Letícia Gabrielly, acadêmica do 4º semestre de Relações Internacionais da Unama.

A indústria cultural, responsável pela produção e difusão de entretenimento em massa, ocupa um lugar central no cotidiano da sociedade contemporânea. No epicentro dessa indústria, a figura da celebridade, que emerge como figura de grande influência, frequentemente se vê envolvida em escândalos que reverberam além das fronteiras nacionais. 
Os escândalos que envolvem celebridades são, na grande maioria, situações advindas da própria indústria, tendo em vista que ao mesmo tempo em que a indústria cria e eleva essas figuras públicas, ela também as destrói para gerar novas narrativas e manter o engajamento do público. A exposição das celebridades, a invasão de sua privacidade e a busca incessante por novidades contribuem para a criação de um ciclo vicioso de escândalos (CIÊNCIA HOJE, 2024).
A reação do público a esses escândalos é confusa. Por um lado, há uma fascinação pela vida privada das celebridades, alimentada pela curiosidade e pelo desejo de se identificar com figuras que parecem ter vidas perfeitas. Por outro lado, há uma repúdio e um sentimento de traição quando esses mesmos ídolos são expostos em situações comprometedoras. Essa dinâmica revela a complexidade das relações entre a indústria cultural, as celebridades e o público.
Os autores Max Horkheimer e Theodor Adorno, filósofos e sociólogos da Escola de Frankfurt, discutem em sua clássica obra “Dialética do Esclarecimento” (1947) o conceito de “indústria cultural”, que se refere à produção em massa de bens culturais. Ambos argumentam que a indústria cultural não apenas produz bens de consumo, mas também molda a consciência social. A padronização dos produtos culturais e a alienação do público são características marcantes desse processo. As celebridades, como produtos da indústria cultural, são construídas e manipuladas para atender a demandas específicas do mercado, gerando identificação e desejo no público. (HORKHEIMER; ADORNO,1947).


A indústria cultural, os escândalos de celebridades e as relações internacionais estão profundamente ligados. A produção em massa de conteúdos, a construção de imagens e a exploração da vida privada das celebridades são fenômenos globais que moldam as consciências e as relações sociais. A teoria crítica da Escola de Frankfurt oferece uma lente poderosa para analisar essas dinâmicas complexas, revelando os mecanismos de poder e dominação que operam por trás da cortina da indústria cultural. Ao compreender essas dinâmicas, podemos perceber como a cultura de massa se insere em um contexto mais amplo de poder à medida que reflete e reforça estruturas de influências globais.

REFERÊNCIAS:

Adorno, T. W., & Horkheimer, M. (1947). Dialética do esclarecimento: Fragmentos filosóficos. São Paulo: Paz e Terra.

CIÊNCIA HOJE. O poder dos fãs. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/o-poder-dos-fas /. Acesso em: 6 out. 2024.