Danilo Rocha – 5° Semestre

A atuação de organizações humanitárias tem se tornado cada vez mais relevante no cenário contemporâneo, especialmente diante do aumento de guerras, crises sociais, desastres naturais e situações de vulnerabilidade. Nesse contexto, a Cruz Vermelha destaca-se como uma instituição fundamental, atuando na assistência humanitária em diversos países, incluindo o Brasil. Em território brasileiro suas ações concentram-se na proteção à vida, no auxílio a populações vulneráveis e na promoção da saúde (CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, 2026)

Este artigo tem como objetivo analisar a atuação da Cruz Vermelha no Brasil à luz da teoria neoliberal das relações internacionais, destacando o papel da cooperação das instituições e dos atores não estatais na promoção de respostas humanitárias eficazes. Parte-se do pressuposto de que, em um cenário marcado por crises recorrentes, a atuação de organizações como a Cruz Vermelha evidencia a relevância de valores como a cooperação e solidariedade.

O Neoliberalismo enquanto abordagem teórica, enfatiza a cooperação entre os Estados e o papel de instituições internacionais e de atores não estatais na construção de um sistema mais estável. Em contraste com o Realismo, que prioriza o conflito e a busca por poder, o Neoliberalismo sustenta que a interdependência entre os atores favorece a cooperação e reduz tensões.

Segundo Keohane e Nye (1977), a interdependência complexa amplia a importância das instituições internacionais, que passam a atuar como mediadoras e facilitadoras da cooperação. Nesse sentido, organizações humanitárias ganham destaque ao atuar em contextos onde a ação estatal é limitada ou insuficiente. De forma complementar, Kant (1975) argumenta que a criação de normas e instituições comuns contribui para a redução de conflitos e para a estabilidade entre os povos.

A Cruz Vermelha surgiu no século XIX, a partir das iniciativas de Henri Dunant, com o objetivo de prestar assistência às vítimas de conflitos armados (COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA, 2026). Com o tempo, expandiu sua atuação para desastres naturais, crises sanitárias e apoio a populações vulneráveis, consolidando-se como uma das principais instituições humanitárias do mundo (CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, 2026).

No Brasil, fundada em 1908, a organização atua de forma neutra, imparcial e independente, desenvolvendo ações em diferentes regiões do país (CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, 2026). Sua relevância pode ser observada em casos concretos, como nos desastres da região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, quando prestou assistência a milhares de desabrigados por meio da distribuição de alimentos, água e itens essenciais. De forma semelhante, nas enchentes na Bahia entre 2021 e 2022, atuou no fornecimento de ajuda emergencial e apoio logístico às populações afetadas (CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, 2026).

Durante a pandemia de COVID-19, a instituição também desenvolveu papel significativo, promovendo campanhas de conscientização e distribuindo insumos essenciais, evidenciando sua capacidade de resposta em cenários de crise (CRUZ VERMELHA BRASILEIRA, 2026).

A atuação da Cruz Vermelha Brasileira evidencia, de forma concreta, a relevância de atores não estatais nas relações internacionais, conforme defendido pelo Neoliberalismo. Sua presença em diferentes contextos demonstra que a resposta a desafios contemporâneos não depende exclusivamente dos Estados, mas da articulação entre múltiplos atores.

No caso das enchentes no Rio de Janeiro em 2011, sua atuação ocorreu em cooperação com autoridades públicas e outras instituições, exemplificando a dinâmica descrita por Keohane e Nye. Esse padrão se repete em eventos recentes, como nas enchentes no sul do Brasil, onde a atuação conjunta de diferentes atores possibilitou respostas mais rápidas e eficazes.

Sob a perspectiva kantiana, a atuação da Cruz Vermelha também contribui para a difusão de valores como a solidariedade, cooperação e respeito à vida humana, fortalecendo normas e práticas que favorecem a convivência pacífica.

Dessa forma, a atuação da Cruz Vermelha no Brasil pode ser compreendida de maneira consistente a partir da perspectiva neoliberal. Sua presença reforça a importância das instituições humanitárias em um cenário internacional marcado por crises, evidenciando que a cooperação entre diferentes atores é essencial para a promoção da estabilidade e da proteção da vida humana.

Assim, a Cruz Vermelha não apenas desempenha um papel central na assistência humanitária, mas também contribui para a consolidação de um modelo baseado na cooperação e em valores compartilhados, reforçando a relevância do Neoliberalismo como ferramenta analítica das dinâmicas internacionais contemporâneas.

Referências:

AGÊNCIA BRASIL. Cruz Vermelha apoia vítimas das chuvas no RJ. Disponível em: <https://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil//noticia/2011-01-19/cruz-vermelha-apoia-vitimas-das-chuvas-no-rj-emprestando-aparelhos-de-telefone-satelite>. Acesso em: 02 maio 2026.

COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA. Nossa história. Disponível em: <https://www.icrc.org/pt/nossa-historia>. Acesso em: 02 maio 2026.

CRUZ VERMELHA BRASILEIRA. Cruz Vermelha arrecada doações para vítimas de enchentes na Bahia. Disponível em: <https://cruzvermelha.org.br/pb/cruz-vermelha-brasileira-arrecada-doacoes-para-vitimas-de-enchentes-na-bahia/>. Acesso em: 02 maio 2026.

CRUZ VERMELHA BRASILEIRA. Filial Pará. Disponível em: <https://cruzvermelha.org.br/pb/filiais/para/>. Acesso em 02 maio 2026.

KANT, Immanuel. À paz perpétua. 1795.

KEOHANE, Robert; NYE, Joseph. Power and Interdependence. 1977.