisso coletivo. 

Diante do exposto, para maior aprofundamento no tema, indica-se o primeiro episódio do Documentário intitulado “Caixa D’Água do Brasil”. Este vídeo detalha como a Amazônia e o Cerrado funcionam como as principais fontes de água doce para o abastecimento e a economia brasileira. O documentário é uma colaboração entre TV Cultura e a CenaUm, está disponível no YouTube.

Disponível em: < https://youtu.be/HbSwt6xcZCw?si=4ydUMHk-SaJV-nYE >.

Além disso, indica-se, para compreender a complexidade da gestão hídrica na Amazônia, o documentário “Um Rio em Disputa”. Produzido por Agência Pública, A obraexpõe a tensão entre o projeto de expansão energética nacional — pautado na construção de grandes hidrelétricas na bacia do Rio Tapajós — e a preservação dos modos de vida das populações ribeirinhas e indígenas. 

Disponível em: < https://youtu.be/yCtc145nSvk?si=WRs358rsvJ_w3nYD >.

Referências:

BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. OTCA – Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. Brasília, DF: Planalto. Publicado em: 02 de Ago. de 2023. Disponível em: < https://www.gov.br/planalto/pt-br/agenda-internacional/missoes-internacionais/cupula-da-amazonia/otca-organizacao-do-tratado-de-cooperacao-amazonica >. Acesso em: 05 de abr. De 2026.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Brasil). O que é a Agenda de Ação?. Belém: COP30. Publicado em: 28 de Ago. de 2025. Disponível em: https://cop30.br/pt-br/agenda-de-acao/o-que-e-a-agenda-de-acao. Acesso em: 6 abr. 2026.

BRASIL. Ministério de Integração do Desenvolvimento Regional (Brasil).O Projeto. Atualizado em : 23 de out. de 2024. Disponível em: < https://share.google/6ruxjhmWw4R1DTp7B >. Acesso em: 05 de abr. de 2025.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (Brasil). Amazônia. Atualizado em: 05 de set. de 2024. Disponível em: < https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade-e-biomas/biomas-e-ecossistemas/biomas/amazonia >. Acesso em: 05 de abr. de 2026.

ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA (OTCA). Fortalecendo capacidades para a gestão integrada da água na Amazônia. Publicado em:  11 mar. 2026. Disponível em: < https://aguasamazonicas.otca.org/fortalecendo-capacidades-para-a-gestao-integrada-da-agua-na-amazonia/?lang=pt-br>. Acesso em: 05 abr. 2026.

PORTAL AMAZÔNIA. Você sabia que existem mais de 20 hidrelétricas localizadas na Amazônia Legal?. Publicado em: 30 de set. de 2025. Disponível em: < https://portalamazonia.com/meio-ambiente/hidreletricas-amazonia-legal/ >. Acesso em: 07 de abr. de 2026.

United Nations Environment Programme. Metade dos países do mundo têm sistemas de água doce degradados, constata a ONU. Publicado em: 24 de ago. de 2024. Disponível em: <https://share.google/Q8c7yVZVvqbENno7G >. Acesso em: 05 de abr. de 2026.