Por João Pedro Rocha – acadêmico do 5º semestre de Relações Internacionais da Unama.

A atual Cúpula do BRICS, que será presidida no Brasil durante os dias 6 e 7 de julho, com o tema “Fortalecendo a cooperação Sul Global para uma governança mais inclusiva e sustentável”, terá como prioridade a cooperação Sul Global e as parcerias BRICS para desenvolvimento social, econômico e ambiental no bloco (BRICS, 2025).

Das temáticas a serem abordadas durante a reunião, algumas delas serão configuradas enquanto temáticas que necessitarão de mais enfoques e preocupações para as agendas que serão trabalhadas e discutidas durante o decorrer da reunião, os quais pode-se destacar, entre elas: a cooperação global de saúde, o comércio, investimento e finanças, mudança climática, governança de IA, promoção de uma reforma global do sistema multilateral de paz e da arquitetura de segurança (VALVERDE, 2025).

Alguns desses tópicos recorrem a antigas discussões já iniciadas em cúpulas anteriores, como a 16ª Cúpula do BRICS em Kazan, em que já tinha sido incluído a categoria de países parceiros BRICS e o interesse em uma reforma de uma governança global (MRE, 2024).

Nesse sentido, é notável destacar a teoria construtivista das Relações Internacionais e sua contribuição para o entendimento social e identitário da questão. A teoria construtivista foi formalmente estabelecida como teoria entre o final dos anos 1980 e o início da década de 1990, surgindo principalmente como uma resposta crítica às teorias dominantes do realismo e liberalismo (ONUF, 1989).

A teoria construtivista argumenta que a política, órgãos e até instituições são moldadas não apenas por fatores materiais, como poder econômico ou militar, mas também por ideias, normas, identidades e construções sociais( fonte, ano). Isto é, a realidade internacional e a sua percepção não devem ser entendidas como apenas de suas ações concretas e objetivos fixos, analisando também como o entendimento dessa realidade foi construída socialmente com o passar do tempo, como a identidade e a forma dessa realidade foi moldada por interações sociais, normas e ideias compartilhadas com o tempo.

Como citado por Emanuel Adler “O construtivismo mostra que mesmo em nossas instituições mais duradouras são baseadas em entendimentos coletivos”, isto é, qualquer instituição, parte ou órgão na política, não é apenas sobre a perspectiva material, porém também como se tornou o que é a partir do entendimento coletivo sobre o mesmo (ADLER,1997). Assim entende-se que a intersubjetividade de uma realidade é o que consolida as ações e a identidade dela no cenário internacional, pois esse é o fator determinante em si para a total compreensão da realidade e seus efeitos.

Quanto ao posicionamento do Brasil como presidente da Cúpula, é evidente o resgate da identidade brasileira internacional como líder no Sul-Global e seus tópicos na cúpula podem ser vistos tanto como reafirmação dessa liderança quanto como um fortalecimento de sua identidade diplomática e defensora dos países emergentes e subdesenvolvidos.

Concluindo, as expectativas a serem alcançadas sobre a cúpula e as novas reuniões do BRICS em 2025 são reflexo da liderança brasileira na presidência da Cúpula neste ano. Na reunião também haverá diversas discussões atuais, como a inteligência artificial e o fortalecimento do multilateralismo. Para isso, podem contar com o atual secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, que estará presente durante as reuniões (NAÇÕES UNIDAS, 2025).

Em suma, é importante destacar a importância da atual Cúpula para o fortalecimento diplomático do Brasil com os países-membros do BRICS. O seu posicionamento estratégico como líder no Sul-Global parte devidamente da natureza diplomática do país, assim podemos esperar que da Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, haverá novas portas de entrada para fortes discussões nas relações internacionais relacionadas ao multilateralismo e meio ambiente.

REFERÊNCIAS

ADLER, Emanuel. O construtivismo no estudo das relações internacionais. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, São Paulo, n. 47, ago. 1999. Acesso em 03 jul. 2025

BRICS BRASIL. Presidência Brasileira. Brasília: BRICS Brasil, 2025. Disponível em: https://brics.br/pt-br/sobre-o-brics/presidencia-brasileira. Acesso em: 05 jul. 2025.

VALVERDE, Vanderlei Crisóstomo. BRICS 2025: dinâmicas geopolíticas e novas oportunidades para o Sul Global. Instituto de Relações Internacionais, Universidade de Brasília, 1 abr. 2025. Disponível em: https://irel.unb.br/2025/04/01/brics-2025-dinamicas-geopoliticas-e-novas-oportunidades-para-o-sul-global/. Acesso em: 4 jul. 2025.

BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. XVI Cúpula do BRICS – Kazan, Rússia, 22 a 24 de outubro de 2024: Declaração Final [versão em inglês: “Kazan Declaration: Strengthening Multilateralism for Just Global Development and Security”]. Brasília: MRE, 24 out. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/xvi-cupula-do-brics-2013-kazan-russia-22-a-24-de-outubro-de-2024-declaracao-final#English. Acesso em: 03 jul. 2025.

ONUF, Nicholas Greenwood. The World of Our Making : Rules and Rule in Social Theory and International Relations. Columbia, SC: University of South Carolina Press, 1989.

NAÇÕES UNIDAS. Secretário-geral da ONU participa de Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro. Brasília: ONU Brasil, 4 jul. 2025. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/297441-secret%C3%A1rio-geral-da-onu-participa-de-c%C3%BApula-do-brics-no-rio-de-janeiro. Acesso em: 05 jul. 2025.