
Julia Castro, acadêmica do 7° semestre de Relações Internacionais
Ficha Técnica:
Ano: 1954
Direção: Alfred Hitchcock
Distribuição: Warner Bros Pictures
Gênero: Suspense
País de Origem: Estados Unidos
Dirigido por Alfred Hitchcock e uma obra-prima do suspense, “Disque M Para Matar” acompanha o plano minucioso de um ex-tenista para assassinar sua esposa, motivado por ganância e ciúmes. No entanto, o plano falha e a trama se desenrola em uma teia de mentiras, chantagens e reviravoltas. Através de poucos cenários e com foco intenso nos diálogos, o longa-metragem mostra as complexidades das relações humanas através de um caso extraconjugal.
Ambientada em Londres, a trama apresenta Tony Wendice, um ex-tenista que descobre que sua esposa, Margot Mary Wendice, está tendo um caso com o escritor americano Mark Halliday. Movido por ciúmes e pelo desejo de herdar a fortuna da esposa, Tony elabora um plano para assassiná-la. Tony chantageia um antigo colega de faculdade, Charles Swann, para cometer o crime. O plano é simples: enquanto Tony distrai Mark em um evento, Swann deverá invadir o apartamento e estrangular Margot. O protagonista imagina um crime perfeito, mas o plano dá errado quando Margot consegue se defender e mata Swann, em legítima defesa. Para não ser descoberto, Tony muda o plano e tenta incriminar a esposa por assassinato premeditado (ADOROCINEMA, 2024).
Explorando temas como traição, manipulação e a busca por poder, o filme pode ser analisado à luz da teoria realista das relações internacionais, que enfatiza a natureza competitiva e anárquica das relações entre estados, onde a sobrevivência e o poder são as principais preocupações. A desconfiança constante em relação aos outros está presente tanto no enredo do filme quanto no pensamento de Thomas Hobbes. Em sua obra “Leviatã”, Hobbes afirma que o estado de natureza, por definição, é um estado de guerra entre os homens. Na ausência de um poder soberano e absoluto internacional, todos os Estados podem dispor legitimamente da força (SARFATI, 2005). Na narrativa, a traição entre o casal e o planejamento de um crime se alinha com a visão hobbesiana de que, sem uma autoridade central forte, as relações humanas tendem a ser instáveis
O teórico Hans Morgenthau, baseado nas ideias de Hobbes, argumenta que as ações dos atores são motivadas pela busca incessante de poder e segurança, utilizando outros meios para alcançar seus objetivos. Para o autor, a natureza humana é multifacetada e complexa, mas uma característica que se sobressai quando se trata de política é a luta pelo poder, e essa luta é feita visando à dominação das mentes e ações humanas (BITTENCOURT, 2017). O protagonista Tony Wendice chantageia Swann para que ele mate Margot e, posteriormente, tenta usar evidências contra sua esposa para se livrar de suspeitas. Esse comportamento representa os Estados que formam alianças ou exploram fraquezas de outros para benefício próprio.
Dessa forma, é possível dizer que “Disque M Para Matar” pode ser interpretado como uma metáfora para as dinâmicas de poder presentes no cenário internacional, destacando temas de traição e as complexidades morais envolvidas na busca por poder. Com uma narrativa calculista e ao mesmo tempo minimalista, o filme mostra como o desejo por controle pode levar a consequências inesperadas.
REFERÊNCIAS:
BITTENCOURT, P. V. Z. (2017). Política internacional, do pensamento realista à teoria neorrealista: o pensamento teórico de Hans Morgenthau e Kenneth Waltz em perspectiva comparada. Revista Intratextos, 8(1), 1–22.
Disque M Para Matar. Adoro Cinema. Disponível em: https://www.adorocinema.com/filmes/filme-700/. Acesso em: 29 dez. 2024.
SARFATI, Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva, 2005.
