
Foto: Caio Gomez
Ana Gabriela Souza – Acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA
O custo de oportunidade é quando tendo duas possibilidades distintas, opta-se pela que se julgou ser a melhor escolha, muitas vezes não sendo uma escolha que beneficiará um todo, entretanto alguns. Tomar uma decisão entre o rearmamento e o bem-estar da população parece uma escolha obvia para um governo que preza pela população aos seus cuidados, entretanto para alguns governos que seguem por uma linha de pensamentos mais Realista, a escolha será o rearmamento pois, precisam defender seu Estado.
No livro Introdução a Economia (2010) de Carlos Eduardo Gonçalves e Bernardo Guimarães, o custo de oportunidade é definido como o valor do melhor uso alternativo de algo, aquilo que se perde por ter escolhido determinada ação. Ou seja, o custo de oportunidade do rearmamento é não usar esse investimento para aumentar a qualidade de vida da população, seja com investimento em saúde, tecnologia, meio ambiente, o investimento na área ambiental pode trazer não apenas benefícios locais, como também, para regiões vizinhas.
A Teoria Realista das Relações Internacionais diz que os Estados são atores unitários dentro do Sistema Internacional, internamente ele pode ter suas divergências, grupos de interesses, opositores e conflitos de opiniões, porém, externamente responde pelo todo e os problemas internos são deixados de lado. Além disso, prezam pela segurança nacional sendo o ponto mais importante, com isso a escolha pelo rearmamento em detrimento do bem-estar social é totalmente de acordo com essa teoria (Sarfati, 2005).
Para os realistas o Sistema Internacional é anárquico, ele não tem um poder central que comanda todo o resto, os Estados são iguais entre si, o que os difere uns dos outros é seu poderio bélico, sua capacidade de defesa e ataque, quanto maior seus exércitos, suas armas, maior sua força e poder, aumenta também sua capacidade de ataque. John Mearsheimer, em seu livro The Tragedy of Great Power Politics (2001), argumenta que os Estados precisam se fortalecer para poder se proteger, não serem atacados ou dominados; demonstrar e provar essa força é o que torna um Estado uma potência, e esse status de potência é o que um Estado deve buscar.
Segundo o SIPRI (Instituto de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), em 2025 os gastos mundiais com armamentos custaram em torno US$ 2,887 trilhões, um crescimentos de 2,9% em comparação com 2024 e a estimativa é que esse crescimento continue cada vez mais nos próximos anos. Com a proposta do plano orçamentário de Donald Trump sendo aprovado pelo senado estadunidense, o investimento em armamentos pode aumentar consideravelmente, juntamente a isso o SPRI ainda mostra o aumento desses investimentos na Europa que foi de 14%, na Rússia de 5,9% em 2025, com previsões de que esses números aumentem em 2026 (SIPRI, 2026).
Mearsheimer diz que um Estado deve procurar ser uma potência regional, para atuar com mais tranquilidade dentro do Sistema Internacional, sem o receio de ser atacado a qualquer momento, ao mesmo tempo ditar algumas regras, pois quem tem maior poder diz como as coisas devem ser (Mearsheimer, 2001). Em grande parte isso é o que acontece internacionalmente, os países buscam cada vez mais poder e influência, por isso querem sempre mais, cada vez mais armas, o mais forte e influente encaminha o mundo ou uma região para a direção que deseja.
Com isso, pode-se concluir que os altos investimentos em armamentos, fazem parte da estratégia dos Estados, sejam eles quais forem, todos investem em armamentos, uns mais do que outros. Não significa que não há grandes investimentos em bem-estar social nesses países, porém, como faz parte da política interna, para o cenário internacional, dentro da perspectiva realista e no Sistema Internacional como um todo, não é o foco, sempre vão optar pela defesa de seu território com equipamentos cada vez mais sofisticados e em grande escala, mantendo-se como Estados fortes com a capacidade de se proteger.
Referências:
INSTITUTO INTERNACIONAL DE PESQUISA E PAZ DE ESTOCOLMO. O aumento dos gastos militares globais continua enquanto os gastos europeus e asiáticos disparam. SIPRI. 27 de abril 2026. Disponível em: <https://www.sipri.org/media/press-release/2026/global-military-spending-rise-continues-european-and-asian-expenditures-surge> 27 de set. 2026.
MEARSHEIMER, John J. The Tragedy of Great Power Politics. 1ª edição. W.W. Norton & Company, Inc.: New York, 2001.
SARFATI. Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. 1ª edição. São Paulo: Saraiva, 2005.
