Gabriele Nascimento (2º semestre de RI da UNAMA)
Keity Oliveira e Lara Lima (8º semestre de RI da UNAMA)


A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do planeta e detém uma imensa biodiversidade.  Ela se estende por nove países, sendo o Brasil o país que possui a maior extensão da floresta. A Amazônia é responsável pela produção significativa de oxigênio, pela absorção de grandes quantidades de dióxido de carbono, por gerar chuvas para grande parte da América do Sul e é o berço da maior bacia hidrográfica do planeta.


Além disso, a floresta também se destaca pelo processo de evapotranspiração feita pelas folhas para liberar o excesso de água captada pelas raízes, o que resulta em um fenômeno conhecido como “rios voadores” que levam chuva para partes do território Brasileiro. Entretanto, as atividades humanas em busca incessante por lucro, como o desmatamento, as emissões de gases de efeito estufa e a agricultura intensiva, exacerbam as mudanças climáticas e impactam, de forma direta e indireta, o ecossistema amazônico, afetando, por conseguinte, a população global.


A teoria sobre uma nova era geológica, chamada de Antropoceno, foi criada pelo cientista Paul Crutzen nos anos 2000. Do ponto de vista desta teoria, o autor afirma que o planeta Terra sempre seguiu uma evolução predeterminada pelas forças geológicas desde a sua criação, há cerca 4,5 milhões de anos. Dessa forma, com o desenvolvimento da agricultura e o início da primeira Revolução Industrial, a população do mundo teve um explosivo crescimento e este feito transformou a pressão sob os recursos naturais e promoveu uma aceleração no uso destes. Com isso, o autor explica que a partir das constantes alterações no clima e na biodiversidade, causadas por ações humanas, o planeta entraria em uma nova era geológica, denominada por ele como Antropoceno, caracterizada pelos impactos do homem na Terra (Artaxo, 2014).


Diante desta teoria, têm-se o agravamento das mudanças climáticas, que ocorrem em nível global, regional e até mesmo local, seja de forma lenta ou acelerada e que mostram os resultados por trás das ações antrópicas desenfreadas sob o meio ambiente.


No Brasil, estas transformações são possíveis de serem observadas pelo aumento da produção de biomassa, mortalidade de árvores e ecossistemas, aumento de temperatura e alterações na distribuição e abundância de espécies, elevando dessa maneira, o CO2 atmosférico e que são consequências do desmatamento e da degradação dos biomas, que aumentam a vulnerabilidade dos ecossistemas e ameaçam a biodiversidade existente no país (Artaxo, 2020).


Nesse seguimento, a floresta amazônica, que se estende por Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela e Brasil, é lar de uma vasta biodiversidade e desempenha um papel fundamental na regulação do clima global, principalmente por capturar grandes quantidades de carbono e influenciar no transporte de calor da região equatorial para áreas mais frias (CEBDS, 2020).


Os países que compõem a Amazônia, inclusive o Brasil por obter a maior parte, sofrem grande pressão internacional para implementar políticas de conservação efetivas para a região. A densa vegetação da floresta, armazena grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2), contribuindo para a diminuição da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e, assim, ajudando no combate ao aquecimento global (Brasilamaz, 2023).


Segundo Paulo Artaxo, cientista do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e autor principal de um capítulo do mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mesmo com a substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis, será quase impossível eliminar totalmente as emissões de carbono até 2050, sem proteger os sistemas naturais de armazenamento de CO2 das florestas tropicais, especialmente a Amazônia, que possui o maior estoque de CO2 do planeta (Ciclovivo, 2022).


Outrossim, Artaxo salienta que pesquisas realizadas em diferentes partes do mundo indicam que as mudanças climáticas já podem ter atingido um ponto de não retorno, com o desmatamento sendo um dos principais impulsionadores desse processo. Daqui a 10 ou 15 anos, conforme as mudanças se desenvolvem, elas terão um impacto definitivo na definição do clima (Ciclovivo, 2022).


A Amazônia tem enfrentado diversas alterações em seu ecossistema devido ao desmatamento e às mudanças climáticas. Um dos impactos é na fotossíntese realizada pelas plantas, que produz energia e captura CO2. Com o aumento das temperaturas, a capacidade da floresta de absorver gás carbônico por meio da fotossíntese tem diminuído drasticamente (Brasilamaz, 2023).


Nesse sentido, o fluxo de carbono na região amazônica está diminuindo. Conforme estudos realizados por Artaxo, há 35 anos atrás, a região absorvia 1,5 toneladas de carbono (Ciclovivo, 2022). Atualmente, esse fluxo caiu praticamente a zero devido à morte das árvores, causada pelas altas temperaturas e à redução da precipitação de chuva.


Além disso, na região, há a existência de um fenômeno expresso pelo déficit de pressão de vapor, que representa a quantidade de água que as plantas liberam na atmosfera, no qual observa-se mudanças significativas no ciclo hidrológico da região com um aumento na quantidade de água nos rios da Amazônia nos últimos 120 anos. Para Artaxo (Ciclovivo, 2022), esse aumento sugere que menos água está sendo reprocessada pelo ecossistema.


Sendo assim, em estudos realizados por Artaxo, estaríamos próximos do ponto de inflexão se a precipitação ultrapassar 1.000 mililitros e a temperatura subir mais de 2,5 graus. Por sua vez, Carlos Nobre prevê que um aumento de temperatura de 4 graus ou um desmatamento de 40% da área total de floresta poderá levar à perda completa das áreas florestais remanescentes, perspectiva essa que está sendo seguida globalmente com as mudanças climáticas (Ciclovivo, 2022). Logo, o aquecimento do planeta pode traçar um futuro desanimador para a Amazônia, no qual poderá trazer um futuro com perdas tanto para as pessoas quanto para a vasta biodiversidade que cerca a floresta.


A degradação da Amazônia afeta diretamente a regulação do clima global, provocando mudanças no uso da terra, escassez de água doce, secas, perda de solos valiosos tanto ecológicos quanto agrícolas, erosões, redução das colheitas, maior infestação de insetos e disseminação de doenças infecciosas (WWF, [s.d]). Dado que a recuperação de danos ao ecossistema é extremamente difícil, a questão climática deve ser tratada com mais seriedade, assim, evitando notícias falsas e focando em mais ações concretas.


Diante disso, cabe afirmar que a Amazônia está no centro dos debates internacionais acerca da questão do clima e da preservação, tendo em vista o traçado histórico de luta pela proteção da floresta e das comunidades tradicionais que nela habitam, em razão da constante ameaça de desmatamento pelas ações antrópicas.


Nesse sentido, o Brasil, apesar de ser o segundo país mais rico em cobertura florestal remanescente do mundo (fica atrás apenas da Rússia), também é um dos que mais desmata as suas florestas. O país perde, anualmente, mais de 20 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa, por causa da derrubada de árvores e de incêndios florestais causados pelas atividades econômicas do país, as quais são a pecuária extensiva, a agricultura, principalmente com a expansão da soja, a construção de estradas, hidrelétricas e atividade madeireira, muitas vezes ilegal (Moreira, 2009, p.8).


Portanto, é imprescindível que a Amazônia alcance visibilidade internacional para seus problemas, a fim de angariar recursos e apoio de atores transnacionais da sociedade civil global, a fim de fomentar a governança global sobre o território amazônico.


Diante da temática exposta, recomendamos dois documentários para complementar os estudos, o primeiro é um webdocumentário chamado “O Amanhã é hoje – o drama de brasileiros impactados pelas mudanças climáticas” (2018). O longa mostra que os impactos do clima já alcançaram todos os brasileiros, estejam na cidade, no campo ou na floresta. O filme é resultado da união de sete organizações da sociedade civil que juntaram esforços para tirar da invisibilidade as histórias dos afetados pelas mudanças climáticas. Disponível para ser assistido no Youtube, através do link a seguir:


< https://www.youtube.com/watch?v=azrnx55oawQ&ab_channel=OAmanh%C3%A3%C3%89Hoje >


O segundo se chama “Amazônia Climática” (2018), documentário que aborda três filmes curtos, produzidos através do projeto “Melhoria dos métodos de estimativa de biomassa e de modelos de estimativa de emissões por mudança de uso da terra”, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e que possuem como objetivo principal, compartilhar, com os diversos públicos, a metodologia e o conhecimento inovador gerado pelo projeto, visando ao melhor entendimento do papel da floresta no clima do planeta. O roteiro do documentário foi estruturado em três partes. “Amazônia Carbônica” apresenta os conceitos de estoque de carbono e a importância de se reduzir as incertezas na quantificação de biomassa da região. “Amazônia Líquida” apresenta a hidrologia da região e a importância da Amazônia nos processos de precipitação na América do Sul. “Amazônia – floresta de vidas” mostra a imensa biodiversidade da região e as relações ecológicas. Está disponível para ser assistido na internet, através do link a seguir:


< https://vimeo.com/289835537 >


Além disso, indica-se o Observatório do Clima, fundado em 2002 e que representa uma rede de organizações da sociedade civil, tendo como principal objetivo discutir as mudanças climáticas no contexto brasileiro, que incluem representatividade, pluralidade e longevidade na discussão de mudanças climáticas. Para mais informações, acesse:


Site: < https://www.oc.eco.br/ >


Instagram: < https://www.instagram.com/observatoriodoclima/ >


Facebook: < https://www.facebook.com/ObservatorioClima >


Por fim, se recomenda também o trabalho realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, criado em 1999, que desenvolve atividades por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social, especialmente no Estado do Amazonas. Entre seus objetivos, estão a aplicação da ação de ciência, tecnologia e inovação de estratégias e políticas públicas de conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica. Para mais informações, acesse:


Site: <https://mamiraua.org.br/&gt;


Instagram: <https://www.instagram.com/institutomamiraua/&gt;


Facebook: <https://www.facebook.com/institutomamiraua/&gt;







REFERÊNCIAS


ARTAXO, Paulo. As três emergências que nossa sociedade enfrenta: saúde, biodiversidade e mudanças climáticas. Estudos Avançados, v. 34, p. 53-66, 2020. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/ea/a/TRsRMLDdzxRsz85QNYFQBHs/?format=html > Acesso em: 04 de agosto de 2024.


ARTAXO, Paulo. Uma nova era geológica em nosso planeta: o Antropoceno?. Revista Usp, n. 103, p. 13-24, 2014. Disponível em: < https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/99279 > Acesso em: 04 de agosto de 2024.


CEBDS. A IMPORT NCIA da Amazônia na regulação do clima do planeta. [S.d]. Disponível em: <https://cebds.org/noticia/a-importancia-da-amazonia-na-regulacao-do-clima-do-planeta/&gt;. Acesso em: 03 de ago de 2024.


CICLOVIVO. ENTENDA o papel da Amazônia na regulação do clima do planeta. [S.d] Disponível em: <https://ciclovivo.com.br/planeta/crise-climatica/entenda-o-papel-da-amazonia-na-regulacao-do-clima-do-planeta/&gt;. Acesso em: 03 de ago de 2024.


MOREIRA, Helena Margarido. A importância da Amazônia na definição da posição brasileira no regime internacional de mudanças climáticas. Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais “San Tiago Dantas” (UNESOP, UNICAMP, PUC-SP): São Paulo, 2009. Disponível em: < https://www.fclar.unesp.br/Home/Pesquisa/GruposdePesquisa/NPPA/C.E_Helena_MargaridoMoreiraHelena-LASA.pdf > Acesso em: 04 de agosto de 2024.


WWF BRASIL. MUDANÇAS climáticas na Amazônia. [S.d]. Disponível em: <https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/amazonia1/ameacas_riscos_amazonia/mudancas_climaticas_na_amazonia/&gt;. Acesso em: 03 de ago de 2024.