
Gabriele Ribeiro- acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA.
A intensificação das mudanças climáticas é uma realidade tanto no Brasil quanto no restante do mundo e representa uma ameaça à vida humana, visto que essas alterações climáticas geram problemas de saúde, crises na produção de alimentos e escassez de água, entre outras questões. Esse cenário se faz presente através da lógica mercadológica capitalista que prioriza o lucro em detrimento ao meio ambiente, colocando em risco a própria existência da humanidade, que depende da preservação do planeta para existir.
Em novembro de 2025, o Brasil sediará a COP 30 em Belém-PA, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, colocará o Brasil como protagonista em prol do financiamento climático, do desenvolvimento sustentável e da promoção de energia limpa. A Amazônia, exerce enorme importância internacional, pois não apenas abriga a maior bacia hidrográfica do planeta, mas também é lar de uma rica diversidade cultural e ambiental. Diante disso,faz-se urgente os esforços para reduzir o avanço das alterações climáticas, em destaque o aquecimento global.
Segundo o filósofo clássico das Relações Internacionais, Immanuel Kant (1924-1804, p. 18 apud Reis, 2006), todos os homens deveriam considerar a sua condição como membro da humanidade, se atentando nas decisões pessoais e políticas. Diante dessa perspectiva, a participação da sociedade civil no debate sobre pautas ambientais é fundamental. Para isso, a educação de qualidade é essencial, pois capacita a população a compreender e discutir a complexidade das questões ambientais. Uma população bem informada não se deixa enganar por falsas promessas; pelo contrário, se torna ativa na cobrança das autoridades políticas, contribuindo para a fiscalização das ações tomadas e para exposição das demandas sociais. Dessa forma, a sociedade civil pode exercer influência nas decisões políticas, promovendo um ambiente mais justo e sustentável.
Nesse contexto, a educação desempenha um papel essencial na formação do indivíduo, incentivando a reflexão e o questionamento sobre temas sociais e políticos. Assim sendo, as escolas e universidades são fundamentais nesse processo, pois promovem mudanças e moldam cidadãos críticos, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de uma consciência ambiental que é fundamental para pensar construção de uma sociedade mais sustentável. De acordo com Lima e Mourão (2007, p. 29), a educação ambiental não está somente relacionada ao repasse de conhecimento, mas é, acima disso, incentivar que a população participe de forma ativa na política.
Além disso, segundo Franca e Frenedozo (S.I) “praticar a Educação Ambiental é propor um diálogo onde seja possível repensar a teoria e refletir a prática, trazendo assim a perspectiva da educação como uma construção cultural e social”. Por isso, não basta abordar a questão climática de forma rasa, é necessário investir na criação de valores sociais que visem construir competências voltadas para a preservação do meio ambiente.
Outrossim, dentro dos planos de educação é fundamental promover um debate histórico sobre as personalidades que se destacaram na luta pela preservação do meio ambiente e pelos direitos dos povos originários. Um exemplo é o líder político Chico Mendes, cuja trajetória se tornou um símbolo da resistência em prol da floresta Amazônica e da defesa das comunidades autóctones. Abordar o conhecimento histórico a respeito de figuras como Chico Mendes é essencial para fomentar uma consciência ambiental justa e crítica. Assim como pode inspirar novas gerações a se engajarem na luta pela justiça ambiental.
Portanto, a forma como o ser humano se relaciona e utiliza a natureza e seus recursos é determinante para o futuro da humanidade, por isso espera-se que os Estados incentivam o ensino de uma educação ambiental efetiva, com o intuito de capacitar os cidadãos a serem críticos e conscientes politicamente, o que contribuirá para uma sociedade mais justa, na luta por seus direitos e para o manejo equilibrado do meio ambiente e consequentemente para o aumento da participação da sociedade civil em grandes debates ambientais como as COPs.
REFERÊNCIAS :
FRANCA, Natália; FRENEDOZO, Rita. A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA COMBATER O PROBLEMA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Revistaea, [S.I]. Disponível em: < https://www.revistaea.org/pf.php?idartigo=4357 >. Acesso em: 27 de fevereiro de 2025.
REIS, Rossana. O lugar da democracia: a sociedade civil global e a questão da cidadania cosmopolita. São Paulo: Revista Perspectiva, 2006.
LIMA, C. C.; MOURÂO, A. R. B. A Representação Social da Educação Ambiental: a
Visão docente no curso de pedagogia. Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2007.
